07 de Fevereiro, 2013 - 08:02 ( Brasília )

Embarcações vão apoiar produção de cartas náuticas da Amazônia Legal


A Marinha do Brasil incorporou à sua frota dois avisos hidrográficos fluviais (embarcações de pequeno porte) que serão usados para a produção de cartas náuticas da Amazônia Legal. Com a ação, 1,8 milhão de quilômetros quadrados passarão a ter informações cartográficas em escalas maiores. Isso significa que os dados acerca de rios menores do país serão atualizados.

A ação faz parte do Projeto de Cartografia da Amazônia, que tem o objetivo principal de acabar com o vazio cartográfico existente nos estados do Amapá, Amazonas, parte do Acre, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Roraima – áreas que correspondem à chamada Amazônia Legal. Os resultados irão auxiliar na construção de hidrelétricas, rodovias, ferrovias e gasodutos, além do aumento na segurança da navegação e da geração de dados para monitoramento e defesa daquela região.

De acordo com a Divisão de Cartografia e Aerolevantamento (Dica) do Ministério da Defesa, a Força Naval não dispunha, anteriormente, de meios com capacidade de manobra e recobrimento de longas extensões dos rios amazônicos. Por isso, priorizou as vias navegáveis mais importantes.

Segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão do Ministério da Defesa que coordena a iniciativa, 74 cartas náuticas da região serão atualizadas por meio do projeto. Lançado em 2008, ele já renovou 18 delas.

Além da parte náutica, o projeto contempla outras duas vertentes: a Cartografia Terrestre (a cargo do Exército e da Aeronáutica) e a Geológica (executada pelo Serviço Geológico do Brasil). Responsável pelo financiamento, o Censipam informou que R$ 212 milhões já foram investidos nas três áreas de cartografia.

Embarcação

Os avisos hidrográficos fluviais são embarcações de pequeno porte destinadas à execução dos levantamentos hidroceanográficos em águas interiores na Bacia Amazônica. Devido ao tamanho, podem trafegar em época de cheia ou baixa. Eles possuem sensores de batimetria, que ao tocarem no fundo de um rio medem sua profundidade.

Os barcos têm 25 metros de comprimento, navegam em uma velocidade máxima de 10 nós (equivalente a quase 19 km por hora) e possuem autonomia de dez dias. Comportam tripulação de dois oficiais e oito praças e suportam deslocamento carregado de mais de 140 toneladas.

Atualmente, a Força Naval possui apenas os avisos “Rio Tocantins” e “Rio Xingu” – ambos entregues à Marinha no ano passado e já incorporados à instituição. Os dois foram construídos pelo estaleiro da Indústria Naval do Ceará (Inace), que está preparando mais dois. “Estes outros serão entregues até o final de 2013”, conforme informou a Marinha, em nota.

Os atuais avisos hidrográficos da Força Naval não são as primeiras embarcações com esta designação. Entre 1969 e 1971, seis avisos foram incorporados à Armada, a fim de realizar levantamento hidrográfico e hidrológico da Bacia Amazônica. Quatro desses veículos atuaram por cerca de 30 anos.