13 de Julho, 2012 - 11:11 ( Brasília )

Voz da Rússia explica o porquê da Marinha de Guerra russa navegar no Atlântico, Mediterrâneo e Mar Negro.


Ilya Kramnik

O fato de diversos vasos de guerra russos terem iniciado misões de navegação em mares distantes das costas russas tem gerado uma autêntica onda de especulações na imprensa à volta do tema Os russos vão para a Síria. Seja como for, tentemos explicar tal agitação, que já era esperada.

Altura houve em que as navegações a grandes distâncias constituíam um regime normal de funcionamento da Marinha na URSS. No Atlântico, no mar Mediterrâneo, nos Oceanos Índico e Pacífico, se encontravam dezenas de vasos de guerra, embarcações de apoio e submarinos, prestando o serviço "na zona do Ocidente". Perdendo um pouco em intensidade de ações e em dinâmica ao adversário principal – os EUA – a Marinha de Guerra soviética, a partir dos anos 60 do século passado, atuava com êxito sendo um fator de peso nos oceanos. O serviço militar constante permitia manter as Marinhas em excelentes condições.

Hoje em dia, a realidade é diferente: após dezenas de anos de inação forçada e de redução das forças, a concentração de navios russos tem causado surpresa e, por vezes, irritação. Ao mesmo tempo, é evidente que este tipo de missões de navegação e, futuramente, a permanência da Marinha da Rússia em zonas de importância vital devem voltar a fazer parte do serviço das Marinhas.

A esquadra russa, integradapor 10 - 19 vasos de guerra e de apoio, sem contar com os submarinos, deverá efetuar uma série de manobras no Oceano Atlântico e nos Mares Mediterrâneo e Negro.

No contexto de acontecimentos mais recentes na Síria, convém apontar para a participação de 3-5 navios de desembarque que, teoricamente, podem transportar reforços para a base naval russa de Tartus, ou participar na retirada do pessoal russo e de equipamentos. Mas, ao que tudo indica, a maior tarefa da Marinha consiste em "monstrar o estandarte" naquela região pouco tranquila a fim de impedir qualquer ingerência externa na Síria.

A maior parte de vasos de guerra que se juntam em manobras tem uma idade avançada, podendo alguns, nos próximos 10-15 anos, ser desalistados. Os sucessores estão ainda em construção. Trata-se de fragatas e corvetas de nova geração, navios de desembarque tipo Mistral e novas embarcações do projeto 11711. No entanto, uma Marinha eficiente tem que se basear em serviço de tripulações bem preparadas e qualificadas, o que implica a realização de manobras constantes e operações reais. Entre estas últimas, cumpre destacar a presença permanente de um pequeno destacamento de navios de guerra da Rússia na região do Corno Africano.

As missões oceânicas, que se tornam mais frequentes, levam-nos a crer que em breve a Rússia poderá contar com um número suficiente de marinheiros qualificados que sejam capazes de cumprir missões importantes. À luz disso, políticos e colunistas estrangeiros terão de se acostumar ao novo papel ativo que Marinha russa irá desempenhar, constituindo este um fator importante no quadro político mundial.

Fonte: Voz da Rússia