Caças
- qual a melhor escolha?
Rudnei
Dias da Cunha
1.
Introdução
Toda
e qualquer comparação de desempenho entre
diferentes caças, baseada apenas em informações
escritas, será, necessariamente, incompleta, pois,
na visão desse autor, apenas sessões de
teste envolvendo as aeronaves comparadas é que
permitirão aos pilotos de caça emitirem
seus pareceres.
Além
disso, com os altos custos envolvidos, atualmente, na
aquisição de aeronaves de combate (incluindo
não só a aeronave em si mas, também,
todas as peças de reposição, armas
e software), a questão de qual é o melhor
caça para um determinado país não
depende unicamente de suas capacidades. Já na década
de 1960, o famoso projetista aeronáutico britânico
Sir Sidney Camm (responsável pelo Hawker Hurricane
e Hunter, dentre outros), dizia que um caça tem
quatro dimensões: "altura, comprimento, envergadura
e... política".
Dito
isso, é possível estabelecer algumas comparações
entre alguns dos diferentes tipos de caça hoje
disponíveis no mercado, baseado apenas em dados
publicados em livros e revistas. O interesse nesse assunto
deve-se ao fato de vários países encontrarem-se
em processo de seleção de um novo caça
para equiparem suas forças aéreas, inclusive
o Brasil (Projeto F-X).
Os
caças considerados nesse artigo são: o Lockheed
Martin F-16C; o AMD Mirage 2000; o SAAB JAS-39 Gripen;
o Eurofighter EF-2000; e o Sukhoi Su-35.A seguir, descreveremos
brevemente as características de cada um deles
e, após, faremos uma comparação entre
eles.
2.
Lockheed-Martin F-16C
O
Lockheed-Martin F-16 foi o vencedor de uma competição
promovida pelo Departamento de Defesa dos E.U.A. para
a produção de um caça leve (do outro
competidor, o Northrop YF-17, surgiu o caça naval
McDonnell-Douglas F/A-18- agora Boeing). O primeiro protótipo
voou em 1975; desde então, o F-16 passou a ser
o principal caça da OTAN, equipando as forças
aéreas da Bélgica, Dinamarca, Holanda e
Noruega, além da própria U.S.A.F. De um
caça leve, para qualquer tempo, o F-16 passou a
ser um caça multifuncional, capaz de lançar
bombas guiadas a laser (bem como designar os alvos para
tais bombas), atuar como supressor de defesa aérea
e em apoio aproximado.
O
F-16 introduziu o uso de maior inclinação
no assento do piloto (30°), a fim de reduzir a carga
G imposta ao piloto em um combate aéreo moderno;
as vantagens do sistema fly-by-wire (FBW), do head-up-display
(HUD) e de um canopi com ótima visibilidade foram
confirmadas com o F-16.
O
F-16, desde as versões A (monoplace) e B (biplace),
vem passando por inúmeras modificações,
identificadas pelo bloco de produção. Os
blocos de 1, 5, 10 e 15 identificam as aeronaves das versões
A e B; os blocos 25, 30/323, 40/42, 50/52, 50D/52D e 60
correspondem a aeronaves das versões C (monoplace)
e D (biplace). A maior quantidade de F-16 produzida foi
do Bloco 15, com mais de 3.600 exemplares, incorporando
pela primeira vez dois pontos duros sob a tomada de ar
da turbina e estabilizadores horizontais maiores.
Com
o Bloco 25, os F-16C/D passaram a utilizar mísseis
beyond-visual-range (BVR) AIM-120 AMRAAM em conjunto com
o radar AN/APG-68, de maior capacidade, além do
míssil AGM-65 Maverick. No Bloco 30/32, os F-16C/D
passaram a utilizar mísseis anti-radiação
AGM-45 Shrike e AGM-88 HARM.
O
Bloco 40/42 introduziu sistemas para navegação
e ataque em condições noturnas e de baixa
visibilidade, com o uso do pod LANTIRN (produzido pela
Lockheed-Martin), bem como bombas guiadas a laser. A última
versão em uso pela U.S.A.F. é o F-16C/D
Bloco 50/52. As principais características desse
bloco é o uso do radar Northrop Grumman APG-68(V)7,
turbinas mais potentes, LANTIRN e lançador de chaff/flare
ALE-47, dentre outras. O cockpit foi equipado com telas
multifuncionais coloridas; um novo computador de bordo
foi instalado, assim como um sistema digital de terreno
e, desde 1999, os F-16C/D 50/52 podem utilizar bombas
e mísseis como o CBU-103/104/104 Wind-Corrected
Munitions Dispenser, AGM-154 Joint Stand-Off Weapon e
GBU-31/32 Joint Direct Attack Munition.
O
Bloco 50D/52D identifica os F-16C/D equipados com o AGM-88
e o AN/ASQ-213 HARM Targeting System (HTS), e são
essas aeronaves os vetores da U.S.A.F. utilizados na supressão
de defesas aéreas inimigas ou SEAD( Suppression
Enemy Air Defense).
Por
fim, o Bloco 60 corresponde a uma nova versão,
por ora encomendada apenas pelos Emirados Árabes
Unidos, o qual dispõe de um sistema de mira eletro-óptico,
um novo radar e tanques de combustível conformais4,
posicionados acima da fuselagem e que reduzem o arrasto.
Em
1979, Bélgica e Holanda iniciaram a construção
sob licença dos F-16A/B, a fim de equiparam não
só as suas próprias forças aéreas,
como também as da Dinamarca e da Noruega. Mais
de 1.000 exemplares foram construídos; 343 desses
foram recentemente atualizados com o programa mid-life
update, incorporando vários dos sistemas presentes
nas aeronaves do Bloco 50/52.
O
F-16C/D é equipado com um sistema de proteção
contra mísseis guiados por radar, o Fiber Optic
Towed Decoy, o qual consiste de um emissor de ondas eletromagnéticas.
O FOTD, preso ao F-16 por um cabo, é rebocado por
ele a uma certa distância e funciona como chamariz
para um míssil.
O
F-16C/D tem participado de várias campanhas militares,
incluindo a Guerra do Golfo e dos Bálcãs,
além das missões de policiamento sobre as
áreas de exclusão aéreas sobre o
Iraque; em todas, desempenhou-se sobremaneira, obtendo
vitórias sobre os Mikoyan-Gurevich MiG-25 e MiG-23
iraquianos e MiG-29 sérvios. Desde a sua entrada
em serviço, o F-16 derrubou 74 aeronaves inimigas,
sem nenhuma perda, o que atesta as qualidades da aeronave
e dos seus pilotos.
Mais
de 4000 exemplares foram produzidos e são utilizados
por diversas nações, como Bahrain, Bélgica,
Cingapura, Coréia do Sul, Dinamarca, Egito, Grécia,
Holanda, Indonésia, Israel, Jordânia, Marrocos,
Noruega, Paquistão, Portugal, Tailândia,
Taiwan, Turquia e Venezuela, além dos E.U.A.
3.
Dassault Aviation Mirage 2000
O
Mirage 2000 surgiu do cancelamento do Super Mirage G-8A
pelo governo francês, devido ao seu alto custo.
Em 1976, a AMD começou, por conta própria,
o desenvolvimento da aeronave que viria a ser o Mirage
2000.
Equipado
com uma turbina SNECMA M53, o Mirage 2000 incorpora um
sistema FBW que, juntamente com os computadores de bordo,
controla as superfícies móveis da aeronave.
Capaz de ser reabastecido em vôo, a principal diferença
do Mirage 2000 em relação a seus antecessores
(Mirage III/5 e F.1) está no seu sistema FBW e
nos seus aviônicos.
O primeiro
vôo do protótipo foi realizado em 10 de março
de 1978, no qual a turbina SNECMA M53-2 demonstrou sua
potência, levando a aeronave a uma velocidade de
Mach 1.3. O terceiro protótipo incorporou, em 1978,
o radar Cyrano RDM, uma evolução dos radares
Cyrano que equipam os Mirage III e F-1C.
Os
três primeiros protótipos tinham uma deriva
maior e de perfil um pouco diferente, herdada do Super
Mirage; a partir do quarto protótipo, instalou-se
uma nova deriva, menor, bem como refinou-se a junção
da fuselagem e da asa. Incorporando, ainda, modificações
no seu sistema FBW, o quarto protótipo alcançou
a velocidade de Mach 2 em seu segundo vôo.
O
uso de um sistema FBW é que permitiu que o Mirage,
com a sua asa em delta conhecida por impor limitações
nas manobras possíveis de serem efetuadas, como
por exemplo a perda de velocidade em curvas pudesse
ter um desempenho comparável ao de outros caças,
com asas de outras configurações. Além
disso, do ponto de vista aerodinâmico, foram instalados
slats nos bordos de ataque das asas, bem como pequenas
aletas, instaladas nas tomadas de ar das turbinas, as
quais aumentam a energia da camada limite sobre as asas,
retardando seu descolamento e, conseqüentemente,
aumentando a sustentação em manobras realizadas
com maiores ângulos-de-ataque (AOA-Angle of Attack).
Além
das versões monoplace, C, e biplace, B, de treinamento,
existem ainda as versões biplace D, para ataque,
e N, de ataque nuclear. O primeiro 2000C de série
era equipado com o radar RDM e com a turbina SNECMA M53-5,
e foi entregue em 1984. No ano seguinte, foi entregue
o primeiro 2000B. Dotado de 9 estações para
armas (duas sob cada asa e cinco sob a fuselagem), suas
principais armas eram os mísseis infra-vermelho
Magic 2 e semi-ativos Super 530F.
O
2000N foi proposto em 1979 pela AMD, com o fim de substituir
os Mirage IVP de ataque nuclear. Essa versão é
equipada com um radar de seguimento de terreno, indispensável
para a missão de penetração nuclear
supersônica a baixa altura. O primeiro protótipo
voou em 1983 e o primeiro exemplar de série foi
entregue em 1988. Sua principal arma é o míssil
ASMP, o qual transporta uma carga nuclear tática
de até 300KT; o uso desse míssil requer
que o 2000N seja reabastecido no ar para cumprir sua missão,
mesmo com o uso de dois tanques subalares.
A
partir dos protótipos do 2000N foi desenvolvida
a versão D, a qual é otimizada para ataque
convencional, apesar de ser capaz de realizar um ataque
nuclear se necessário, utilizando o míssil
ASMP. Várias missões de ataque podem ser
efetuadas com o 2000D, incluindo a incapacitação
de pistas, com o uso de bombas de penetração
BAP-100, antipista Matra Durandal e de fragmentação
Belouga. Além disso, o 2000D pode utilizar o míssil
AS-30L, o qual é guiado por laser até o
alvo.
Com
vistas à exportação, a AMD passou
a desenvolver versões multifuncionais do Mirage
2000. A primeira versão a ser produzida em série
foi a 2000-5, cujo primeiro protótipo voou em 1991.
Suas principais características são a incorporação
do radar RDY, com alcance aproximado de 100Km e de rastreamento
e engajamento múltiplos e o uso do míssil
BVR MATRA MICA, com alcance de 40Km. Essa versão
é tão superior aos 2000C que o Armée
de lAir (Força Aérea Francesa) converteu
37 de seus 2000C para a versão 2000-5F, incorporando
o radar RDY, mísseis MICA e novos computadores
e painéis digitais no cockpit o último
desses foi entregue no ano de 20005.
Posteriormente,
foi lançada a versão 2000-9, incorporando
modificações no sistema de navegação
e ataque e na capacidade de utilizar outros tipos de armamento,
a fim de atender às necessidades da Força
Aérea dos Emirados Árabes Unidos.
Mais
recentemente, a AMD lançou o 2000-5 Mk. 2, que
apresenta uma capacidade multifuncional ainda maior. Essa
versão incorpora suporte a operações
com night-vision goggles (NVG); um cockpit no qual a principal
característica é a ausência de equipamentos
analógicos (com exceção de um horizonte
artificial); um sistema de acompanhamento digital do terreno,
o qual acopla as informações georeferenciadas
do área de sobrevôo ao piloto automático;
um flight-control system (FCS) que impede que o piloto
realize manobras que poriam em risco a segurança
da aeronave; um data link para troca de informações
táticas de forma silenciosa; um sistema de contra-medidas
eletrônicas, além dos hoje onipresentes lançadores
de chaff/flare; e capacidade de utilizar um designador
laser. O 2000-5 Mk. 2 não oferece um sistema eletro-óptico,
sob o argumento de que o uso dos mísseis MICA em
sua versão infra-vermelho, em conjunto com o seus
computadores de bordo, dispensa o uso de tal sistema.
O
Mirage 2000 já participou de vários conflitos,
incluindo a Guerra do Golfo e dos Bálcãs.
No conflito do Kosovo, ficou demonstrada a alta operacionalidade
da aeronave, próximo aos 100%; também a
Força Aérea Indiana reportou a excelente
capacidade da aeronave em missões ar-solo contra
alvos no noroeste da Índia, contra os rebeldes
cachemires.
Aproximadamente
500 exemplares foram vendidos, incluindo-se aqueles operados
pelo Armée de lAir (109 2000C, 26 2000B,
29 2000D e 72 2000N); outros países operadores
são Egito, França, Grécia, Índia,
Peru, Qatar, Taiwan e Emirados Árabes Unidos.
4.
SAAB JAS39 Gripen
O
SAAB JAS39 Gripen foi projetado e construído inteiramente
pela Suécia, uma nação que tem se
caracterizado por ter uma indústria de defesa própria
e ativa. Ao desenvolver sozinha suas aeronaves de combate,
a Suécia pode garantir que terá aquilo de
que precisa, ao contrário de programas multinacionais
nos quais há requisitos conflitantes por parte
das nações participantes haja visto
o programa Tornado e, mais recentemente, o Eurofighter.
Nesse
contexto, o Gripen surgiu como um caça multifuncional
capaz de substituir os SAAB 35 Draken e 37 Viggen (AJS/SH/SF).
Tendo voado pela primeira vez em 1988, é uma aeronave
extremamente leve, porém capaz de carregar quase
que a mesma carga de armas de um F-16 ou de um Mirage
2000.
Sendo
uma aeronave aerodinamicamente instável, com asa
em delta, dotada de canards, o Gripen é controlado,
necessariamente, por computadores de bordo, os quais realizam
as necessárias correções nas superfícies
móveis. De concepção moderna, o primeiro
protótipo do Gripen JAS39A acidentou-se em 1989
por falha no sistema de controle de vôo; essa foi
a primeira demonstração da necessidade de
se testar exaustivamente o FCS de aeronaves instáveis
(nota 6).
O
Gripen incorpora um canhão Mauser BK27 de 27mm,
instalado sob a fuselagem, do lado esquerdo. Outras armas
que são utilizadas pela Força Aérea
Sueca são os mísseis ar-ar Rb 74 e Rb 99,
designações locais dos AIM-9P Sidewinder
e AIM-120 AMRAAM norte-americanos, assim como o RB 75
(AGM-65 Maverick) para ataque ao solo e o SAAB RBS 15
para ataque anti-navio.
A
fim de se inserir no sistema de defesa sueco (STRIL 60,
proposto na década de 60), o Gripen tem uma impressionante
capacidade short-take-off, podendo operar a partir de
rodovias e pistas mal-preparadas. Nesse contexto, o Gripen
apresenta três características importantes:
a) fácil manutenção, dispondo de
sistema BITE e de LRUs, já que as forças
armadas suecas são compostas, basicamente, por
conscritos os quais permanecem pouco tempo em serviço
militar ativo e não tem, portanto, condições
de receberem treinamento mais específico de manutenção;
b) tempo para repor a aeronave em condições
de combate: 10 minutos para missões ar-ar e 20
para missões ar-terra; c) dispõe de uma
unidade auxiliar de força, para permitir operações
fora de base.
Do
ponto de vista de aviônica, o Gripen dispõe
de um radar multi-modo pulso-Doppler Ericsson PS05/A,
com look-down/shoot-down. O radar pode trabalhar em quatro
modos ar-ar diferentes: a) track-while-search, rastreia
e engaja múltiplos alvos aéreos; b) priority-target-tracking,
maior precisão para alvos engajados, enquanto ainda
rastreia outros alvos; c) single-target-tracking, modo
ar-ar para uso do canhão, por exemplo e d) air-combat-mode,
para detecção automática de alvos
aéreos em combate. Em modo ar-terra, alvos tão
pequenos quanto um automóvel podem ser rastreados
a distâncias próximas de 100Km.
Além
disso, com o Tactical Information Data Link System
TIDLS, o Gripen é capaz de transmitir e receber
informações táticas de forma furtiva
(por exemplo, de uma aeronave AEW), através de
um enlace seguro. Isso permite que ele possa ser vetorado
para alvos de forma silenciosa ou, ainda, que sirva como
uma aeronave mini-AEW, vetorando outros Gripen. Outro
componente é um sistema eletro-óptico, o
qual é utilizado não só para o combate
como também para fins de reconhecimento.
No
cockpit, o piloto do Gripen dispõe de três
telas digitais multifuncionais, além de um HUD
de grande amplitude. As informações obtidas
pelos seus sensores ou por meio do TIDLS são processadas
por um computador Ericsson/Saab EP-17, e exibidas de forma
adequada. O controle da aeronave é feita com o
sistema HOTAS (hands on throttle and stick).
O
grupo motopropulsor consiste de uma turbina Volvo Aero
RM12, baseada na turbina GE F404. A Volvo fez certas modificações
no projeto original da F404 as quais, de tão bem-sucedidas,
foram incorporadas pela GE em versões subseqüentes,
por ela produzidas.
Em
1982, foi assinado o primeiro contrato, para os cinco
protótipos e mais 30 aeronaves JAS39A (monoplace).
No verão de 1992, um segundo lote de aeronaves
foi adquirido, dessa vez contemplando 96 JAS39A e 14 JAS39B.
Um
segundo Gripen acidentou-se em agosto de 1993, mais uma
vez devido a falhas no FCS, o qual dessa vez demonstrou-se
incapaz de manter a aeronave em vôo apesar das correções
excessivas aplicadas pelo piloto (PIO, pilot-induced oscillations).
Isso foi corrigido com modificações efetuadas
no FCS, além de se introduzir um novo manche, reposicionado.
Em
1995, a Saab associou-se à British Aerospace para,
juntas, produzirem e comercializarem o Gripen no mercado
exterior. Dessa associação, resultou também
melhorias na aeronave, com o lançamento da versão
JAS39C (JAS39D biplace), a qual tem alguns de seus sistemas
modificados para o padrão OTAN, além de
contemplar o uso de outros mísseis (como, por exemplo,
os Darter sul-africanos), de um sistema OBOGS (on-board
oxigen generation system) e de uma sonda retrátil
de reabastecimento aéreo. Outras modificações
futuras incluem o uso de tanques de combustível
conformais.
Em
junho de 1997, um terceiro lote foi adquirido pela Suécia,
incluindo 50 JAS39A e 14 JAS39B, totalizando 204 aeronaves
adquiridas pela Suécia, das quais o último
lote deverá ser produzido entre 2002 e 2007. A
África do Sul, Hungria e República Tcheca
selecionaram-no como seu novo caça, em substituição
aos Mirage F.1 sul-africanos e aos MiG-29 húngaros
e tchecos.
5.
Eurofighter EF-2000 Typhoon
O
Eurofighter EF-2000 é um caça multifuncional,
construído por um consórcio de quatro nações
Alemanha, Espanha, Itália e Reino Unido.
O consórcio foi estabelecido em 1986, com a finalidade
de substituir os caças Phantom F-4F, Mirage F.1,
Starfighter F-104S e Tornado F.3, em serviço naqueles
países, respectivamente.
O
EF-2000 tem suas origens em estudos realizados independentemente
pela Alemanha (Taktisches Kampfflugzeug 1990, TKF-90)
e Reino Unido (Air Staff Target 403). Os projetos da Messerschmitt-Bolkow-Blöhm
(MBB) e da British Aerospace (BAe) foram unificados em
meados de 1982 com a denominação Agile Combat
Aircraft (ACA), com a participação da italiana
Aeritalia (AIT) as três principais fabricantes
do caça Tornado. A França, apesar de ter
participado de discussões iniciais com a Alemanha
e Grã-Bretanha, lançou seu próprio
projeto, o Avion de Combate Experimentale (ACX).
O
ACA era bastante próximo do projeto P.110 da BAe
e incorporava uma asa em duplo-delta e estabilizadores
verticais duplos, com tomada de ar situada abaixo do nariz
da fuselagem, onde se situava o cockpit, ladeado por dois
canards. A partir dessa configuração, foi
decidido construir-se dois demonstradores, denominados
de Experimental Aircraft Project (EAP), um na Alemanha
e outro no Reino Unido. Antes de se iniciar a construção,
a MBB abandonou o projeto, por pressão do governo
alemão, o qual ainda esperava construir uma aeronave
baseada no projeto TKF-90.
Dessa
forma, apenas um EAP foi construído, por decisão
da BAe e com a participação da AIT, utilizando-se
vários componentes do Tornado, como as turbinas
RB-199 e a porção traseira da fuselagem,
incluindo o estabilizador vertical (que, no EAP, era único,
diferindo da proposta do ACA). O EAP voou em 8 de agosto
de 1986 e incorporava não só um sistema
FBW, testado no SEPECAT Jaguar ACT (active control technology),
como várias outras tecnologias, como o direct voice
input (DVI) e o uso de materiais compostos em grandes
extensões da fuselagem. O EAP foi um sucesso, tendo
realizado 259 vôos.
A
persistência britânica em se construir o EAP
pode ser apontada como a principal razão para que
o projeto EFA European Fighter Aircraft fosse lançado
em 1983, com a participação de cinco países
Alemanha, Espanha, França, Itália
e Reino Unido. Logo após, a França impôs
condições inaceitáveis, como a liderança
no desenvolvimento da aeronave; 50% de participação
na produção; e construção
e teste dos protótipos na França. Além
disso, das duas configurações apresentadas
para o EFA, preferia aquela baseada em seu próprio
ACX. Com isso, em 1983, Alemanha, Itália e Reino
Unido firmaram o acordo de Turin, com base em configuração
similar ao EAP; a Espanha decidiu permanecer no projeto
dois anos após. A França optou pelo seu
projeto, do qual nasceu o AMD Rafale.
O
projeto quase foi vítima do fim da Guerra Fria;
com a queda do Muro de Berlim, o governo alemão
optou por deixar o programa, por volta de 1992. Devido
às cláusulas contratuais, que previam pesadas
multas no caso de abandono, bem como à possibilidade
de perda de empregos na Alemanha já sofrendo
os efeitos da reunificação o programa
seguiu em frente, sendo redenominado EF-2000, com a Alemanha
insistindo na remoção de vários sistemas,
a fim de barateá-lo.
Devido
a esse problema e outros, derivados das dificuldades inerentes
a um programa multinacional, bem como falhas de gerenciamento
(como no caso do software de controle de vôo), o
vôo do primeiro protótipo ocorreu com dois
anos de atraso, tendo sido realizado em 1994.
Uma
aeronave dotada de uma asa em delta, o EF-2000 foi projetado
para a missão de dominação aérea,
com a capacidade de efetuar curvas de alto desempenho,
a altas velocidades de giro. Isso exige uma aeronave aerodinamicamente
instável, com alta relação potência/peso
e baixa carga alar. O EF-2000 incorpora canards, situados
à altura do cockpit, no qual por sua vez o piloto
com ótima visibilidade dispõe
de avançados painéis multifuncionais e de
um sistema de controle da aeronave acionado pela sua voz
(direct voice input). Apesar do EF-2000 em nada se parecer
com aeronaves como o F-117 e B-2 norte-americanos, o conceito
de stealthiness foi incorporado no projeto desde o seu
início, com especial cuidado sendo dado às
superfícies internas da tomada de ar das turbinas,
a qual esconde as faces dos compressores das mesmas (uma
das principais fontes de eco nos radares), minimizando
a assinatura-radar do EF-2000.
Utilizando
duas turbinas Eurojet EJ2000, o EF-2000 pode desempenhar
ainda as missões de interdição aérea,
apoio aéreo aproximado, supressão de defesas
aéreas inimigas e ataque marítimo.
O
EF-2000 é dotado de um radar ECR90 com um alcance
de 80Km e de um sistema de busca e rastreamento infra-vermelho
(PIRATE, passive infra-red airborne tracking equipment),
o qual permite controlar seu armamento (mísseis
ar-ar e canhão), além de um avançado
sistema de auto-defesa (defensive aids sub-system, DASS)
e de CME. O DASS consiste de um chamariz rebocado, preso
à ponta da asa direita, o qual emite ondas eletromagnéticas
capazes de confundir um míssil guiado por radar;
além disso, o sistema de lançamento de chaff
é automecânico, o qual corta as fitas metalizadas
no comprimento necessário a interferir no radar
inimigo, conforme detectado pelo sistema de defesa do
EF-2000.
Uma
outra característica do EF-2000 a qual não
foi planejada é a de supercruise, isso é,
capaz de voar a velocidade supersônica sem o uso
de pós-combustores, por um longo período.
Os protótipos do EF-2000 demonstraram que, após
cancelar o uso do pós-combustor, voando a Mach
1.4, o EF-2000 desacelera até Mach 1.1, mantendo
essa velocidade após, sem necessitar do pós-combustor.
Em
2 de setembro de 1998, foi anunciado o nome de exportação
Typhoon para o EF-2000. Os primeiros exemplares de produção
deverão ser entregues em 2002, sendo 232 para o
Reino Unido, 180 para a Alemanha, 121 para a Itália
e 87 para a Espanha.
6.
Sukhoi Su-35
O
Sukhoi Su-35 é um caça multitarefa desenvolvido
pelo OKB Sukhoi a partir da versão básica
do Su-27 (código OTAN Flanker). Nele, foram instalados
canards (como nas versões Su-30MK/MKI e Su-33);
novas turbinas, mais potentes; novos aviônicos,
instrumentos de bordo digitais e radares (inclusive um
direcionado para trás); sonda de reabastecimento;
estabilizadores verticais de maiores dimensões,
incorporando tanques de combustível; e doze estações
para armamentos.
O
protótipo T10M foi modificado com a adição
de canards, a fim de aumentar a manobrabilidade da aeronaves
quando voando a um grande AOA (aproximadamente 120°).
Os canards foram instalados nas extensões da raiz
do bordo de ataque das asas (LERXes), as quais, nas versões
anteriores da aeronave, já permitiam a realização
de manobras bastante arrojadas como, por exemplo, a "cobra"
demonstrada pelo piloto de provas do OKB Sukhoi, Viktor
Pugachev.
Já
os canards, por sua vez, fazem com que a camada limite
do ar sobre as asas e stabilators (na cauda) demore mais
a se separar; com isso, a sustentação é
aumentada e o buffeting o qual surge em atitudes
de grande AOA é minimizado, o que aumenta
o controle da aeronave, permitindo, inclusive, o uso do
canhão interno em um dogfight.
Os
canards são controlados pelos computadores de bordo
e podem ser posicionados em um ângulo de 50°
a +10° (relativo ao eixo longitudinal da aeronave).
Na prática, os canards agem como se fossem slats,
aumentando a sustentação e reduzindo a flexão
das asas; além disso, permitem que se realize uma
manobra a +10G sem necessitar de um reforço estrutural
da fuselagem.
Comparado
com o T10S (protótipo do Su-27), o T10M tem uma
instabilidade estática três a cinco vezes
maior; os canards, ao se movimentarem automaticamente
durante o vôo, contribuem para a redução
do buffeting da aeronave, proporcionando um vôo
mais suave e, principalmente, uma plataforma mais estável
para o lançamento de armas.
Com
a família de aeronaves Flanker, pela primeira vez
ficou demonstrado em aeronaves em produção
que a maior agilidade e controle, proporcionada
por uma alta relação empuxo/peso, permite
que se realizem manobras de combate diferentes das utilizada
até hoje, desde que o combate aéreo nasceu,
quase 80 anos atrás.
As
manobras "cobra"( snake) e tailslide, demonstradas
em shows aéreos pelos pilotos russos, não
são unicamente para fins aerobáticos;7 elas
permitem, no primeiro caso, que um piloto de Flanker levante
o nariz da aeronave e a gire 120°, posicionando-a
de tal forma que os seus sensores radar e infra-vermelho
adquiram o seu perseguidor e disparem automaticamente
os mísseis. Já a tailslide, a qual consiste
em uma brusca desaceleração, pode permitir
a um Flanker que, de presa, passe a caçador; o
inimigo irá ultrapassá-lo e colocar-se em
posição de fácil aquisição
pelos sensores do Flanker.
As
turbinas instaladas no T10M foram as Lyulka AL-31FM, capazes
de produzir 12.800Kgf com pós-combustor a pleno.
Além
dos novos estabilizadores verticais, maiores e dotados
de tanques de combustível integrais, o T10M teve
instalada uma sonda de reabastecimento aéreo retrátil.
Mesmo sem qualquer reabastecimento aéreo, o Su-35
tem um raio de ação (a alta altitude) de
4.000Km; se realizar um reabastecimento em vôo,
seu raio de ação passa a ser de 6.500Km.
Ao nível do mar, seu raio de ação
é de aproximadamente 1.300Km.
Em
termos de aviônicos, o T10M dispunha de um sistema
digital de controle de armas (possivelmente o RLPK-27M);
com esse sistema, o OKB Sukhoi diz ser possível
detectar alvos aéreos com pequena assinatura-radar
(como, por exemplo, aeronaves stealth e mísseis
cruise). Esse sistema é centrado no radar de controle
de tiro NHR Phazotron N-011 Zhuk-27; esse radar é
do tipo pulso-Doppler coerente, capaz de rastrear 15 alvos
simultaneamente, enquanto guia mísseis ar-ar (MAA)
a 6 daqueles. O N-011 é um radar dotado de uma
antena plana, com varredura mista (mecânica no azimute
e eletrônica em elevação), com raio
de varredura de 180° em ambas direções.
O N-011 pode detectar um alvo com uma radar cross-section
(RCS) de 3m² a uma distância entre 80Km e 100Km;
é capaz, ainda, de detectar alvos terrestres em
movimento e tem a capacidade de mapear o solo. Por outro
lado, o N-011 é mais pesado e de maiores dimensões
do que o radar N-001 instalado originalmente no Su-27,
exigindo um nariz de perfil diferente e um trem de pouso
dianteiro reforçado, com duas rodas.
O
detector infra-vermelho instalado (IRST) no T10M difere
dos demais, apresentando um campo de visão de 120°
em azimute e de 12°/+60° em elevação.
Em
termos de armamento, o T10M é equipado com um canhão
GSh-301 de 30mm, com 150 granadas. Dispondo de 12 estações,
sendo duas nas pontas das asas, 6 embaixo delas, uma embaixo
de cada turbina e duas na fuselagem, entre as turbinas,
o T10M pode transportar até 8.000Kg de carga útil.
Para missões de superioridade aérea, são
utilizados os mísseis Vympel R-73E (curto alcance/passivo/infravermelho),
R-27R1 e R-27RE1 (médio alcance/semi-ativo/radar),
R-27T1 e R-27TE1 ( médio alcance / passivo / infravermelho)
e o R-77/RVV-AE (médio alcance / ativo / radar).
Em missões de ataque, pode-se equipar o T10M com
mísseis guiados por radar e TV Kh-29T/Kh-29L; mísseis
cruise Kh-59M; mísseis anti-navio Kh-31A; bombas
planadoras (guiadas por laser refletido) KAB-500KR/KAB-1500L;
e uma variedade de bombas de queda-livre, napalm e do
tipo cluster. Mais de 70 possíveis combinações
de mísseis e bombas podem ser utilizadas.
O
T10M apresentou, também, a automação
de todos os modos de vôo, incluindo a capacidade
de voar em um perfil segundo o relevo do solo. Outras
características importantes são, a saber:
suíte de CME; equipamentos de bordo resistentes
a CME; monitoramento em vôo dos equipamentos de
bordo (built-in test equipment, BITE), inclusive de line-replaceable
units, LRUs; um emissor laser para guiar bombas planadoras;
e um capacete equipado com mira, conectado ao sistema
de controle de armas.
Em
caso de alguma pane num dos sistemas de bordo, o piloto
é avisado através de um sistema de alerta
da tripulação, por voz, e o BITE registra
em um gravador de dados de vôo as informações
necessárias. O sistema permite que o piloto em
treinamento seja monitorado, pela inspeção
dos parâmetros de vôo registrados; além
disso, a manutenção da aeronave é
simplificada, pela indicação imediata dos
sistemas em pane, através do uso de LRUs.
O
assento ejetável, K-36DM, é um dos mais
avançados do mundo, dispondo de sistemas estabilizadores
para garantir a sobrevivência do piloto; ele pode
ser acionado, inclusive, pelos sistemas de bordo, caso
a aeronave encontre-se em atitude irrecuperável,
próxima ao solo, como demonstrado em um acidente
envolvendo um Flanker no show aéreo de Le Bourget
( França ), em 1999. O assento é posicionado
a 30° (assim como no F-16), a fim de reduzir a carga
G imposta ao piloto.
Foram
construídos dez protótipos T10M-1
a T10M-10 pela empresa Konsomolsk-on-Amur Aircraft
Production Association (KnAAPO). O primeiro vôo,
com o T10M-1, ocorreu em 28 de junho de 1988. O novo caça
foi designado inicialmente como Su-27M mas, em 1992, o
T10M-3 foi exibido no show aéreo de Farnborough
sob a nova designação Su-35. Três
exemplares do Su-35 foram entregues à Força
Aérea Russa em 1996. Em 1998, foi lançado
a versão biplace Su-35UB, a qual pode ser utilizada
operacionalmente em missões de combate. Nenhum
exemplar do Su-35 foi vendido até hoje.
7.
Comparações entre os caças
As
tabelas 1 e 2 apresentam as características técnicas
e os sistemas de armas das aeronaves, respectivamente.
O F-16C e o Mirage 2000-5 são os representantes
da 3ª geração de caças, projetados
na década de 70 e sucessivamente melhorados ao
longo dos anos. Já o Gripen é uma aeronave
em sua própria classe: de projeto recente, equipado
com aviônicos de última geração,
não apresenta a mesma potência dos demais
caças modernos. Esses são tipificados pelos
Su-35 e EF-2000, os quais apresentam grande quantidade
de armamento, relação potência/peso
de combate superior a 1, radares de longo alcance e sistemas
de auto-defesa.
Considerando
a taxa de giro estável, o Su-35 ganha dos demais;
na taxa de giro instável, perde apenas para o Gripen.
Comparando o Su-35 com o EF-2000, pode-se ver que a relação
potência/peso de combate favorece o EF-2000; o Su-35
tem uma maior relação potência/área
da seção média, e isso indica que
ele tem uma maior capacidade de aceleração
supersônica instantânea.
Tanto
o Mirage 2000-5 quando o EF-2000 apresentam asas em delta
(apesar do EF-2000 ter canards). Em princípio,
isso favorece a realização de giros instáveis;
porém, o Mirage 2000-5 apresenta taxas menores,
devido à baixa potência de seu motor.
Outra
característica importante é o alcance sem
tanques externos. O Su-35 não transporta tanques
externos, carregando todo o seu combustível internamente.
Numa configuração ar-ar, ele pode transportar
uma combinação de 4xR-77, 2xR-27ER, 2xR-27ET
e 4xR-73 a uma distância de aproximadamente 3.500Km,
com um raio de combate de 1.100Km; o EF-2000, equipado
com 4xAIM-120, 2xAIM-9L, sem tanques externos, tem um
raio de combate de 1.000Km. O Mirage 2000-5, com 4xMICA
e 2xR550, sem tanques de combustível externos,
tem um alcance máximo de aproximadamente 1.500Km
e um raio de combate inferior a 500Km; já um F-16C
50/52, com 4xAIM-120 e 2xAIM-9L, apresenta um alcance
máximo de aproximadamente 1.500Km e um raio de
combate de aproximadamente 600Km.
Pode-se
argumentar que esses alcances e raios de combate do Mirage
2000-5, EF-2000 e F-16C 50/52 são irreais, pois
com a capacidade de reabastecimento em vôo (REVO),
eles podem ser consideravelmente aumentados; porém,
o mesmo pode ser dito do Su-35, pois com apenas um REVO,
o alcance máximo passa a ser superior a 5.500Km
e o raio de combate superior a 1.600Km. Além disso,
deve-se levar em consideração que aeronaves
tanques são alvos prioritários para um inimigo
(bem como aeronaves AEW); portanto, ter a capacidade de
dispensar tal uso, se necessário, é uma
vantagem.
É
importante ressaltar que apenas o Su-35 e o EF-2000, dentre
esses considerados, apresentam um grupo motopropulsor
com duas turbinas. Essa característica é
importante para países de dimensões continentais
e com uma grande costa marítima, onde a pane em
uma das turbinas não implicará na perda
da aeronave e, possivelmente, de seu tripulante. Por outro
lado, o uso de duas turbinas aumenta o custo operacional
da aeronave.
No
tocante ao sistema de armas, pode-se mais uma vez salientar
a capacidade do Su-35, capaz de carregar mais mísseis/bombas
do que os demais. Mais ainda, seu radar apresenta uma
capacidade maior de rastreamento e controle, apesar de
não ser tão moderno quanto o ECR-90 do EF-2000.
Das aeronaves aqui consideradas, tanto o EF-2000 quanto
o Su-35 dispõem de um sistema eletro-óptico
capaz de controlar mísseis ar-ar e canhão,
o que aumenta ainda mais as chances de ataque furtivo.
Deve-se
levar em consideração, também, o
alcance de detecção do radar N-011 do Su-35.
Combinado com o uso do MAA R-77, com alcance de 80Km e
de guiagem autônoma, é possível detectar
e engajar um F-16C 50/52 muito antes do mesmo detectar
o Su-35 em seus radares.
Considerando-se
agora a operação das aeronaves, enquanto
no solo, esse autor acredita que, pela capacidade interna
de combustível do Su-35, essa aeronave deve apresentar
um tempo de reaparelhamento superior ao das demais aeronaves,
apesar de não ter acesso a dados que o confirmem.
As próprias dimensões do Su-35 exigem hangares
e/ou hangaretes maiores; por outro lado, uma aeronave
com tamanha capacidade merece ser dispersa em torno do
aerodrómo, minimizando as chances de serem destruídas
por um único atacante, se forem mantidas lado a
lado. O Gripen, nesse caso, estaria no outro extremo do
espectro, dadas as suas pequenas dimensões, principalmente
em altura, o que facilitaria, inclusive, sua camuflagem
no solo.
8.
Considerações Finais
Como
ressaltado anteriormente, a seleção de uma
aeronave depende de outros fatores, principalmente econômicos.
Os valores aproximados apresentados na tabela 1 não
refletem necessariamente o valor unitário de cada
aeronave em uma oferta real. Além disso, é
comum8 que transações desse tipo envolvam
o offset econômico, isto é, todo ou parte
do montante gasto por uma nação deve ser
reinvestido nela, por parte de empresas do país
vendedor da aeronave. Em termos de aeronaves militares,
o contrato no valor de 3,4 bilhões de dólares
para a venda de 64 caças McDonnell-Douglas F/A-18C/D
para a Finlândia, no final do século passado,
teve a totalidade9 de seu valor reinvestido naquele país,
por força de cláusulas contratuais. Dessa
forma, é claro que um dos itens que pesará
em qualquer decisão será a capacidade do
fabricante de garantir o offset.
Outro
fator que deve pesar na compra é a capacidade do
fabricante vender um pacote completo, que inclua itens
sensíveis para venda como o armamento afinal,
de nada vale um caça super-moderno se não
se dispõe das armas pois, afinal, ele ainda é
um vetor de projéteis, mísseis e bombas.
É claro que uma aeronave pode ser equipada com
outros mísseis, produzidos localmente (como África
do Sul10 e Brasil) ou ainda em um terceiro país
(como Israel).
Uma
das críticas feitas às aeronaves de origem
ex-soviética é quanto à durabilidade
das mesmas e de seus componentes, principalmente as turbinas.
É verdade que, durante a Guerra Fria, a política
soviética era de construir rapidamente aeronaves
robustas, em grande número, porém de curta
duração de vida (p.ex., 600h)11. Porém,
com o esfacelamento da União Soviética,
a necessidade de buscar divisas no mercado internacional
com a venda de sistemas de armas avançados fez
com que se aumentasse consideravelmente a duração
de vida desses sistemas, tornando-os comparáveis
aos sistemas ocidentais (p.ex., 2.000h de vida para uma
turbina, com as devidas revisões feitas).
Além
disso, aeronaves como o Su-35 e o MiG-29 são extremamente
robustas, capazes de operar em terrenos semi-preparados
(por exemplo, as entradas de ar são dotadas de
grades de proteção contra ingestão
de objetos estranhos, no MiG-29SMT), diferente das aeronaves
ocidentais aqui citadas.
Os
dados técnicos aqui apresentados nos levam a favorecer
o Su-35 e o EF-2000 na escolha de um caça na atualidade.
Ambos apresentam capacidades similares, tanto em desempenho
como em aviônica. O Su-35 é favorecido em
seu alcance e raio de combate e no tocante aos mísseis
ar-ar, os quais são equivalentes ou superiores
àqueles atualmente disponíveis para uso
no EF-2000.
9.
Notas
1.
O autor não tem qualquer ligação
com os fabricantes das aeronaves aqui apresentadas. As
opiniões aqui apresentadas são de responsabilidade
do autor. Os dados apresentados foram coletados de livros
e revistas, conforme listados ao fim do artigo. Rudnei@rudnei.cunha.nom.br
NOTA
DEFESANET: O Professor Rudnei é um dos mais capazes
historiadores da FAB. Tem dois sites de cunho histórico
: História da Força Aérea Brasileira
http://www.rudnei.cunha.nom.br
2.
Outras aeronaves, como o MiG-29SMT e o Boeing F/A-18E
Super Hornet não foram incluídos devido
ao autor não ter dados técnicos suficientes
sobre os mesmos.
3.
A partir do bloco 30, a terminação em "0"
refere-se aos F-16C/D equipados com turbina General Electric
e em "2" àqueles equipados com turbina
Pratt&Whitney.
4.
Os tanques conformais foram primeiramente utilizados nos
F-15E Strike Eagle.
5.
Um acidente semelhante ocorreu com um dos protótipos
do F-22 Raptor norte-americano, também causado
pela incapacidade do computador de corrigir a arfagem
da aeronave quando da aproximação final.
6.
Quando foram primeiramente demonstradas, observadores
ocidentais procuraram desmerecê-las, dizendo serem
de pouco uso em combate; porém, tais manobras já
vinham sendo estudadas pela NASA com a aeronave X-31 (E.U.A./Alemanha)
de empuxo vetorado, a qual demonstrou sua viabilidade
em combates aéreos simulados com aeronaves da U.S.A.F.
7.
Na década de 1970, o governo da então Iugoslávia
adquiriu uma frota de jatos comerciais McDonnell-Douglas
DC-9. Em contrapartida, o fabricante fez com que fosse
adquirida carne enlatada iugoslava para o mercado norte-americano;
a própria McDonnell-Douglas adquiriu presunto iugoslavo
para servir nos restaurantes da empresa.
8.
Desse valor, 60% foi garantido pelo fabricante (o qual
teve de localizar empresas norte-americanas dispostas
a comprar produtos finlandeses); o restante foi garantido
pelas companhias envolvidas na construção
da aeronave (General Electric, Northrop Grumman e Hughes).
9.
Os 24 Gripen adquiridos pela África do Sul serão
equipados com os mísseis Darter produzidos localmente
pela Denel
10.
Essa política foi influenciada, em parte, pela
impressão causada pelo enorme caudal de equipamento
entregue pelos norte-americanos aos soviéticos
durante a IIª Guerra Mundial, através do sistema
lend-lease. Aeronaves avariadas que poderiam ser reparadas
eram, muitas vezes, abandonadas e substituídas
por outras, novas.
10.
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