Missiles Ranges
Includes BM-25 , Shahab and R-27 (NATO code
SS-N-6)

Iran buys surface-to-surface missiles
capable of hitting Europe

Haaretz 27 Abr 06
Link

Notas Estratégicas - Strategic Notes
Defesanet 28 Abril 2006
Folha de São Paulo 28 Abril 2006

Mísseis do Irã alcançam Europa, diz jornal

Segundo diário israelense, país recebeu artefatos da Coréia do Norte;
acaba hoje prazo dado pela ONU a Teerã

DA REDAÇÃO

O Irã recebeu seu primeiro lote de mísseis terra-terra BM-25 capazes de atingir alvos em países da Europa Central, entre eles Romênia, República Tcheca e até a Itália. A afirmação é do chefe da inteligência do Exército de Israel, o major general Amos Yadlin, e foi divulgada ontem pelo jornal israelense "Haaretz", um dia antes do término do prazo dado pela ONU para que o Irã interrompa seu programa nuclear, sob o risco de sofrer sanções internacionais.

Os mísseis que teriam chegado a Teerã vindos da Coréia do Norte, têm alcance de 2.500 km e capacidade de levar ogivas nucleares. As informações foram atribuídas a autoridades israelenses que falaram sob anonimato por não estarem autorizadas a tratar do assunto com a imprensa. Em fevereiro, um diplomata da Alemanha já havia dito que os iranianos estavam negociando a compra de 18 unidades do BM-25.

Na quarta-feira o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ameaçou atacar interesses dos Estados Unidos ao redor do mundo caso Washington lance uma ofensiva militar ao país.

Os mísseis representam uma ampliação do poderio bélico do Irã, Yadlin. Atualmente, os mísseis mais potentes - o Shahab 3 e o Shahab 4 - alcançam alvos a até 1.300 e 2.000 km. Ambos são capazes de atingir Israel.

Fabricado pela antiga União Soviética - sob o nome de SS-N-6 - os BM-25 foram vendidos para a Coréia do Norte e lá, adaptados para carregar cargas mais pesadas, disse o "Haaretz".

Fim do prazo

O Irã está sob forte pressão internacional para desistir de seu programa nuclear. Hoje se encerra o prazo dado pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU para que Teerã suspenda seu processo de enriquecimento de urânio. EUA, Grã-Bretanha e França defendem a adoção de algum tipo de sanção caso o Irã não atenda à solicitação. Rússia e China, os outros dois membros permanentes do conselho, se opõem até agora a qualquer embargo. Hoje a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apresenta ao CS um relatório crítico ao Irã.

"Para que tenha credibilidade, é claro que o Conselho de Segurança tem de agir", disse ontem na Bulgária a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.

No Irã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad voltou a dizer que o país não abandonará o processo de enriquecimento, que segundo ele visa apenas a geração de energia. Potências ocidentais temem que o objetivo real dos iranianos seja a construção de bombas atômicas.

"Obtivemos tecnologia para a produção de combustível nuclear (...) Ninguém pode tirar isso da nossa nação", disse Ahmadinejad em um evento na região nordeste do Irã. "Se vocês pensam que fazendo cara feia para nós, que aprovando resoluções (...) vocês podem impôr alguma coisa à nação iraniana ou forçá-la a abandonar seus direitos óbvios, vocês ainda não conhecem o poder que temos", declarou ele.

Apesar do discurso de Ahmadinejad, o Irã apresentou ontem à AIEA mais dados sobre seu programa, num esforço de última hora para amenizar o tom do relatório. Diplomatas duvidavam, entretanto, que isso pudesse surtir algum efeito.

Artefato integra estratégia do país islâmico

RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL

Já no ano passado o Irã teria adquirido mísseis balísticos da Coréia do Norte, segundo informantes dos serviços de inteligência alemão, citados por jornais locais em 2005, fato agora, mais uma vez, divulgado em Israel.

Que o Irã esteja procurado se equipar dessas armas, o vetor tradicional de armas nucleares, é fato notório. Mas restam muitas dúvidas sobre as capacidades técnicas desses mísseis.

Eles são chamados de balísticos porque são projetados ao espaço e seguem uma trajetória balística -uma curva- para chegar ao alvo, a velocidades de milhares de km por hora.

Esse é o momento crítico do projeto do míssil -conseguir uma ogiva capaz de sobreviver ao calor da reentrada na atmosfera. E uma bomba nuclear teria que ter um tamanho relativamente pequeno para caber na cabeça do míssil, algo que também leva tempo para um país que está começando sua corrida nuclear desenvolver com sucesso.

Os mísseis balísticos são classificados pelo alcance em três tipos básicos, conhecidos pelas siglas em inglês -MRBM (médio alcance, de 1.100 km a 2.780 km); IRBM (alcance intermediário, de 2.780 km a 5.600 km) e ICBM (alcance intercontinental, de mais de 5.600 km). Os que são lançados de submarinos são chamados de SLBM (mísseis balísticos lançados por submarinos, em inglês) e também têm alcances variados.

O Irã já tem um MRBM, o Shahab-3, com alcance estimado de 1.300 km, embora possa existir uma versão com alcance de 2.000 km -mais do que suficiente para atingir Israel.

Os mísseis em desenvolvimento pelos norte-coreanos são das categorias MRBM e IRBM, com 2.500 km ou até mesmo 4.000 km de alcance. Poderiam alcançar o Havaí, mas não o território continental dos Estados Unidos. Lançados do Irã, chegariam a Israel e a parte da Europa Ocidental.

Segundo alguns especialistas, os mísseis BM-25 seriam versões terrestres de um SLBM russo, o antigo SS-N-6. Com alcance de 3.000 km, esse SLBM, hoje obsoleto, constituía a maior parte da frota de mísseis balísticos navais da então União Soviética no começo dos anos 1980.

O Irã já tinha grande interesse em desenvolver mísseis balísticos durante a guerra com o Iraque, ocorrida entre 1980 e 1988, quando muitas cidades iranianas foram bombardeadas com mísseis de curto alcance iraquianos de modelo soviético.

O interesse atual por produzir armas nucleares tende a dar mais ênfase ao programa de mísseis.

Ironicamente, uma das primeiras iniciativas iranianas na área de mísseis foi um começo de acordo com Israel, antes da Revolução Islâmica de 1979, quando a cooperação parou. Houve também uma cooperação chinesa posterior. A mais recente ajuda internacional aos projetos do Irã veio da Rússia e da Coréia do Norte.

:::ÍNDICE
Notícias
Arquivo Notícias
Boletíns
Editoriais
Revista Virtual
SOF História
Artigos
Documentos
Links
Fotos
Vídeos
Equipe
Busca Arquivo


 
©2005 DEFESA@NET - Brasil