24 de Novembro, 2011 - 12:50 ( Brasília )

PROSUPER - UK Mira o Brasil

O Ministro de Defesa para as áreas de Estratégia e Segurança Internacional da Inglaterra, Gerald Howarth fala do PROSUPER, Haiti e outros assuntos ao DefesaNet.

Rafael Sayão
Correspondente Defesa Especial para DefesaNet


Anualmente as Forças Armadas de Brasil e Inglaterra realizam um encontro com representantes de seus respectivos Estados-Maiores, que visa principalmente a manutenção dos laços de relacionamento e atividades em comum. Esse ano, pela primeira vez, o encontro foi elevado a um caráter ministerial, reunindo autoridades dos ministérios da Defesa de ambos os países.

A comitiva britânica foi encabeçada pelo Ministro de Defesa para as áreas de Estratégia e Segurança Internacional, Gerald Howarth. Foram discutidos nesse encontro as experiências e lições de operações de paz, principalmente na atuação brasileira no Haiti. Também houve conversas para ser acertada uma cooperação nas áreas industrial e de ciência e tecnologia. Na sequência desse evento o ministro Howarth encontrou-se com o ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, para quem demonstrou o interesse do governo britânico em ter o Brasil como importante parceiro na área de Defesa.

Após, no último dia 10 de novembro, Gerald Howarth esteve com assessores e membros da comitiva no consulado britânico do Rio de Janeiro e falou brevemente com DefesaNet.
O principal assunto foi o PROSUPER, a renovação da frota de superfície da Marinha do Brasil. Howarth confirmou que houve conversas sobre esse tema com as autoridades brasileiras, e deixou claro que o interesse da Inglaterra é, mais do que vender navios, oferecer uma oportunidade de parceria entre os dois países, em áreas (dentro do escopo da Marinha) onde exista sinergia. – Nós não estamos vendendo fragatas, nós estamos propondo um conceito de parceria – citou Howarth. Há a consciência de que esse é um assunto de alta relevância e que deve ser tratado tanto no campo comercial quanto no campo diplomático, com o engajamento dos governos na articulação de parcerias de vulto. É interessante notar o fato de que, nos encontros do ministro Howarth com representantes do governo brasileiro, não houve nenhuma conversa por parte da Marinha ou dos britânicos sobre a aquisição de meios usados da Royal Navy.

A concorrente britânica nesse programa é a BAE Systems, que oferece as fragatas Type 26 para substituir as atuais escoltas da MB. Esse projeto, pertencente ao programa Global Combat Ship (GCS) e ainda em desenvolvimento, foi idealizado visando criar um desenho comum que pudesse ser adaptado de acordo com as diferentes necessidades de cada marinha elencada pela companhia como possíveis parceiras, além da Royal Navy.

Apesar de já ter sido apresentado à Marinha do Brasil há aproximadamente um ano, ainda há tempo para que ela se junte ao processo de definição do desenho básico do navio, incluindo nele suas necessidades. Segundo o Comodoro Simon Kings, Chefe de Meios de Superfície (Head of Above Water Capability) do Ministério da Defesa britânico e responsável pelo GCS, “a Royal Navy está próxima de escolher o que seriam as linhas gerais do navio. Porém, esse é um desenho básico facilmente modificável graças a técnicas de construção modular. Nos próximos dois anos nós estaremos na fase de definição dos detalhes, e ainda há bastante espaço para parceiros se juntarem a nós e trabalharem esse desenho básico”.

Dentro dessa premissa, um dos itens que levanta questionamentos é justamente o fato da Type 26 existir somente como um conceito, ainda com alguns anos pela frente para se tornar operacional. Respondendo a isso, o Comodoro Kings acrescentou que, diferente do programa da Type 45, boa parte dos sistemas da Type 26 serão inicialmente testados nos navios da classe Type 23. Radares e sistemas de mísseis, por exemplo, equiparão os navios já em operação na Royal Navy antes de serem integrados ao GCS, reduzindo os riscos dessa integração e o tempo para tal.

Com relação à transferência de tecnologia, Gerald Howarth salientou que não há necessidade de se provar a capacidade da Inglaterra em fornecer sua expertise, já que na Índia ela já colabora com o governo local na construção de navios de guerra. – Existe um grande aumento no interesse das empresas da área de defesa em se se envolverem no Brasil. Elas entendem o conceito de parceria e transferência de tecnologia, é algo com o qual elas estão acostumadas, e estão encarando o desafio com muito entusiasmo. Grandes “players” britânicas do setor estão procurando parceiros para trabalhar no Brasil –, disse. Ele ressaltou que esse interesse não se restringe à concorrência do PROSUPER. Desde que ele começou a se envolver com as questões das relações entre Brasil e Inglaterra em Defesa, tem percebido um grande crescimento na vontade das empresas britânicas em se aliarem a empresas brasileiras para investirem no país.

Perguntado sobre o posicionamento brasileiro em relação às Ilhas Malvinas/Falklands, o ministro Howarth disse que o governo britânico é muito grato ao governo brasileiro pelo apoio nas questões humanitárias que envolvem a operação das forças inglesas no arquipélago (navios e aviões ingleses costumam utilizar portos e aeroportos brasileiros como ponto de apoio – para reparos e descanso de tripulações – quando em trânsito entre as ilhas e o Reino Unido) e entende as preocupações do Brasil em relação à geopolítica regional. Porém, deixa claro que rejeita completamente os clamores da
Argentina para reaver o conjunto de ilhas, ocupado definitivamente pelos ingleses no século XIX.

DefesaNet

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