| Portugal:
Unidade do Exército testa
capacidades de comando em exercício
Por Pedro Manuel Monteiro
(http://pedromonteiro-photography.blogspot.com)
Entre 13 e 23 de
Abril decorreu a primeira fase do principal exercício
militar da Brigada de Intervenção
(BrigInt) do Exército português - o
Dragão 08. Nesta fase, cujo epicentro foi
o comando em Coimbra, os militares treinaram a modalidade
de comando (CPX), numa oportunidade para aperfeiçoarem
o emprego de alguns sistemas com que o Exército
vem sendo equipado nesta área.
Uma força
de combate moderna
A BrigInt é,
hoje, uma das três unidades do escalão
de brigada que integram a chamada Força Operacional
Permanente do Exército (FOPE), cuja orgânica
ficou definida com a publicação da
Lei Orgânica do Exército pelo Decreto-Lei
nº 61/2006.
Esta é, pois, uma força constituída
por 3.500 militares vocacionada para intervir em
conflitos de média intensidade. A maioria
das suas unidades e o seu comando - localizado na
cidade universitária de Coimbra - foram herdados
da antiga Brigada Ligeira de Intervenção.
No entanto, a BrigInt aproxima-se, graças
às alterações introduzidas
na sua orgânica, do modelo norte-americano
das Stryker Brigades. Como parte deste processo
de modernização, a brigada de Coimbra
será a principal beneficiada do programa
das viaturas blindadas sobre rodas Pandur II, as
quais irão equipar a maior parte das suas
unidades de combate e apoio. Presentemente, prepara
uma força de engenharia para o Teatro de
Operações do Líbano, onde as
forças nacionais têm auxiliado as autoridades
locais na reconstrução do país.
Outro empenhamento no exterior é o envio,
em Setembro, de um batalhão de infantaria
para uma missão de paz no Kosovo –
este deverá estar já equipado as novas
Pandur II.
Dragão:
Entre as operações defensivas e operações
de resposta a crises
O exercício
Dragão é um exercício realizado
anualmente pela BrigInt e que envolve as suas várias
unidades. No caso da edição deste
ano, o exercício tem como finalidade exercitar
o planeamento e condução de operações
tácticas num cenário fictício
onde as forças testarão a condução
de operações defensivas e de resposta
a crises. Numa primeira fase (14 a 28 de Abril),
o exercício desenvolve-se no comando da brigada,
com vista a exercitar os seus postos de comando
e produzir incidentes em tempo real que exigiram
dos militares uma resposta pronta. Numa segunda
fase (11 a 16 de Maio), as forças estarão
no terreno para treinarem operações
tácticas num cenário de resposta a
crise na vertente de operações de
apoio à paz – ou seja, um cenário
similar ao que as forças poderão encontrar
no Kosovo.
Em termos de unidades, o Dragão 98 contará
com o 1º Batalhão de Infantaria (Vila
Real), o 2º Batalhão de Infantaria (Viseu),
o Agrupamento Mike com base no Grupo de Autometralhadoras
(Braga, o será enviado para o Kosovo), o
Esquadrão de Reconhecimento (Braga), a Companhia
de Transmissões (Porto), Grupo de Artilharia
de Campanha (Leiria) e Bateria de Artilharia Antiaérea
(Queluz, região de Lisboa). Como forças
estrangeiras, irão estar envolvidos uma companhia
de infantaria e um módulo de comando de batalhão
da BRILAT, uma brigada espanhola que mantém
uma relação próxima com a Brigada
de Intervenção e com a qual os militares
portugueses têm realizado diversos exercícios.
A modalidade
de comando
Num briefing, o
comandante da Brigada de Intervenção,
Major-General Martins Ferreira, traçou as
linhas gerais do mesmo, salientando a sua importância
para testar a capacidade de resposta da brigada
que comanda.
Por outro lado, a modalidade de comando do Dragão
08 permitiu rentabilizar algumas valências
do Exército na área do comando, controlo
e simulação. Foi, por exemplo, usado
o VIGRESTE, o qual permite a simulação
de operações militares para treino
de procedimentos de estado-maior de escalões
batalhão e superiores. Com este sistema,
os oficiais portugueses e espanhóis (dois
em Coimbra e dois em Pedroços) introduziram
na simulação de procedimentos tácticos
factores como as características do equipamento
ou o terreno e meteorologia. Outro sistema usado
foi o SICCE (Sistema de Informações
de Comando e Controlo do Exército), capaz
de fornecer informação actualizada
dos efectivos comandados ou da sua disposição
geográfica às unidades de comando.
Do mesmo modo, esta foi uma oportunidade para os
militares treinarem o uso da língua inglesa,
cada vez mais necessária face ao empenhamento
constante da BrigInt no exterior. Um exemplo é
que as reuniões diárias para análise
da evolução do exercício ocorrem
em inglês, como explica o Major-General Martins
Ferreira. Outro sinal dos novos desafios que as
forças militares encontram nas suas missões
foi a inclusão de um módulo de relacionamento
com os Órgãos de Comunicação
Social (OCS) para treino da análise e interpretação
de notícias, bem como do ciclo de produção
de informações.
Conclusões
A actual realidade
de emprego das forças militares traduz-se
na necessidade de treinar o seu emprego conjunto
e articulação num cenário de
combate. Embora os exercícios de campo continuem
a ser essenciais para aperfeiçoar e testar
procedimentos tácticos, os aspectos de comando
e controlo assumem cada vez mais um papel determinante
nos exercícios militares que o Exército
português conduz, e disso é prova o
Dragão 08. Neste sentido, os sistemas que
vêm sendo introduzidos ao serviço,
como o VIGRESTE, são inegavelmente um factor
de melhoria da qualidade do treino de competências
nesta área.
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