|
Rússia
e China realizam exercício militar
conjunto pela 1a vez
Por Lindsay Beck
PEQUIM
(Reuters) - China e Rússia iniciaram na quinta-feira
o primeiro exercício militar conjunto de sua história,
num recado aos Estados Unidos de que os ex-adversários
estão cooperando entre si e são cada vez mais
influentes.
Os
oito dias de jogos de guerra entre os dois gigantescos vizinhos,
que compartilham uma fronteira de 4.300 quilômetros,
também representam uma oportunidade comercial para
a Rússia, maior fornecedora de armas e tecnologia
bélica para a China, segundo analistas.
"O
principal alvo são os Estados Unidos. Ambos os lados
querem melhorar sua posição para barganhar
em termos de segurança, política e economia",
disse Jin Canrong, professor de Relações Internacionais
da Universidade Popular da China.
O
propósito declarado da "Missão Paz 2005",
que envolve 10.000 soldados, é reforçar os
laços entre as forças armadas dos dois países.
Analistas não vêem na operação
uma ameaça contra nenhum país em especial.
Mas
a agência oficial de notícias chinesa, a Xinhua,
destacou a importância de "reforçar a
capacidade de as duas forças armadas combaterem conjuntamente
o terrorismo, o extremismo e o separatismo".
A
palavra "separatismo" certamente assustará
os moradores de Taiwan, a ilha autônoma considerada
por Pequim uma "província rebelde" a ser
reunificada, se necessário com o uso da força.
Apesar
de serem ambos comunistas, Pequim e Moscou eram adversários
na época da Guerra Fria. Nos últimos anos,
porém, tem havido uma reaproximação,
em parte porque a China precisa dos recursos energéticos
russos para alimentar sua economia.
Os
dois governos também participam das negociações
sobre a crise nuclear da Coréia do Norte e têm
interesses comuns na Ásia Central, pois temem a influência
norte-americana na região e acompanham com preocupação
as turbulências no Uzbequistão e no Quirguistão.
Jin
disse que a Rússia manifestou interesse pelos exercícios
militares com a China depois da rebelião popular
da Ucrânia, no ano passado, que derrubou um governo
pró-Moscou acusado de fraude eleitoral.
Em
julho, a Organização de Xangai para a Cooperação,
fórum regional que reúne Rússia, China
e os países da Ásia Central, pediu aos Estados
Unidos que fixem uma data para desativar suas bases militares
na região.
A
presença de observadores do fórum regional
nos exercícios reforça a tese de que a operação
está mandando um recado a Washington. "Isso
é acima de tudo um ataque ao mundo unipolar que tão
bem serviu a Washington desde o final da Guerra Fria",
disse o jornal russo Nezavismaya Gazeta.
Os
Estados Unidos disseram que os exercícios favorecem
a estabilidade regional, mas demonstraram cautela. "Esperamos
que nada que eles façam seja prejudicial ao atual
clima na região", disse Sean McCormack, porta-voz
do Departamento de Estado.
Os
exercícios acontecem até dia 25 de agosto
em águas territoriais russas no Pacífico,
perto de Vladivostok, e na província litorânea
chinesa de Shandong.
Analistas
dizem que os exercícios não devem causar alarme
e sim ser vistos como um gesto de transparência de
ambos os países, de acordo com as normas internacionais.
"Acho que eles finalmente perceberam que pode ser útil
aprender alguma coisa com os outros", disse Robert
Karniol, editor para a Ásia-Pacífico da revista
Jane's Defence Weekly.

General
Liang Guanglie (esquerda), chefe do Exército chinês,
e general Yuri Baluyevsky, chefe das forças armadas
russas, abraçam-se durante encontro em Vladivostok.
China e Rússia iniciaram o primeiro exercício
militar conjunto de sua história, num recado aos
Estados Unidos de que os ex-adversários estão
cooperando entre si e são cada vez mais influentes.
Foto: China Newsphoto
|