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Defesa
@ Net
Uma
entrevista do
Prof Moniz Bandeira incluída em um série de
reportagens chamada de: "A Geopolítica do Cerco".
Matérias produzidas pela Agência Brasil, órgão
oficial do governo brasileiro.
Como a entrevista foi realizada dentro do Itamaraty e o
Prof. Moniz Bandeira foi nomeado adido cultural em Frankfurt,
podemos realizar as perguntas:
1- É a palavra oficial do itamaraty?
2- Do governo Brasileiro?
Ou um mero exercício ideológico dos porões
do Itamaraty e Planalto
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Artigos
da Série a Geopolítica do Cerco
Artigos da Série a Geopolítica do Cerco
1 - Entrevista com o Professor Moniz Bandeira diz que EUA têm
"cinturão militar" em volta do Brasil
ABr 18 Jan 06
Link
2 - Estudo
do Exército detalha presença militar norte-americana
na América do Sul
ABr 18 Jan 06
Link
3 - Órgão
dos EUA coordena estratégias político-militares
para América do Sul
ABr
18 Jan 06
Link
Leia reportagem
do Washington Times onde são mencionados o Prof. Sampaio,
do Defesa@Net, e o
Prof. Moniz Bandeira
U.S. inroads raise alarm
Washington Times 25 Out 06
Link
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Notas
Estratégicas - Strategic Notes
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Defesanet
24 Janeiro 2006
Agência Basil 18 Janeiro 2006 |
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Professor Moniz Bandeira diz que EUA têm "cinturão
militar" em volta do Brasil
André
Deak e Bianca Paiva
Da Agência Brasil
Brasília
Há mais de 50 anos o professor Luiz Alberto
Moniz Bandeira tem como objeto de estudo os Estados
Unidos da América. Em entrevista à Agência
Brasil, ele fala sobre os "cerca de 6.300 militares
americanos [que] estiveram baseados ou realizaram operações
na região da Amazônia entre 2001 e 2002",
conforme revela no livro Formação do Império
Americano. Da guerra contra a Espanha à guerra
do Iraque.
Leia, abaixo, a entrevista concedida no escritório
de seu amigo, o secretário-geral do Ministério
de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro
Guimarães ( Nota Defesa@Net o secretário-geral
é o segundo em importância logo após
o Chanceler).
Agência Brasil: O que o senhor diz da presença
dos Estados Unidos na América do Sul?
Moniz Bandeira: Os Estados Unidos estão
realmente criando, já há muitos anos, um
cinturão em volta do Brasil.
ABr: De bases militares?
Moniz
Bandeira:
De bases militares sim. Base de Manta, no Equador, e outras,
no Peru, na Bolívia. Algumas são permanentes,
outras são para ocupação ocasional.
Como essa do Paraguai, que não é propriamente
uma base: eles têm uma pista construída desde
a década de 80, maior do que a pista do Galeão
(no Rio de Janeiro, a maior pista de pouso do Brasil,
com 4.240 metros de extensão). Agora a notícia
é de terão 400 soldados (norte-americanos,
no Paraguai). Fazem exercícios conjuntos, juntam
grupos para fazer exercícios perto da fronteira
do Brasil ou em outros pontos. O mais curioso nisso tudo,
e aí sim levanta muita suspeita: primeiro, a concessão
de imunidade aos soldados americanos; segundo, a visita
de Donald Rumsfeld (secretário de Defesa dos EUA)
a Assunção, capital do país; terceiro,
o fato de que Dick Cheney (vice-presidente norte-americano)
recebeu nos Estados Unidos o presidente do Paraguai. O
que representa o Paraguai para os Estados Unidos? Isso
é só uma forma de perturbar o Mercosul.
ABr:
Analistas dizem que hoje o Paraguai cumpre a função
de aliado dos EUA, que um dia cumpriu a Argentina, com
o presidente Carlos Menem, e depois o Uruguai, com Jorge
Battle.
Moniz Bandeira:
É o que eles tentam, primeiro a Argentina de Menen,
depois o Uruguai de Battle, agora querem manipular o Paraguai.
É uma situação delicada. O Paraguai
não tem peso. Inclusive, se o Brasil fiscalizar
a fronteira, acaba o Paraguai, porque a maior parte das
exportações do Paraguai é contrabando
para o Brasil. O Paraguai, oficialmente, destina ao Brasil
mais de 30% de suas exportações. Se considerar
o contrabando, sobe para mais de 60%. E mesmo para exportar
para outros países depende substancialmente do
Brasil, dos corredores de exportação que
levam para os portos de Santos, Paranaguá e Rio
Grande. O Paraguai é um país com muitas
dificuldades, se superestima, e não cai na realidade.
Cada país tem que ver suas limitações,
relações reais de poder. O Paraguai é
inviável sem o Brasil e a Argentina. A Argentina
está solidária com o Brasil, não
tem interesse no Paraguai como instrumento dos Estados
Unidos para ferir o Mercosul.
ABr: Onde estão, especificamente, os militares
norte-americanos que formam esse "cinturão"
ao redor do Brasil?
Moniz
Bandeira:
Eles se estendem desde a Guiana, passam pela Colômbia...
Sobretudo não são militares fardados, mas
empresas militares privadas, que executam uma série
de serviços terceirizados para os Estados Unidos.
O Pentágono está terceirizando a guerra.
Eles criaram, já há algum tempo, desde o
início dos anos 90 as Military Company Corporations
[Companhias Militares Privadas, em inglês], que
executam os serviços militares justamente para
fugir às restrições impostas pelo
Congresso americano. Pilotam aviões no Iraque,
por exemplo. As companhias militares privadas estão
fazendo tudo, até torturando. Com isso, escamoteiam
as restrições impostas.
ABr:
Existem também operações secretas?
Moniz Bandeira: Sim,
mas isso é outra coisa. Sabemos dessas informações.
Se você ler os jornais, verá, às vezes,
que foi interceptado um avião americano no Brasil
que voava da Bolívia para o Paraguai clandestinamente.
Essas informações estão espalhadas
em vários lugares.
ABr:
Qual a razão desses militares norte-americanos
na América do Sul?
Moniz Bandeira:
Diversos fatores. As bases permitem a manutenção
de grandes orçamentos para o Pentágono.
Por causa da indústria bélica, do complexo
industrial militar nos EUA, eles precisam gastar seus
equipamentos militares para novas encomendas. É
um círculo vicioso. E qual é o mercado para
o consumo dos armamentos? A guerra. Os EUA têm interesse
na guerra porque a sua economia depende em larga medida
do complexo bélico, para inclusive manter empregos.
Há certas regiões dos EUA dominadas totalmente
pelo interesse dessas indústrias. Há uma
simbiose entre o estado e a indústria bélica.
O estado financia a indústria bélica e a
indústria bélica necessita do estado para
dar vazão aos seus armamentos e a sua produção.
ABr:
Existe alguma razão estratégica do ponto
de vista dos recursos naturais?
Moniz Bandeira:
Os países andinos são responsáveis
por mais de 25% do petróleo consumido nos Estados
Unidos. Só a Venezuela é responsável
por cerca 15% desse consumo. De um lado querem derrubar
o (presidente venezuelano Hugo) Chávez, de outro
sabem que uma guerra civil ali levaria o preço
do petróleo a mais de US$ 200 o barril.
EUA
alegam combater terrorismo para justificar presença
militar na América do Sul, avalia estudioso
Agência
Brasil: No livro Formação do Império
Americano, o senhor fala sobre a presença de militares
norte-americanos na América do Sul. Os Estados
Unidos garantem que muitos desses militares estão
na região para combater o terrorismo.
Luiz
Alberto Moniz Bandeira:
Combater o terrorismo é uma besteira. O terrorismo
não é uma ideologia, não é
um Estado. É uma ferramenta de luta, é um
método que todos usaram ao longo da história.
O que eles querem combater agora é o terrorismo
islâmico. Mas por que surgiu esse fenômeno
do terrorismo islâmico? Com a presença dos
EUA na Arábia Saudita ocupando os lugares sagrados,
por exemplo. Antes disso, ainda, Os EUA insuflaram o terrorismo
islâmico contra os soviéticos, no Afeganistão.
Começou aí.
ABr: Os EUA classificam de terroristas o Exército
Zapastita de Libertação Nacional do México
e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Estão certos?
Moniz
Bandeira:
Eles desejam que todos que os se insurgirem contra eles
sejam considerados terroristas. Sempre foi assim. Hitler
chamou de terroristas todos os que resistiam à
ocupação alemã. Os companheiros que
foram da luta armada aqui no Brasil contra o regime autoritário
foram chamados de terroristas. O terrorismo é um
método de guerra, usado inclusive pela CIA [sigla
em inglês para a Agência Central de Inteligência
dos EUA]. O que a CIA fez contra Cuba? Planejou até
um atentado, derrubando um avião, para acusar o
governo cubano e justificar a invasão de Cuba.
Planejou explodir o foguete que levaria John Glenn ao
espaço para acusar Cuba e invadi-la. A CIA sempre
foi um instrumento de terrorismo. Os EUA definem o terrorismo
como sendo uma organização a serviço
de um estado que pratica atos de violência com objetivos
políticos. É exatamente o que CIA sempre
fez. A CIA, o Mossad [a agência de inteligência
israelense] e outros serviços. Quem são
terroristas? Ariel Sharon, David Ben Gourion e Menachem
Begin foram terroristas. Eles explodiram em 1946 o King
David Hotel em Jerusalém, matando pessoas contra
o domínio inglês. Venceram e hoje são
estadistas.
ABr:
Os Estados Unidos dizem que existem terroristas na tríplice
fronteira.
Moniz Bandeira:
Besteira também. Apenas porque existam lá
islâmicos. Porque eles mandam dinheiro privadamente
para suas famílias. Que esse dinheiro seja desviado
para outras atividades ninguém pode impedir. É
um pretexto para justificarem a sua presença no
Paraguai e em outras partes da América do Sul.
Os Estados Unidos são o único país
que tem um exército não para defesa do país,
mas para manter bases americanas pelo mundo.
ABr: A presença de bases americanas pode atrair
o terrorismo?
Moniz
Bandeira:
A maior quantidade de ataques terroristas contra os Estados
Unidos, até recentemente, foi na América
latina. Grande parte contra militares, empresas privadas
norte-americanas e contra os oleodutos na Colômbia.
Mas eles podem forjar um atentado terrorista em Foz do
Iguaçu para acusar terroristas e, na verdade, foi
praticado pela CIA. Eles fazem isso. Isso é guerra
psicológica. A CIA cansou de fazer isso, inclusive
aqui no Brasil. Veja o caso do Rio Centro: um atentado
preparado para justificar a repressão.
Brasil
trabalha para evitar a presença norte-americana
na América do Sul, diz professor
Agência
Brasil: Qual o interesse do Brasil na América do
Sul?
Moniz
Bandeira:
Ao Brasil interessa a estabilidade da América do
Sul. E também não interessa a presença
americana na América do Sul.
ABr:
Mas como é que se pode evitar isso?
Moniz Bandeira:
Evitando a entrada das Farc [Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia] aqui. O exército está
preparado. Existe uma operação para prevenir
uma eventual invasão da Amazônia pelos norte-americanos.
Os norte-americanos precisam do Brasil, porque o Brasil
é um país moderado, fator de moderação.
E é claro que isso interessa ao Brasil, ser um
fator de moderação na América do
Sul, entre os EUA e a Venezuela, por exemplo.
ABr: Mas o Brasil não consegue evitar que países
como o Paraguai, por exemplo, façam acordos bilaterais
com o EUA.
Moniz
Bandeira: Consegue.
Se o acordo ferir o Mercosul, o Paraguai é expelido
e o Brasil aplica sanções. Os países
do Mercosul têm acordos que tem serem cumpridos.
E eles não podem correr o risco de saírem
do Mercosul, porque dependem do mercado brasileiro, que
é mais certo do que o mercado norte-americano.
O Uruguai vai vender carne para os Estados Unidos, ou
arroz? É muito mais barato exportar para o Brasil
do que para os EUA.
ABr: O Brasil teria como evitar a presença militar
norte-americana em países que estão fora
do Mercosul?
Moniz
Bandeira: O
Brasil não pode interferir na soberania dos outros
países. O Brasil também não está
competindo com os Estados Unidos, não é
caso. No caso do Mercosul sim, aí é diferente
porque há compromissos, tratados. Não pode
fazer um acordo de livre comércio com o EUA e manter
a tarifa dentro de uma união aduaneira em que há
uma tarifa externa comum.
ABr:
O presidente mexicano, Vicente Fox, já declarou
ter interesse em levar seu país ao Mercosul. É
possível?
Moniz Bandeira:
É ridículo quando o presidente Fox diz que
o México quer entrar no Mercosul. Essa é
uma jogada a serviço do Estados Unidos, porque
o México não pode compatibilizar a Alca
[Área de Livre Comércio da América,
proposta pelos EUA] com o Mercosul. Nem o Mercosul tem
uma tarifa externa comum como o Nafta [sigla em inglês
para o Acordo de Livre Comércio da América
do Norte]. É um acordo entre Estados Unidos, México
e Canadá, sem tarifas externas. É uma área
de livre comércio pura e simplesmente, então
não é possível compatibilizar os
compromissos do Mercosul com os do Nafta. Conciliar o
México com o Mercosul é impossível.
Aliás, não é um país do sul,
é um país do norte.
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Para manter
em funcionamento uma indústria bélica nacional, os
Estados Unidos precisam espalhar pelo mundo soldados e bases militares.
Essa é a premissa de Luiz Alberto Moniz Bandeira, que tem
os EUA como objeto de estudo há mais de 50 anos. Para ele,
o combate ao terrorismo é apenas "um pretexto para eles
justificarem a sua presença no Paraguai e em outras partes
da América do Sul".
O professor
aposentado da Universidade de Brasília que assumiu a função
de adido cultural no Consulado Geral do Brasil em Frankfurt, na
Alemanha, falou à Agência Brasil sobre o assuntoA presença
de militares norte-americanos na América do Sul pode causar
instabilidade na região, o que não interessaria ao
Brasil, afirma o estudioso Luiz Alberto Moniz Bandeira. No livro
Formação do Império Americano, Bandeira desvenda
a política externa norte-americana que envolve, muitas vezes,
a desestabilização de países e a criação
de conflitos através de agências de inteligência.
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