10 de Junho, 2011 - 10:39 ( Brasília )

Marinha - 11 de Junho - Ordem do Dia

146º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo – Data Magna da Marinha

Assunto: 146º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo – Data Magna da Marinha

No dia 11 de junho de 1865, destemidos brasileiros protagonizaram um dos maiores feitos da nossa história: a vitória na Batalha Naval do Riachuelo, o que concorreu, decisivamente, para o desfecho favorável na Guerra da Tríplice Aliança.

As hostilidades, que culminariam com aquele embate, haviam começado em 1864, quando ocorreu a invasão das províncias de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Naquele tempo, os navios da Esquadra eram inadequados para a região do conflito, onde os rios, pouco profundos, exigiam barcos com pequeno calado.

O Almirante Joaquim Marques Lisboa, Comandante-em-Chefe da Esquadra, então Visconde de Tamandaré e que, mais tarde, se tornaria o Patrono da Marinha, atribuiu a tarefa de realizar o bloqueio dos Rios Paraguai e Paraná, a fim de cortar a principal linha de apoio logístico do adversário, ao Chefe-de-Divisão Francisco Manoel Barroso da Silva, o qual, mesmo com todas as dificuldades, conseguiu retomar a cidade argentina de Corrientes, importante posição para o cumprimento da missão, fundeando o seu grupo-tarefa nas proximidades.

Assim, naquela manhã do dia 11, o inimigo, armado com oito naus, seis barcaças artilhadas a reboque e dispondo de tropas e canhões ao longo da margem esquerda do Rio Paraná, o que constituía uma enorme vantagem em relação às nossas embarcações, cujos cascos eram de madeira, decidiu desfechar o seu ataque, visando interromper a obstrução imposta, sendo travado um combate decisivo para ambos os contendores.

Graças às suas coragem, iniciativa e perspicácia, o Almirante Barroso conseguiu contrapor-se à investida do oponente, infringindo-lhe pesadas baixas e obrigando-o a bater em retirada. Na luta sangrenta e cruel, evidenciaram-se diversos atos de bravura e de amor à Pátria, inclusive com o sacrifício da própria vida, como aconteceu com o Guarda-Marinha Greenhalgh e o Imperial Marinheiro Marcílio Dias.

Hoje, cabe-nos relembrar as passagens valorosas de Riachuelo, reafirmando a crença e o compromisso com os exemplos que nos foram legados por aqueles que, há 146 anos, lutaram, com suprema dedicação, pela integridade territorial.

Na atualidade, a conjuntura geopolítica mudou e a Marinha vem acompanhando as transformações, estando comprometida com os anseios de uma Nação moderna e significativamente mais atuante no cenário internacional, o que tem exigido, de seu pessoal, a mesma motivação e adaptabilidade dos marinheiros daquela época que, apesar de não disporem de meios adequados, lograram superar os óbices que se apresentaram.

Se as distâncias físicas entre os países permanecem inalteradas, o mesmo não se pode afirmar acerca da maior interconectividade de seus povos, fato extremamente contemporâneo. Para atuar nesse novo ambiente, a nossa Instituição vem se desenvolvendo, revendo paradigmas e criando outros; contudo, sem se esquecer dos ensinamentos do passado, que representam o arcabouço do que somos e que indicam a trajetória que devemos seguir para atingir o que pretendemos ser.

A Marinha do presente continua empenhada em sempre se aproximar da sociedade, enfatizando as potencialidades e as riquezas das nossas águas jurisdicionais e mostrando a necessidade de dispor de uma Força Naval atualizada, equilibrada e balanceada, de porte compatível com suas responsabilidades constitucionais, que esteja à altura da estatura do País e seja capaz de garantir os seus interesses na conhecida “Amazônia Azul”.

O Brasil vem desempenhando um papel relevante no mundo. Temos recursos minerais abundantes, diversos deles localizados na Plataforma Continental e alguns com significativo valor estratégico; possuímos condições climáticas favoráveis à produção de alimentos; e detemos grandes reservas de água potável. Isso nos leva a visualizar um futuro promissor, aliando desenvolvimento econômico com preservação ambiental; garantindo a melhoria das condições sociais das pessoas; e investindo em independência científico-tecnológica. Por outro lado, não podemos descartar a possibilidade de surgirem movimentos espúrios, contrários à consecução dessa destinação nacional. Daí a importância de contarmos com um Poder Naval que, efetivamente, contribua para a dissuasão e para a garantia da soberania.

Dentro desse enfoque, cabe-me ressaltar que o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) já é uma realidade, tendo a construção do primeiro deles sido iniciada em 2010, além das obras da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas, da Base e do Estaleiro, em Itaguaí, estarem em pleno andamento e cumprindo o cronograma estabelecido, o que permite antever que, em alguns poucos anos, faremos parte do seleto grupo das cinco nações capazes de construir e operar submarinos com propulsão nuclear.

Meus comandados!

No momento em que comemoramos a nossa Data Magna, devemos relembrar as lições que nos foram transmitidas pelos heróis de Riachuelo e somar esforços no sentido de alcançarmos a Marinha que o Brasil necessita e que tanto desejamos.

Por fim, ao hastearmos os sinais de Barroso nos mastros dos navios e das Organizações Militares em terra, devemos exaltar a memória daqueles que defenderam a Pátria em 11 de junho de 1865 e que, assim como os marinheiros de hoje, viram nos desafios, não obstáculos, mas motivação para continuarem seguindo sempre adiante.
 

JULIO SOARES DE MOURA NETO
Almirante-de-Esquadra 
Comandante da Marinha