28 de Setembro, 2013 - 10:04 ( Brasília )

Operação Felino: ministro Amorim assiste a exercício militar da CPLP e reforça a importância de laços entre os países


Itaóca (ES), 27/09/2013 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, esteve nesta quinta-feira (26), na área de apoio administrativo da Marinha do Brasil, em Itaóca, no Espírito Santo, onde assistiu ao exercício militar da “Operação Felino”, que envolveu os Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf) da Armada brasileira.

A operação, que começou no dia 16 de setembro, foi comandada pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), do Ministério da Defesa, em conjunto com as Forças Armadas das nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em uma Força Tarefa Conjunta e Combinada (FTCC).

O ministro destacou que a operação militar serve para estreitar as relações entre os países de língua portuguesa. “A língua é um importante meio de aproximação e esta atividade serve para cooperações bilaterais”, enfatizou Amorim.

Ainda segundo o ministro, a “amizade entre os povos de língua portuguesa é profunda e de confiança”. Celso Amorim elogiou a qualidade dos exercícios e declarou que a visita servia, para ele, como mais um aprendizado enriquecedor. O ministrou lembrou que em 1989 participou das primeiras tratativas para a criação da CPLP.

Amorim conheceu as instalações da “Base Felina”, no Espírito Santo, que segue os moldes da brasileira, “Rachel de Queiroz”, no Haiti. Cerca de 230 militares da “Operação Felino” embarcarão, em novembro, para a missão de paz no Haiti.

Na visita, o ministro da Defesa estava acompanhado do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi; do comandante de Operações Navais, Luís Fernando Palmer Fonseca; do comandante da Força Tarefa Conjunta Combinada (FTCC) da “Operação Felino”, almirante Paulo Zuccaro; do coordenador da Operação, almirante Washington Gomes da Luz Filho, além dos chefes de Estados-Maiores dos países membros da CPLP.


OPERAÇÃO FELINO

Palavras do Ministro da Defesa durante visita à área de exercícios anfíbios da Operação Felino, realizada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
Itaóca, 26 de setembro de 2013

É uma satisfação muito grande estar com todos neste almoço, representantes de Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Infelizmente não podemos ainda contar com a presença de Guiné Bissau.

Esperamos que em breve as condições lá se modifiquem para melhor e nos permitam trazer Guiné Bissau para esse nosso convívio da família dos países de língua portuguesa.

Eu dizia mais cedo para a imprensa que a língua é um fator muito importante de aproximação.

Nós falarmos a mesma língua já é um fator de proximidade muito grande, já nos torna a mesma família.

Eu tive a felicidade de participar, muitos anos atrás, das primeiras tentativas de criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa: em 1989, quando o Presidente Sarney fez a primeira reunião de presidentes dos países de língua portuguesa em São Luís do Maranhão; depois, trabalhei intensamente como Ministro do Governo Itamar, em várias ocasiões; e também como embaixador na ONU.

E fico muito feliz de ver como, desde então, essa dimensão militar da CPLP progrediu, de maneira notável e concreta.

O que eu vi e ouvi hoje, aqui, me permite dizer sem nenhum exagero que há uma cooperação efetiva que nos aproxima e nos prepara para eventualidades como essa, concebida como uma situação fictícia, mas que pode algum dia ocorrer na prática.

É claro que, em uma situação prática, nós talvez tenhamos que colocar outros atores, países e organizações regionais ou internacionais que de alguma maneira estarão presentes.

Como foi destacado pelo nosso Capitão de Mar e Guerra, que fez a exposição, o relacionamento pessoal também é extremamente importante.

Além da relação multilateral que nós temos como membros da CPLP, essa atividade conjunta cria também um grande número – nós teríamos até que fazer uma análise combinatória para saber quantos – de cooperações bilaterais e trilaterais que são de grande valia.

É claro que a amizade entre nossos povos e países é profunda, que as nossas relações econômicas e culturais têm crescido muito.

Mas a dimensão da defesa é extremamente importante.

Estamos falando de uma área absolutamente central da soberania dos Estados e da inserção dos Estados nas relações internacionais.

Por isso, sermos capazes de cooperar nessa área é revelador da existência de uma confiança mútua, e é também propiciador de um aprofundamento dessa confiança.

O que eu pude assistir hoje comprova isso e demonstra o acerto de termos essas operações.

A presença aqui no Brasil dos comandantes, chefes de Estado Maior dos países membros da Comunidade, é para nós motivo de grande satisfação.

Estou muito feliz por ter assistido a uma operação muito bem planejada e executada.
Aprendi muito, como sempre –estou sempre aprendendo nessa área da Defesa –, como tenho certeza que todos aprendem de uma maneira ou de outra, porque até o convívio com a diferença – porque sempre existe alguma diferença entre nós – é um fator de aprendizado e de conhecimento.

Então, queria agradecer a todos por terem vindo, e agradecer também aos que participaram da organização do evento.

E queria dizer que todos saem daqui abençoados, porque o estado aqui é do Espírito Santo.

Desejo que todos voltem muito abençoados para suas terras natais.

Espero encontra-los aqui ou nos seus países.

Muito obrigado.

Celso Amorim