Governo
Kirchner assume comando
de serviços de inteligência militares
( texto original Jornal Clarin espanhol
Link )
Janaína Figueiredo
Correspondente
BUENOS
AIRES. O governo do presidente da Argentina, Néstor
Kirchner, decidiu assumir o comando de todos os serviços
de inteligência das Forças Armadas, um mês
depois do escândalo provocado pela descoberta de
que oficiais da base Almirante Zar, na província
de Chubut, sul do país, espionavam funcionários
do governo, políticos, dirigentes sociais e até
mesmo jornalistas. A informação foi divulgada
ontem pelo jornal Clarín, um dos mais
importantes do país.
De
acordo com o jornal argentino, por ordem do presidente
Kirchner a ministra da Defesa, Nilda Garré, assinou
um decreto que transfere o controle de todos os serviços
de inteligência militares à Direção
Nacional de Inteligência Estratégica Militar
(DNIEM), órgão que responde ao Ministério
da Defesa. A decisão estava sendo analisada pelo
governo há vários meses, mas sua entrada
em vigência foi acelerada pelo gravíssimo
caso de espionagem militar. Há cerca de um mês,
a Marinha ordenou o fechamento preventivo de todas as
suas centrais de inteligência, em meio às
denúncias de espionagem apresentadas contra militares
da base Almirante Zar. O chefe de Estado-Maior da Marinha,
almirante Jorge Godoy, assumiu a responsabilidade pelo
grave incidente, mas na época assegurou que se
tratava de um fato isolado. A Lei de Defesa Nacional da
Argentina proíbe qualquer tipo de espionagem militar.
A
decisão adotada pelo governo Kirchner foi respaldada
por partidos opositores.
Estamos de acordo com a decisão, mas gostaríamos
que existisse, também, algum tipo de controle parlamentar
disse o deputado Fernando Chironi, da União
Cívica Radical (UCR).
A
partir de agora, as centrais de inteligência militares
não poderão cumprir funções
políticas, nem realizar investigações
criminais, a menos que exista um pedido específico
do Poder Judiciário. Segundo o jornal argentino,
o decreto assinado pela ministra Garré estabelece
que o sistema de inteligência do Ministério
da Defesa terá como objetivo dar assistência
ao ministro em todos os aspectos relacionados com a inteligência
necessários para o comando (do ministério).
Estima-se que mais de 3 mil militares trabalham nas centrais
de inteligência das Forças Armadas. Com a
nova estrutura aprovada pelo governo, todos passarão
a atuar sob o comando da ministra da Defesa.