28 de Setembro, 2012 - 13:00 ( Brasília )

Os objetivos da Marinha russa no Ártico - das viagens à criação de bases


As recentes manobras da Frota do Norte nos mares de Barents e de Kara, a viagem do cruzador Piotr Veliki à parte oriental do Oceano Glacial Ártico e as manobras em preparação da Frota do Pacífico na zona junto ao Ártico são um indicador da retoma da presença permanente da Rússia no Ártico.

A Rússia está claramente a assumir uma presença mais ativa para além do círculo polar.

Neste momento, todos os países adjacentes ao Ártico pensam no reforço e na modernização da sua infraestrutura militar na região. Não é só a Rússia a efetuar manobras de envergadura, também o fazem os países da OTAN. Há que salientar que aqui a Rússia tem determinadas vantagens: possuindo a Rota Marítima do Norte, a maior frota de navios quebra-gelos e um grande dispositivo militar, cuja espinha dorsal é a Frota do Norte, ela tem o maior poderio militar e as mais importantes capacidades de transporte nessa região. Além disso, as possessões árticas da Rússia são as mais povoadas. Na região polar da Rússia, por exemplo, vivem mais pessoas que nos territórios para além do Círculo Polar Ártico de todos os outros países juntos, enquanto que Murmansk e Norilsk ocupam o primeiro e o segundo lugar, respetivamente, como as cidades árticas mais populosas.

No entanto, fora dos limites de algumas zonas mais ou menos ocupadas, a região Ártica russa é tão despovoada como as ilhas do arquipélago ártico canadiano. Essa situação representa uma potencial fonte de problemas num cenário em que o potencial de recursos e de vias de comunicação do Ártico atraem cada vez mais atenções. Isso é especialmente importante em relação à Rota Marítima do Norte, a sua exploração em pleno, que se vai tornando possível devido ao progressivo degelo que se verifica no Polo, será bastante dificultada pela ausência de uma infraestrutura costeira.

O desenvolvimento de uma infraestrutura militar na região polar, já só por si necessária, nestas condições poderá vir a ser um meio real para um novo arranque do desenvolvimento integrado da região. Se o Ministério da Defesa da Rússia conseguir recriar o sistema de bases e de apoio à navegação ao longo da Rota Marítima do Norte, já se poderá então desenvolver os projetos civis. Todos eles, considerando a especificidade da região e os custos dos trabalhos envolvidos, ainda em fase de estudo se devem integrar intimamente com os respetivos trabalhos dos militares: a Rússia não se pode permitir criar duas infraestruturas árticas, a civil e a militar, independentes. Quanto ao papel do Ártico no potencial defensivo do país, a instalação nessa região de forças navais e aéreas seria um trunfo importante no caso de a Rússia e os EUA não conseguirem chegar a um consenso relativamente à instalação do sistema de DAM.