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'Estilo
Bachelet' inova e já chama a atenção
no Chile
Rodrigo Uchôa
De São Paulo
,
54, vem dando sinais de como será seu estilo de governo
no Chile, antes mesmo de tomar posse no sábado. Em
fevereiro, anunciou a formação de seu gabinete
ministerial dividindo por igual os cargos entre homens e mulheres.
Depois, nomeou para cada um deles um subsecretário,
número dois na hierarquia ministerial, de um partido
diferente do partido do ministro. E, surpreendentemente, nada
vazou antes.
Bachelet
conseguiu conservar em segredo suas decisões até
a hora da divulgação oficial. Assim, deixou
claro "quem é que manda", segundo analistas.
Para alguns, ela se mostra centralizadora e mandona; para
outros, ela simplesmente está exercendo os poderes
presidenciais que lhe foram conferidos e está mostrando
a que veio.
"O
sistema presidencialista do Chile é quase 'monarquizante',
ela apenas vem exercendo o poder suprapartidário conferido
pelo sistema, não deixando dúvidas sobre sua
capacidade de tomar decisões", afirma Alfredo
Joignant, do departamento de ciência política
da Universidade do Chile.
Bachelet
formou um grupo ministerial tido como de "fidelidade
canina", disposto a deixar para ela a "linha de
frente" das ações governamentais. O perfil
de seu antecessor, Ricardo Lagos, era igualmente pessoal e
forte, mas delegava responsabilidades a ministros mais próximos,
como Alvaro Garcia, que teve papel importante na relação
do governo com os partidos políticos.
Por
ser filha de um general da Força Aérea, há
suposições de que esse estilo advém de
sua convivência familiar. Outros acham que Bachelet
se inspira na figura de um CEO, trazendo para o governo um
"ambiente corporativo".
Ontem,
a presidente eleita, seu ministério e principais assessores
terminaram um seminário num resort chileno. Foram dois
dias de dinâmicas de grupo, palestras de motivação
e rodas de discussão, com uma festa de encerramento.
O evento foi organizado por Julio Ollala, presidente da Newfield
Network, empresa especializada em encontros empresariais.
A consultoria tem como lema criar "lideranças
mais orientadoras e menos autoritárias".
Mas
a "empresa Chile" que a CEO Bachelet vai presidir
tem particularidades que se chocam com o perfil da mulher.
Certa vez, ela disse: "Eu sou uma mulher, divorciada,
socialista, agnóstica. Todos os pecados juntos".
Quanto
a ser mulher, aparentemente ela já superou o machismo
chileno, afinal, foi eleita com 56% dos votos. Quanto a ser
divorciada - num país que só aprovou o divórcio
no fim de 2004 -, a presidente vem defendendo com unhas e
dentes a inviolabilidade de sua vida pessoal, o que fez com
que seu estado civil deixasse de ser tema de discussões.
Quanto
a ser socialista, filha de um militar torturado por discordar
do golpe do general Augusto Pinochet, de 1973, nem mesmo aos
mais militares mais conservadores isso assusta. Afinal, ela
foi ministra da Defesa do governo do socialista Ricardo Lagos.
Parece
que ela agora tenta resolver a querela com a Igreja Católica,
muito influente no país.
Apesar
de durante a campanha ela ter se vangloriado de ser a autora
da distribuição da pílula do dia seguinte
para vítimas de estupro, quando era ministra da saúde,
hoje ela se declara contrária ao aborto, inclusive
o terapêutico, a ao casamento homossexual, segundo o
cardeal Francisco Javier Errázuriz. Ontem o papa Bento
XVI se disse
satisfeito com isso.
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