05 de Abril, 2016 - 09:00 ( Brasília )

Presidente vai a Salvador para cerimônia de incorporação do NDM 'Bahia'


Luana Almeida / Rayane Araújo
A Tarde / Salvador - BA

 

Nesta quarta-feira, 6, a presidente Dilma Rousseff e o governador Rui Costa participam da cerimônia de incorporação do Navio Doca Multipropósito (NDM) Bahia à frota da Marinha do Brasil. O ato será realizado na sede do Comando do 2º Distrito Naval, no bairro do Comércio, a partir das 11 horas.

Adquirido por meio de um acordo entre o governo brasileiro e francês, a embarcação atracou em Salvador desde o último domingo e vai substituir o ex-navio de desembarque-doca (NDD) Rio de Janeiro, que será desativado. A capital baiana é o primeiro porto brasileiro a receber o navio.

Após a abertura oficial, a embarcação será aberta para visitação. O público poderá conhecer as principais dependências do navio, por meio de visita guiada, das 14h às 17h, com entrada gratuita.

Projetado para transportar tropas, veículos, helicópteros e munição, a embarcação, que foi comprada por 80 milhões de euros, tem capacidade para operar em grandes áreas oceânicas e na proteção de plataformas marítimas de petróleo.

De acordo com o almirante de esquadra da Marinha Bento Costa, o navio poderá ser utilizado, ainda, para comando e controle de força-tarefa, operações aéreas, operações de paz - transporte de tropas e materiais -, assistência humanitária e hospitalar, resgate e apoio em casos de catástrofes naturais e no combate à pirataria.

"O navio-doca Multipropósito atende a diversas possibilidades no âmbito militar e de defesa civil. A compra é fruto de uma carência desse tipo de equipamento na Marinha", afirmou.

Após visitar Salvador, o navio seguirá para o Rio de Janeiro, onde ficará por cerca de três meses para a realização de testes e exercícios com tropas. A previsão é que, em meados do segundo semestre, ele seja utilizado para sua primeira missão oficial: o retorno de oficiais que se revezam nas forças de paz no Haiti.

Complexo hospitalar

Dentre os destaques da embarcação está o complexo hospitalar com 500 m² e 49 leitos, 23 deles para terapia intensiva, dois para isolamento e 24 de extensão. O hospital é o primeiro de grande porte montado em uma embarcação da Marinha brasileira.

O espaço de saúde comporta, ainda, a  recepção de 100 pacientes por dia e conta, também, com sala de curativos, laboratório e centro cirúrgico capaz de operar até seis cirurgias por dia.

"O acesso ao hospital pode ser realizado tanto por dentro da embarcação, tanto pelo convés de voo principal, o que permite que helicópteros de resgate realizem evacuações aeromédicas", explicou o capitão de corveta e chefe do grupo de saúde, Demóstenes Apostolides.

Um dos seis baianos a integrar a tripulação de cerca de 230 homens, o primeiro-sargento Miguel Ângelo conta sobre a emoção de retornar a Salvador a bordo do NDD.

"É gratificante mostrar aos meus conterrâneos o navio. É um prazer voltar à minha cidade natal. Considero essa como uma das maiores missões da minha carreira", afirmou.

Visita pública a navio da Marinha será iniciada dia 7

O Navio Doca Multipropósito (NDM) 'Bahia' - adquirido por meio de um acordo entre o governo brasileiro e francês - chegará a Salvador neste domingo, 3.

Antes de seguir para a sede da esquadra, no Rio de Janeiro, haverá uma cerimônia oficial de apresentação no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Salvador,  na Avenida da França, no Comércio.

A solenidade será realizada dia 6 de abril, às 9h30. No dia 7, será aberta visitação ao público, das 14h às 17h30, no mesmo local do evento, conforme informou, em nota, a assessoria do 2° Distrito Naval. Quem  for visitar a embarcação terá a oportunidade de conhecer os conveses.

Conforme o capitão de corveta do 2° Distrito Naval Flávio Almeida, o NDM vai substituir o ex-Navio de Desembarque-Doca (NDD) 'Rio de Janeiro' e permitirá a passagem para a reserva do NDD 'Ceará', que vem operando além de sua vida útil.

O capitão de corveta Flávio Almeida observou que o diferencial do NDM 'Bahia' reside na sua ampla variabilidade de uso, o que justifica a sua classificação como Navio Doca Multipropósito.

A principal tarefa do 'Bahia' será levar tropas e equipamentos para navios que estão distante de suas bases originais, além de dar apoio por meio de suprimentos para áreas de desastres ambientais. "Ele se destaca por ser um navio de grande porte que tem capacidade para transportar uma expressiva quantidade de carga", explicou o  capitão Flávio.

Homenagem

O nome NDM 'Bahia' não foi  escolhido sem propósito. Conforme informou a assessoria de Comunicação do 2° Distrito Naval, trata-se de uma homenagem ao estado que carrega um grande significado histórico e foi o local de chegada dos primeiros portugueses que vieram ao nosso país.

Além disso, a Bahia está localizada no centro geográfico do litoral brasileiro, o que facilita o deslocamento e atuação de forças navais para o Norte/Nordeste ou para o Sul do país.

"Assim, a capital baiana será o primeiro porto brasileiro que o NDM 'Bahia' irá visitar, em sua primeira viagem pelo território nacional", frisou o capitão.

Um complexo hospitalar de 500 m², capaz de oferecer atendimento médico-odontológico, faz parte da embarcação, o que auxilia em situações de busca e salvamento.

A Marinha do Brasil possui 103 navios, dentre os quais 28 navios e submarinos fazem parte da Esquadra Brasileira, sediada no Rio de Janeiro. Na Bahia, o total é de nove embarcações, que são coordenadas pelo Comando do 2º Distrito Naval.

O investimento realizado para a transferência do navio NDM 'Bahia' foi de aproximadamente 80 milhões de euros.

Embarcação custou seis milhões de euros ao Brasil

Antes de ser incorporado à Marinha brasileira, o Navio Doca Multipropósito, projetado em 1999 pela Marinha francesa, passou por uma série de intervenções. A reforma, realizada pela empresa francesa que projetou a embarcação, custou cerca de seis milhões de euros ao Brasil.

O custo foi utilizado para a realização de incrementos para aumentar a vida útil do navio. “Trata-se de uma embarcação que é considerada nova. Um navio desse porte pode ser utilizado por até 30 anos. Com as intervenções, esse período aumenta para 40 anos”, explicou o almirante de esquadra da Marinha Bento Costa.

O navio tem como lema “Gigante por natureza, imponente por destino”, ganhou o nome de Bahia em uma homenagem ao estado. “A Bahia abrigou importantes  passagens épicas da história da Marinha”, disse.

Histórico

Antes de ser adquirido pela Marinha brasileira, era denominado TCD Siroco, na França. A embarcação coleciona um histórico de missões, sobretudo de paz e de ações antipirataria.

A primeira atuação importante da embarcação foi em 1999, em ações contra invasores da costa leste e oeste da África. No mesmo ano, participou da evacuação de civis em situação de perigo no Timor Leste e, em 2006, no Líbano. E 2010, prestou serviços hospitalares a vítimas do terremoto no Haiti.