21 de Novembro, 2011 - 10:38 ( Brasília )

LCS-2 - O lego que vai à guerra

A nova arma da Marinha americana é um navio com módulos que tem os equipamentos trocados de acordo com a missão a ser cumprida

Encontra-se em estágio de testes na Marinha dos Estados Unidos um novo tipo de navio destinado a ampliar fronteiras do poderio bélico americano. O USS Independence, ou LCS-2, tem uma vantagem estimável em relação às fragatas, tipo de embarcação que mais se aproxima de seu perfil. Com um calado de apenas 4,4 metros, ele é capaz de se aproximar de áreas costeiras pouco profundas. Com isso na batalhas, pode atacar com facilidade objetivos litorâneos e embarcações menores. Pode servir de base para helicópteros, aproximando-os o máximo possível dos alvos em terra. Entre suas funções está também detectar e desarmar minas subaquáticas colocadas próximo à costa.

Essas características conferem ao LCS-2 outra utilidade: combater traficantes que costumam agir em barcos de pequeno porte. Essa função foi recentemente testada com sucesso pelo LCS-1, versão anterior do navio, que, confundindo os traficantes por parecer diferente daqueles da guarda costeira, apreendeu 3 toneladas de cocaína no Caribe.

O LCS-2 tem uma série de novidades no design que tornam uma arma de combate única. A que mais chama atenção é que a própria Marinha americana chama de “efeito Lego” numa referencia ao famoso brinquedo de montar inventado na Dinamarca. No caso do LCS, as peças de Lego são enormes contêineres posicionados abaixo do convés. Neles são armazenados computadores, sensores e armamentos (o que inclui minisubmarinos não tripulados) para as diferentes missões que o navio é capaz de desempenhar .

De acordo com a necessidade, são facilmente instalados nos equipamentos do navio. Com auxílio de guindastes e empilhadeiras, a tripulação pode retirar e substituir os contêineres em 96 horas. Contêineres sobressalentes ficam estocados em navios cargueiros e portos espalhados por bases americanas ou de países aliados. No futuro podemos desenvolver novos contêineres para operações especiais, como as de salvamento, e multiplicar a capacidade dos LCS, disse a VEJA o oficial Christopher Johnson, porta –voz da Marinha americana americana para o projeto dos navios-Lego.

Nofim do ano, entra em fase de testes o terceiro integrante da família LCS, chamado de Fort Worth. Até 2040, a Marinha dos Estados Unidos pretende pôr em operação outras 52 embarcações desse tipo, um sinal de importância estratégica que confere a elas. O projeto desse navio nasceu em 2002, com a necessidade de substituir as velhas fragatas FFG-Oliver Hazard Perry, em operação desde1977. Com calado de 6,7 metros, elas tinham dificuldade em navegar nas águas rasas litorâneas. O LCS-2 também supera os antigos modelos em velocidade: alcança 45 nós ( 83 quilômetros por hora), contra 33 nós (60 quilômetros por hora) das fragatas.

Com estrutura em forma de trimarã (com três cascos), e construído em alumínio, ele também possui uma agilidade e estabilidade para realizar manobras súbitas, mesmo em alta velocidade. O LCS-2 foi contruído ao custo de 704 milhões de dólares. A Marinha americana estima que, no futuro, os exemplares não custarão mais que 400 milhões. Para efeito de comparação, um contratorpedeiro, a embarcação de guerra de porte imediatamente acima na escala naval bélica , custa pelo menos 1,3 de bilhão de dólares. “Com a família de embarcações LCS, os americanos saem na frente num momento em que a patrulha de áreas costeiras é cada vez mais necessária por causa do tráfico de drogas e do contabando”, diz o engenheiro naval Nishimoto , da Univercidade de São Paulo.