China
Revisa a Arte da Guerra(*)
"Guerra
Assimétrica" - terrorismo, hackers, sabotagem
econômica, assassinato de cidadãos americanos
- é a
Estratégia Militar Chinesa para derrotar os Estados
Unidos.
Michael Waller
Devem
os financistas que prejudicam as "red-chip"
serem assassinados? O Exército de Libertação
do Povo da China, ou PLA ( People Liberation Army ), está
discutindo o conceito. Deve Beijing (Pequim) financiar
secretamente fundos políticos para influenciarem
as atitudes do Estados Unidos? Um novo livro do PLA, abertamente
discute estas questões. Frente a uma necessidade
de corrida de armamentos nucleares e até convencionais
high-tech para alcançar uma paridade com os Estados
Unidos e Rússia, membros de um seleto grupo de
coronéis, que estão cotados para serem os
líderes de amanhã, estão traçando
uma forma de guerra outra que a nuclear, uma nova e mais
discreta forma de guerra.
O
livro, titulado Unrestricted Warfare, é parte de
um esforço do PLA para desenvolver meios de contrapor
aos Estados Unidos através da "assimetria"
-- não tentando desenvolver contra o poder dos
Estados Unidos míssil por míssil, mas voltar
contra os adversários da China o poder deles mesmos,
como a técnica do judô, em derrotar um inimigo
mais forte: "Entender e empregar o princípio
da assimetria corretamente permite explorar os pontos
fracos do inimigo," os Coronéis. Qiao Liang
e Wang Xiangsui escreveram em seu livro de 1999. Eles
dizem que a idéia do livro surgiu durante a Crise
do Estreito de Taiwan em 1996 quando Beijing sentiu-se
impotente, quando dois Porta-Aviões e suas Forças
Tarefas fizeram uma demonstração de força
na região. Insight Magazine obteve uma tradução
do livro feita pela CIA.
Unrestricted
Warfare, de acordo com um comentário da CIA, "propõe
táticas e estratégias para países
em desenvolvimento, em particular a China, de forma a
compensar sua capacidade militar inferior, vis-à-vis
com os Estados Unidos em uma guerra de alta tecnologia."
Então, "Hacking Websites, atingir instituições
financeiras, terrorismo, usar a mídia e conduzir
guerra urbana estão entre os métodos propostos."
Em um entrevista para o Jornal da Juventude do Partido
Comunista Chinês, o Coronel Qiao, 44 anos, disse,
"A primeira regra do" Unrestricted Warfare"
é que não há regras, nada é
proibido."
O
livro chama a atenção que a infra-estrutura
para tal combate deverá ser preparada e posta para
uma possível confrontação bem antes.
"Deste ponto em diante, a guerra não será
mais como antes," os coronéis escrevem, mas
ela será irreconhecível pois será
travada no coração da sociedade americana.
"pode um simples ataque de hacker contar como um
ato hostil ou não? Pode o uso de instrumentos financeiros
para destruir a economia de um país ser vista como
uma batalha? Pode a transmissão da rede CNN, de
um corpo de um soldado americano nas ruas de Mogadiscio,
que chocou a determinação dos americanos
de agirem como polícia do mundo, e portanto alterou
a situação estratégica ?"
Os
coronéis lançaram o fundamento desse conceito
de guerra com o apoio do comando militar chinês
e do Partido Comunista. "O PLA tem colocado especial
ênfase na modernização de suas capacidades
de info-war ( infoguerra ), como dita a dominação
na informação que tem ênfase no livro
clássico A Arte da Guerra de Sun Tzu," conforme
Al Santoli, editor do the China Reform Monitor bulletin.
"A racionalização para este conceito,
está articulado em Unrestricted Warfare. "O
PLA decidiu que ele não pode competir com os Estados
Unidos em armamentos convencionais. Em compensação
está enfatizando o desenvolvimento de novas tecnologias
e informações para cyberwar e vírus
para neutralizar ou desgastar as forças políticas,
econômicas, sociais e informação militar
e sua infra-estrutura de comando e controle" explica
Santoli.
Muito
do debate é aberto. O PLA está encorajando
oficiais a pensarem mais sobre Unrestricted Warfare e
Information Warfare em particular. No ano passado (!998
) também foi publicado um livro na mesma linha,
Introduction to Information Warfare, "como parte
de seu esforço de operações combinadas
para combater futuras guerras. O livro foi aprovado pelo
estado Maior do PLA e a poderosa Comissão Militar
Central," e foi leitura recomendada pelo jornal Jiefangjun
Bao do PLA.
Os
autores do PLA são explícitos no Unrestricted
Warfare, argüindo que a China pode contrapor aos
sensores de alta tecnologia, contramedidas eletrônicas
e armamentos sofisticados dos americanos empregando métodos
totalmente diferentes. "Se o lado atacante [i.e.,
China] secretamente acumula grandes reservas de capital
sem a nação inimiga perceber e lança
um bote contra seus mercados financeiros, "eles escrevem,
"então após causar uma crise financeira,
lance um vírus de computador e um destacamento
de hackers contra o sistema de computadores do oponente.
Ao mesmo tempo lance um ataque à rede de distribuição
de energia e os centros de tráfego, centros financeiros,
rede de telecomunicações e a rede de imprensa
estarão completamente paralisados , isto levará
a nação inimiga ao pânico social ,
tumultos nas ruas e crise social"
Ou
assim o PLA espera que aconteça. Unrestricted Warfare
chama para ampliar a idéia de armamentos a cada
setor da vida política, econômica, social
e vida cultural nos países ocidentais. A elegante
tradução da CIA revela uma argumentação
muito bem desenvolvida e um profundo conhecimento do sistema
militar dos Estados Unidos, a vida política e o
sistema econômico assim como a cultura popular americana.
Unrestricted
Warfare, escrevem os coronéis do PLA, "significa
que todos os meios estarão em prontidão,
que todos a informação estará onipresente
e o campo de batalha será em todo o lugar. Significa
que todas as armas e tecnologia serão superpostas,
as fronteiras entre os dois mundos, guerra e não
guerra, de militar e não militar, serão
totalmente eliminados."
Pode
assim o lado mais fraco derrotar os Estados Unidos, os
coronéis do PLA afirmam que os Estados Unidos não
estão acompanhando o enorme avanço que está
ocorrendo no pensamento militar proveniente do avanço
tecnológico. "Os americanos não tem
sido capazes de agir em conjunto nesta área. Isto
porque ao propor um novo conceito de armas não
requer estar na dianteira de novas tecnologias, necessita
sim, de um pensamento lúcido e incisivo. Este não
é o ponto forte dos americanos que são escravos
da tecnologia em seu pensamento."
Os
americanos, na visão dos coronéis chineses
são muito ligados a armamentos cujo objetivo imediato
é matar e destruir." Em Unrestricted Warfare,
"não há nada no mundo hoje que não
possa se tornar uma arma." Então a guerra
deverá ser travada em cada aspecto da vida americana:
"Como nós vemos, uma queda na bolsa de valores,
um simples vírus de computador ou um mero rumor
ou escândalo que resulte em flutuação
da moeda do país , ou que expõe os líderes
de um país inimigo na Internet podem ser incluídos
no novo conceito de armamentos. Nos novos conceitos de
armas a tecnologia não é mais o fator preponderante,
o verdadeiro imperativo são os novos conceitos
de armas."
Este
argumento dá peso aqueles, que estão pressionando
para um maior controle, da penetração chinesa
nos Estados Unidos em especial no mercado de ações
e bônus americanos. Várias iniciativas nos
Estados Unidos clamam para que, seja regulamentada uma
transparência e identificado se os fundos de pensão
e investimentos tem capitais chineses.
Ao
contrário das visões conspiratórias
geralmente difundidas em um sistema de partido único
como a China, os coronéis do PLA reconhecem que
especuladores individuais e outros atores não governamentais
são independentes e não necessariamente
agentes do capitalismo ocidental ou apêndices do
governo americano. Tais individuais e grupos, eles dizem,
são ameaças em sí, são os
"nonprofessional warriors ( guerreiros não
profissionais)." E como tal precisam ser tratados..
"Esta
pessoa não é um hacker no sentido comum,
e também não é um membro de uma organização
paramilitar," afirmam os coronéis. "Possivelmente
ele ou ela é um analista de sistemas ou um engenheiro
de software ou um financista com grandes somas de capital
ou especulador na bolsa. Ele ou ela podem até ser
um empresário da área de comunicações,
um famoso colunista ou apresentador de programas de TV.
Sua filosofia de vida é diferente daquela cega
e desumana dos terroristas." Mas eles todos podem
afirmar o mesmo: "Quem pode dizer que George Soros
não é um terrorista financeiro?"
Os
Coronéis criticam Soros pelo ataque à economia
chinesa causando uma queda nas ações "red-chip"
-- companhias listadas na bolsa de Hong Kong, mas controladas
por interesses de Comunistas Chineses . "O principal
protagonista desta seção não foi
um estadista ou estrategista militar, foi o financista
George Soros.
Após Soros ter iniciado seu
ataque, [Presidente de Formosa] Lee Teng-hui aproveitou
a crise financeira no Sudeste Asiático para desvalorizar
o New Taiwan dólar, então lançar
um ataque ao dólar de Hong Kong e ações
da Bolsa de Valores de Hong Kong , especialmente as ações
'red-chips.'" Neste caso os oficiais perguntam, porque
não assassinar pessoas como Soros? A questão
é explícita: "Quando para proteger
a segurança financeira de um país, pode
o assassinato ser usado para agir contra os especuladores
financeiros?"
Os
Coronéis aparentemente apoiam a idéia da
" guerra tradicional do terror," tais como as
bombas nas embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia,
pelo terrorista saudita Bin Laden. "O surgimento
do estilo de terror exercido por Bin Laden tem aprofundado
a impressão, que uma força nacional, não
importando quão poderosa, encontrará dificuldades
em ter a palavra final, em um jogo que não tem
regras."
Mas,
o terrorismo tipo Bin Laden não vai muito longe,
afirmam os Coronéis. Bombas, seqüestros e
assassinatos "representam o máximo grau de
terror" contra o alvo. "O que realmente atinge
terror nos corações das pessoas é
a junção dos terroristas com vários
tipos de novas tecnologias, que podem gerar novas super
armas." As vítimas do ataque de Aum Shinri
Kyo com gas sarin "foi só uma pequena porção
do terror," de acordo com os oficiais do PLA. "Este
caso colocou as pessoas na percepção, que
a tecnologia bioquímica forjou uma arma letal para
aqueles terroristas que tentam a destruição
da humanidade."
Tal
pensamento, dizem os especialistas, são a justificativa
para a política de Pequim de vender tecnologia
de armas de destruição em massa para regimes
que apoiam terrorismo.
O
livro afirma que, é melhor controlar que matar.
"O progresso tecnológico tem nos proporcionado
os meios para atacar o centro nervoso do inimigo diretamente
sem danos colaterais proporcionando novas opções
de alcançar a vitória, e isto nos leva a
acreditar que o melhor meio de alcançar a vitória
é controlar, não matar.
O meio de
usar força total e levar o inimigo a uma rendição
incondicional é hoje um relíquia do passado."
A
difusão do medo e incerteza nos meios militares
e civis será a mais importante das armas em um
conflito Unrestricted Warfare, concluem os coronéis.
"Nós podemos criar muitos métodos de
causar medo que são mais efetivos que matar. "Até
o último ser humano o mais duro não consegue
impedir-- no mundo interior do seu coração
-- os ataques de psychological warfare."
Os
autores vêem os Estados Unidos muito vulneráveis
a um ataque tipo " Unrestricted Warfare". Os
Estados Unidos é culturalmente despreparado para
tratar com o problema, argumentam; "eles nunca levaram
em consideração outros meios que são
contrários à tradição e o
emprego de operações militares." Os
Estados Unidos, afirmam os oficiais do PLA, deveriam estar
melhor preparados: "É surpreendente que uma
grande nação como os Estados Unidos não
tenha um Comando Unificado para tratar destas ameaças.