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Energia e Defesa -2

Especialistas alertam que gasoduto Brasil-Bolívia é vulnerável a terroristas


1 de fevereiro, 2000 7:02 PM hora de Nova York (0002 GMT)


Por Humberto Trezzi,
da Zero Hora

PORTO ALEGRE -- A concretização do gasoduto Brasil-Bolívia está gerando uma preocupação nos meios militares: a de que o abastecimento de gás nas metrópoles brasileiras possa ser cortado por qualquer extremista que conheça atos de sabotagem.

O alerta, feito por estudiosos de assuntos estratégicos, foi enviado semana passada a líderes das Forças Armadas e a altos escalões governamentais do Brasil.

Publicação a respeito dos riscos que pairam sobre o gasoduto circulou no Defesa@Net, um boletim eletrônico de circulação restrita na Internet.

O gasoduto liga Yacuiba e Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) a Canoas (Rio Grande do Sul) e atravessa cinco Estados brasileiros.

O trecho até São Paulo está pronto e já envia gás para uso industrial e doméstico.
Especializada em defesa, inteligência, estratégia militar e geopolítica, a Defesa@Net publicou artigo sobre a vulnerabilidade do gasoduto, escrito pelo professor Fernando Sampaio, diretor da Escola Superior de Geopolítica e Estratégia D.João VI, com sede em Porto Alegre.

Sampaio diz que, finalizada a obra, o abastecimento de gás pode ser cortado a qualquer momento, de forma fácil e por grande período de tempo no Brasil.

Para isso, basta ocorrer uma sabotagem em locais vulneráveis. O estudioso lembra que o movimento indígena da Bolívia já declarou publicamente ter interesse no controle sobre o gás que virá ao Brasil.

A interrupção do abastecimento de gás pode paralisar a maior parte da produção do parque industrial paulista e, mesmo, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro pondera Sampaio.

Ataques a oleodutos são rotineiros na Colômbia

O editor da revista eletrônica Defesa@Net, o gaúcho Nelson Düring, diz que sabotagens são rotina na Colômbia. Entre janeiro e março de 1999, o chamado Exército de Libertação Nacional (ELN, guerrilha esquerdista) dinamitou 23 vezes tubulações da Empresa Colombiana de Petróleos (Ecopetrol). Düring salienta que outros projetos brasileiros poderiam ser visados.

No Brasil, a Petrobrás está construindo uma plataforma marítima no valor de US$ 2 bilhões, que vai gerar US$ 4 milhões em divisas por dia, que também pode ser vulnerável a atentados. A perda dessa plataforma por sabotagem seria irreparável comenta.

Düring, Sampaio e outro estudioso de geopolítica, Luís Barnewitz, têm defendido nas Forças Armadas a necessidade de o Brasil traçar um novo planejamento militar, voltado para a defesa de objetivos estratégicos como o gasoduto, a plataforma petrolífera, refinarias, linhas de alta-tensão e os recursos minerais da Amazônia.

No caso do gasoduto, os especialistas defendem a formação de tropas de elite binacionais (brasileiro-bolivianas), treinadas para resgatar áreas tomadas por grupos extremistas.

Seriam três batalhões aerotransportados. A cooperação não é estranha ao Exército Brasileiro, que tem realizado no Rio Grande do Sul manobras conjuntas com Argentina e Uruguai, na Operação Cruzeiro do Sul.

O uso de tropas binacionais em situações concretas, porém, nunca aconteceu.

Nem o Exército brasileiro, nem o Ministério da Defesa quiseram fazer comentários sobre a vulnerabilidade do gasoduto. Fontes militares revelaram a Zero Hora que existe um plano de defesa de pontos estratégicos, mas não há tropas para guarnecer, 24 horas por dia, todos os alvos em potencial.

O serviço consiste mais em prevenir atentados por meio de um trabalho de contra-espionagem do que no uso de tropas.


(Copyright Agência RBS. Direitos reservados)

Notas Defesanet
Veja Link para texto original do Professor Sampaio http://www.defesanet.com.br/noticia/defesaeenergia.htm

Foi apresentado no boletim Defesa @ Net em Junho de 2000 http://www.defesanet.com.br/dn/20JUN00.htm

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