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Mísseis
do Irã alcançam Europa, diz jornal
Segundo diário israelense, país recebeu
artefatos da Coréia do Norte;
acaba hoje prazo dado pela ONU a Teerã
DA
REDAÇÃO
O
Irã recebeu seu primeiro lote de mísseis terra-terra
BM-25 capazes de atingir alvos em países da Europa
Central, entre eles Romênia, República Tcheca
e até a Itália. A afirmação
é do chefe da inteligência do Exército
de Israel, o major general Amos Yadlin, e foi divulgada
ontem pelo jornal israelense "Haaretz", um dia
antes do término do prazo dado pela ONU para que
o Irã interrompa seu programa nuclear, sob o risco
de sofrer sanções internacionais.
Os
mísseis que teriam chegado a Teerã vindos
da Coréia do Norte, têm alcance de 2.500 km
e capacidade de levar ogivas nucleares. As informações
foram atribuídas a autoridades israelenses que falaram
sob anonimato por não estarem autorizadas a tratar
do assunto com a imprensa. Em fevereiro, um diplomata da
Alemanha já havia dito que os iranianos estavam negociando
a compra de 18 unidades do BM-25.
Na
quarta-feira o líder supremo do Irã, o aiatolá
Ali Khamenei, ameaçou atacar interesses dos Estados
Unidos ao redor do mundo caso Washington lance uma ofensiva
militar ao país.
Os
mísseis representam uma ampliação do
poderio bélico do Irã, Yadlin. Atualmente,
os mísseis mais potentes - o Shahab 3 e o Shahab
4 - alcançam alvos a até 1.300 e 2.000 km.
Ambos são capazes de atingir Israel.
Fabricado
pela antiga União Soviética - sob o nome de
SS-N-6 - os BM-25 foram vendidos para a Coréia do
Norte e lá, adaptados para carregar cargas mais pesadas,
disse o "Haaretz".
Fim
do prazo
O
Irã está sob forte pressão internacional
para desistir de seu programa nuclear. Hoje se encerra o
prazo dado pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU
para que Teerã suspenda seu processo de enriquecimento
de urânio. EUA, Grã-Bretanha e França
defendem a adoção de algum tipo de sanção
caso o Irã não atenda à solicitação.
Rússia e China, os outros dois membros permanentes
do conselho, se opõem até agora a qualquer
embargo. Hoje a Agência Internacional de Energia Atômica
(AIEA) apresenta ao CS um relatório crítico
ao Irã.
"Para
que tenha credibilidade, é claro que o Conselho de
Segurança tem de agir", disse ontem na Bulgária
a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.
No
Irã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad voltou a dizer
que o país não abandonará o processo
de enriquecimento, que segundo ele visa apenas a geração
de energia. Potências ocidentais temem que o objetivo
real dos iranianos seja a construção de bombas
atômicas.
"Obtivemos
tecnologia para a produção de combustível
nuclear (...) Ninguém pode tirar isso da nossa nação",
disse Ahmadinejad em um evento na região nordeste
do Irã. "Se vocês pensam que fazendo cara
feia para nós, que aprovando resoluções
(...) vocês podem impôr alguma coisa à
nação iraniana ou forçá-la a
abandonar seus direitos óbvios, vocês ainda
não conhecem o poder que temos", declarou ele.
Apesar
do discurso de Ahmadinejad, o Irã apresentou ontem
à AIEA mais dados sobre seu programa, num esforço
de última hora para amenizar o tom do relatório.
Diplomatas duvidavam, entretanto, que isso pudesse surtir
algum efeito.
Artefato
integra estratégia do país islâmico
RICARDO
BONALUME NETO
DA
REPORTAGEM LOCAL
Já
no ano passado o Irã teria adquirido mísseis
balísticos da Coréia do Norte, segundo informantes
dos serviços de inteligência alemão,
citados por jornais locais em 2005, fato agora, mais uma
vez, divulgado em Israel.
Que
o Irã esteja procurado se equipar dessas armas, o
vetor tradicional de armas nucleares, é fato notório.
Mas restam muitas dúvidas sobre as capacidades técnicas
desses mísseis.
Eles
são chamados de balísticos porque são
projetados ao espaço e seguem uma trajetória
balística -uma curva- para chegar ao alvo, a velocidades
de milhares de km por hora.
Esse
é o momento crítico do projeto do míssil
-conseguir uma ogiva capaz de sobreviver ao calor da reentrada
na atmosfera. E uma bomba nuclear teria que ter um tamanho
relativamente pequeno para caber na cabeça do míssil,
algo que também leva tempo para um país que
está começando sua corrida nuclear desenvolver
com sucesso.
Os
mísseis balísticos são classificados
pelo alcance em três tipos básicos, conhecidos
pelas siglas em inglês -MRBM (médio alcance,
de 1.100 km a 2.780 km); IRBM (alcance intermediário,
de 2.780 km a 5.600 km) e ICBM (alcance intercontinental,
de mais de 5.600 km). Os que são lançados
de submarinos são chamados de SLBM (mísseis
balísticos lançados por submarinos, em inglês)
e também têm alcances variados.
O
Irã já tem um MRBM, o Shahab-3, com alcance
estimado de 1.300 km, embora possa existir uma versão
com alcance de 2.000 km -mais do que suficiente para atingir
Israel.
Os
mísseis em desenvolvimento pelos norte-coreanos são
das categorias MRBM e IRBM, com 2.500 km ou até mesmo
4.000 km de alcance. Poderiam alcançar o Havaí,
mas não o território continental dos Estados
Unidos. Lançados do Irã, chegariam a Israel
e a parte da Europa Ocidental.
Segundo
alguns especialistas, os mísseis BM-25 seriam versões
terrestres de um SLBM russo, o antigo SS-N-6. Com alcance
de 3.000 km, esse SLBM, hoje obsoleto, constituía
a maior parte da frota de mísseis balísticos
navais da então União Soviética no
começo dos anos 1980.
O
Irã já tinha grande interesse em desenvolver
mísseis balísticos durante a guerra com o
Iraque, ocorrida entre 1980 e 1988, quando muitas cidades
iranianas foram bombardeadas com mísseis de curto
alcance iraquianos de modelo soviético.
O
interesse atual por produzir armas nucleares tende a dar
mais ênfase ao programa de mísseis.
Ironicamente,
uma das primeiras iniciativas iranianas na área de
mísseis foi um começo de acordo com Israel,
antes da Revolução Islâmica de 1979,
quando a cooperação parou. Houve também
uma cooperação chinesa posterior. A mais recente
ajuda internacional aos projetos do Irã veio da Rússia
e da Coréia do Norte.
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