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VINICIUS
ALBUQUERQUE
da Folha Online
A
"euforia" inicial quanto às relações
entre o Brasil e a China aos poucos cede lugar ao temor
das importações chinesas, ao "desapontamento"
com o ritmo dos investimentos prometidos no Brasil e à
"irritação" do Brasil, que teria
"enfraquecido suas defesas econômicas sem obter
muito retorno", diz reportagem da revista britânica
"The Economist".
O
semanário inglês lembra que a China prometeu
ao Brasil investimentos da ordem de US$ 10 bilhões,
principalmente em infra-estrutura, como portos e ferrovias,
que facilitariam as exportações de minério
de ferro e soja para a China, além de apoio à
candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho
de Segurança (CS) da ONU (Organização
das Nações Unidas) --objetivo de longa data
do Itamaraty.
Em
troca, o Brasil reconheceu a China como "economia de
mercado", o que dificulta a aplicação
de medidas de defesa comercial na OMC (Organização
Mundial do Comércio).
Na
frente diplomática, no entanto, a China, ainda que
indiretamente, se opôs à pretensão brasileira
ao CS. O Japão, arqui-rival da China também
pleiteia uma vaga, o que levou os chineses a se opor à
abertura de novas vagas. Com essa decisão, o caminho
do Brasil ao CS também fica mais difícil --se
não totalmente fechado.
No
âmbito comercial, a China "não é
um parceiro estratégico" como disse o presidente
Lula, disse o diretor do departamento de Relações
Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto
Giannetti da Fonseca, segundo a "Economist". Ele
diz que a China "quer comprar matérias-primas
sem valor agregado e exportar bens de consumo".
Quanto
aos investimentos em infra-estrutura, o que há é
"muita fumaça e pouco fogo", disse o presidente
do Centro de Estudos de Logística do Instituto Coppead
de Administração da UFRJ (Universidade Federal
do Rio de Janeiro), Paulo Fleury, segundo a reportagem da
revista.
"[O
presidente] Lula previu que o comércio com a China
iria mais que dobrar, para US$ 20 bilhões, em três
anos", disse a "Economist". As economias
dos dois países são vistas como "complementares",
uma vez que, para manter o ritmo acelerado de desenvolvimento
que vem mantendo, a China precisa de commodities, as quais
o Brasil está "bem posicionado" para fornecer.
A China então investiria em infra-estrutura para
desfazer os gargalos de produção que desestimulam
o crescimento.
"Mas
nenhum país em desenvolvimento estaria contente de
apenas complementar a China, que parece imbatível
no tipo de atividade manufatureira que cria muitos empregos.
E a sinergia parece boa no papel mas está se provando
difícil de pôr em prática."
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