09 de Outubro, 2012 - 11:00 ( Brasília )

Retomada da Comandante Ferraz começa com deslocamento do navio Almirante Maximiano


A operação de reconstrução da Base Comandante Ferraz, na Antártica, começou com o deslocamento do navio polar “Almirante Maximiano” que, no último sábado, partiu do Rio de Janeiro (RJ) para o Polo Sul. Durante o próximo verão antártico, que se estende até março de 2013, serão efetuados os procedimentos de instalação dos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE), bem como o desmonte da estação que foi parcialmente destruída num incêndio em fevereiro deste ano.

Denominada Operação Antártica XXXI (Operantar XXXI), a iniciativa conta com o apoio de outras quatro embarcações. Além do navio polar, a região onde fica a base brasileira receberá o navio de apoio oceanográfico “Ary Rongel” e o navio de socorro submarino “Felinto Perry”, ambos da Marinha do Brasil. A Argentina entrará na operação com o navio de apoio logístico “Ara San Blas”. O navio mercante “Germania” foi afretado também para apoiar o desmonte da Comandante Ferraz.

A operação havia sido anunciada pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, e pelo comandante da Marinha, almirante Julio Moura Neto, durante a abertura da XXIII Reunião de Administradores de Programas Antárticos Latino-Americanos (Rapal), ocorrida no Rio. “Com o término do inverno no continente, nossos navios partem para iniciar os trabalhos de desmontagem das partes da base afetadas pelo fogo, com pleno respeito às regras de proteção ambiental”, explicou Amorim.

Os módulos emergenciais transportados para a Antártica ficarão instalados no heliponto da base brasileira, situado na Ilha Rei Jorge. Tal medida será possível porque existem locais para pousos e decolagens de aeronaves. Esses módulos abrigarão parte dos pesquisadores brasileiros. Outra parte ficará na Base Câmara, unidade pertencente à Argentina. O país vizinho, que já colaborara com auxílio emergencial durante o incêndio em fevereiro, cedeu o espaço para abrigo de pesquisadores brasileiros e de parcela do chamado grupo-base, constituído pelos militares da Marinha responsáveis pela manutenção e logística do Programa Antártico.

De acordo com Celso Amorim, todas as providências estão sendo tomadas para permitir que as obras da nova base antártica brasileira iniciem em novembro de 2013. A expectativa é de que o projeto arquitetônico seja aprovado por meio de concurso a ser organizado em 2013, provavelmente pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Em seguida, acontecerá uma concorrência internacional para a escolha da empresa que vai executar o trabalho (projeto executivo) de reconstrução da base antártica.

Operação Antártica

A Operação Antártica terá também 18 projetos apresentados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI). A lista inclui os projetos aprovados para serem desenvolvidos na base Comandante Ferraz. No bojo da pesquisa, os profissionais que seguem para a região também contarão com o apoio dos navios que se deslocam para o Polo Sul.

O trabalho contará com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Técnicos do MMA farão a análise de impacto ambiental do desmonte da base. Já a Força Aérea Brasileira (FAB) atuará na operação com o emprego de aviões C-130. As aeronaves vão fazer dez voos.

Os projetos

De acordo com o MCTI, os projetos incluídos no Operantar XXXI abordam temas gerais e multidisciplinares, entre os quais: Antártica, Mudanças Globais e conexões com a América do Sul; Ecossistemas, biodiversidade e impactos antrópicos; Mudanças climáticas passadas, atuais e futuras; Compreensão da biodiversidade antártica, evolução e ecologia; Observação e modelagem do oceano, gelo, atmosfera e criosfera; e Exploração e modelagem da dinâmica do gelo e ambientes de subgelo.

Atualmente, segundo o MCTI, o país vem conduzindo pesquisas na Antártica sob o foco de dois institutos nacionais e ciência e tecnologia: INCT da Criosfera e INCT Antártico de Pesquisas Ambientais. O Proantar apoia também outros projetos nacionais, em cooperação internacional, nas áreas de ciências da terra, ciências da vida, ciências físicas e desenvolvimento e inovação tecnológica.

Os projetos incluídos na operação são iniciados tão logo o navio polar “Almirante Maximiano” deixa o porto do Rio de Janeiro. No retorno do navio ao Brasil, os pesquisadores também desenvolvem alguns trabalhos. No período da realização dos projetos, os pesquisadores se dividirão entre o navio polar, acampamentos e também utilizarão os refúgios já existentes na estrutura brasileira do Programa Antártico, localizados na Ilha Rei George e na Ilha Elefante. Nações como Chile, Uruguai e Argentina irão prestar apoio para o desenvolvimento de algumas atividades de pesquisa.

Participam desta edição da Operação Antártica profissionais das seguintes universidades: Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ; Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ; Universidade Federal Fluminense/UFF;Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira/IEAPM; Universidade de São Paulo – Instituto Oceanográfico/IO – USP; Instituto de Química – Universidade de São Paulo/IQUSP; Universidade Federal do Rio Grande/FURG; Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Centro Polar e Climático/UFRGS; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais/INPE; Universidade Federal do Pampa/UNIPAMPA; Universidade do Vale do Rio dos Sinos/UNISINOS; Universidade Federal do Paraná/UFPR; e Universidade Federal de Viçosa MG/UFV.