24 de Julho, 2015 - 00:30 ( Brasília )

NPqHo Vital de Oliveira Entregue à Marinha do Brasil

A Marinha do Brasil recebeu oficialmente o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico (NPqHo) Vital de Oliveira.


O Ministro da Defesa, Jaques Wagner, e o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, e o comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, participaram, na quinta-feira (23 Julho 2015), da cerimônia de entrega do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico (NPqHo) “Vital de Oliveira”.

O navio, adquirido por meio de um Acordo de Cooperação firmado entre o Ministério da Defesa (MD), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS) e a VALE S.A., foi incorporado à Marinha do Brasil (MB) em março deste ano, em cerimônia ocorrida em Singapura, e chegou ao Brasil no último dia 15.                                  
Lançado ao mar em setembro do ano passado, o NPqHo “Vital de Oliveira” será empregado no monitoramento e caracterização física, química, biológica, geológica e ambiental de áreas oceânicas estratégicas para a exploração de recursos naturais, com ênfase nos recursos minerais, óleo e gás, ampliando a presença brasileira no Atlântico Sul e Equatorial.
 
Para tanto, o navio é dotado de 28 equipamentos científicos que proporcionam a capacidade de um melhor conhecimento das riquezas da “Amazônia Azul”.

A gestão do “Vital de Oliveira” será coordenada por um Comitê com representantes dos MD (por meio da MB), MCTI, PETROBRAS e VALE, e tem por finalidade coordenar as atividades e maximizar a eficiência do seu emprego em prol do desenvolvimento de pesquisas científicas no meio ambiente marinho, bem como organizar os projetos a serem conduzidos a bordo do navio. O investimento realizado para a aquisição do navio foi de R$ 162 milhões (sendo, R$ 70 milhões da PETROBRAS, R$ 38 milhões da VALE, R$ 27 milhões do MCTI e R$ 27 milhões da MB).

Na oportunidade, os Ministros também visitarão o Navio-Escola “Brasil”, onde participarão da cerimônia de despedida do navio que realizará a 29ª Viagem de Instrução de Guardas-Marinha. O objetivo da viagem é reforçar a instrução prática aos Guardas-Marinha nas áreas de navegação, armamento, comunicações, eletrônica, máquinas, operações, administração naval, embarque e carregamento.

Características Principais:

- Comprimento - 78 metros;
- Boca - 20 metros;
- Deslocamento Máximo - 4.200 toneladas;
- Calado Máximo - 6,3 metros;
- Autonomia - 30 dias;
- Raio de Ação - 7.200 Milhas Náuticas;
- Velocidade de Cruzeiro - 10 nós;
- Velocidade Máxima - 12 nós;
- Tripulação - 90 militares; e
- Passageiros - 40 cientistas.

Equipamentos Científicos:

- Ecobatímetros Multifeixe (águas rasas e profundas);
- Ecobatímetro Monofeixe;
- Perfilador de Subfundo;
- Sonares de Varredura Lateral;
- Perfiladores de Corrente (ADCP);
- CTD/Rossette, U-CTD, XBT, Perfilador contínuo de propagação da Velocidade do Som na água;
- Veículo Operado Remotamente (ROV) até 4.000m;
- Amostradores e testemunhador geológico;
- Estação Meteorológica Automática;
- Medidores de Ondas e Correntes;
- Gravímetro e Magnetômetro;
- PCO2, Plâncton e Salinômetro; e
- Lanchas Hidrográficas com ecobatímetro multifeixe.
-Veículo de Operação Remota (ROV –- sigla em inglês) tem capacidade para chegar a 4 mil metros de profundidade.

 
A Visão Estratégica
 
Por ser equipado com o que há de mais moderno em termos de tecnologia, o navio representa importantes avanços para o país. Isso porque os recursos disponíveis podem auxiliar o pleito do Brasil junto a Comissão de Limites da Organização das Nações Unidas (ONU) no sentido de ampliar o limite exterior da área marítima, na qual o Brasil detém os direitos de soberania para a exploração de recursos naturais.

A embarcação também apresenta habilidade especial para realizar pesquisas de busca de nódulos metálicos no fundo do mar, além da localização de petróleo e gás em superfícies bem inferiores, como é o caso da camada pré-sal e da exploração de recursos minerais em águas profundas como a Zona Econômica Exclusiva (ZEE).

Durante a cerimônia, Jaques Wagner disse que apostar na tecnologia, pesquisa e inovação oceanográfica aumenta o poder e a soberania do país. "É a aplicação da tecnologia e do conhecimento do mar na defesa nacional", destacou o ministro que reconhece o ganho inestimável para a pasta.

“O navio impulsiona nosso poder de dissuasão porque trabalha com oceanografia física que mede a temperatura da superfície do mar, qualidade e suas propriedades, facilitando, por exemplo, missões com submarinos””, acrescentou Wagner.

Acompanhado do ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, Jaques Wagner percorreu os cinco laboratórios do navio e conheceu o robô (ROV) que pode descer até 4 mil metros de profundidade.

Uso dual

Todas as diversas funções e capacidades do navio têm uso dual, ou seja, tanto servirão para assegurar a proteção das riquezas das jurisdições marítimas pertencentes ao Brasil, como poderão ser utilizadas em diversos setores, como no caso da pesca, meteorologia, exploração de recursos minerais, preservação do meio ambiente, entre outras.

Os dados inseridos nas cartas náuticas além de auxiliarem na navegação, provocam impactos na economia do país, refletindo no custo Brasil. Os registros coletados por navios de pesquisas podem atingir, por exemplo, as empresas seguradoras que fazem transportes de mercadorias para o país, pois dependendo, o frete das mercadorias, pode aumentar ou diminuir, refletindo diretamente no preço final para o consumidor.

O comandante do navio, capitão-de-fragata Aluízio Maciel de Oliveira Júnior, disse que a ampliação da pesquisa no mar vai resultar em mais riquezas e uma mudança total nos rumos do estudo oceanográfica brasileiro.“

Ao conhecer o grupo de pesquisadores já embarcados no navio, o ministro da Defesa foi informado sobre as amostras recolhidas e que as geladeiras já possuem material para dar início às novas pesquisas.

"É orgulho saber que estamos na primeira linha da pesquisa oceanográfica, e mesmo com o pré-sal ainda temos muito a pesquisar para abrir novas vertentes", afirmou o ministro da Defesa, que na ocasião, cumprimentou o chefe dos pesquisadores, professor Moacir Araújo, e pediu que os estudos fossem aplicadas no cotidiano e na economia.

O almirante Leal Ferreira reforçou a importância do navio para a Marinha e comunidade científica. “”O Vital de Oliveira irá atuar em áreas oceânicas estratégicas ampliando a presença brasileira no Atlântico Sul e Equatorial””, ressaltou. Com 28 equipamentos científicos, o Navio possui maior capacidade de pesquisas e exploração das riquezas da “Amazônia Azul”.

Por que “Vital de Oliveira”?

O Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira” - H 39, é o terceiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil, em homenagem ao Capitão-de-Fragata (post-mortem) Manuel Antônio Vital de Oliveira, morto na Guerra do Paraguai, em 2 de fevereiro de 1867, no bombardeio a Curupaiti, a bordo do Monitor Encouraçado Silvado, do qual era Comandante.
       
Manoel Antonio Vital de Oliveira nasceu em Recife, no dia 28 de Setembro de 1829. Na paz, foi o homem de estudos, um marinheiro a serviço da ciência; na guerra foi o homem de ação pronta.
       
Seus trabalhos hidrográficos correram o mundo. A França o condecorou com a Legião de Honra; Portugal, com a Ordem de Cristo, e a Itália, com a Ordem de São Maurício e São Lázaro.
       
Do Brasil, além das suas promoções por merecimento, recebeu as insígnias de Oficial da Imperial Ordem da Rosa, de Cavalheiro de Cristo e de São Bento de Aviz; os títulos de sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, do Instituto Politécnico Brasileiro, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional; foi considerado sócio auxiliador do Instituto Episcopal; sócio honorário da Associação Comercial Beneficente de Pernambuco e sócio correspondente do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco.
       
Vital de Oliveira deu tudo quanto pode um homem dar ao seu país: inteligência, cultura, dedicação, seu sangue e a sua própria vida.