05 de Março, 2012 - 13:22 ( Brasília )

Governo quer Samsung no controle do Estaleiro Atlântico Sul


Cristiano Romero e Carlos Prieto


Com o aval da presidente Dilma Rousseff, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, está negociando nos bastidores a troca do controle acionário do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), localizado no Porto de Suape, em Pernambuco. O plano é fazer com que a coreana Samsung Heavy Industries compre a participação dos outros sócios ou adquira o suficiente para ter o controle acionário da empresa.

Inaugurado em 2005, o estaleiro é o maior do Brasil, com capacidade para processar 160 mil toneladas/ano de aço, e tem como principais sócios os grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Embora seja a responsável pelo know-how do projeto, a Samsung detém hoje participação pequena no estaleiro - 6%. O quarto sócio da empresa é a PJRM Empreendimentos.

O governo decidiu forçar a mudança do controle do Estaleiro Atlântico Sul por considerar que a empresa, um símbolo do renascimento da indústria naval brasileira, não está conseguindo atender a demanda da Petrobras. O EAS tem 22 navios contratados com a Transpetro, empresa controlada pela Petrobras, dos quais em construção efetiva existem apenas quatro. As encomendas da estatal ao estaleiro totalizam carteira de projetos estimada em R$ 7 bilhões.

A presidente Dilma, que trocou recentemente o comando da Petrobras, está preocupada com o baixo desempenho da estatal, que, nos últimos dois anos, perdeu a autossuficiência na produção de petróleo. "A velocidade da produção de petróleo não está acompanhando a velocidade do consumo", observa um auxiliar da presidente.

Dilma deu carta branca à Graça Foster para negociar mudanças no controle acionário do EAS. Quando a sociedade que deu origem ao estaleiro foi montada, os sócios brasileiros impediram que a Samsung tivesse participação maior. Além de deter tecnologia de ponta, a empresa coreana é uma das lideres mundiais em construção naval. Seu estaleiro na Coreia do Sul tem capacidade para processar 600 mil toneladas de aço por ano, quase quatro vezes a capacidade do EAS.

Os sócios resistem a mudanças, mas o governo vai insistir. Procuradas, a Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão disseram que não comentariam o assunto. O EAS nega a transferência do controle, mas informou que a colaboração dos coreanos foi recentemente "reforçada com a chegada de novos profissionais".