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DEFESA@NET 05 Maio 2008

DEFESA@NET

Portugal: Unidade do Exército testa
capacidades de comando em exercício


Por Pedro Manuel Monteiro
(http://pedromonteiro-photography.blogspot.com)

Entre 13 e 23 de Abril decorreu a primeira fase do principal exercício militar da Brigada de Intervenção (BrigInt) do Exército português - o Dragão 08. Nesta fase, cujo epicentro foi o comando em Coimbra, os militares treinaram a modalidade de comando (CPX), numa oportunidade para aperfeiçoarem o emprego de alguns sistemas com que o Exército vem sendo equipado nesta área.

Uma força de combate moderna

A BrigInt é, hoje, uma das três unidades do escalão de brigada que integram a chamada Força Operacional Permanente do Exército (FOPE), cuja orgânica ficou definida com a publicação da Lei Orgânica do Exército pelo Decreto-Lei nº 61/2006.

Esta é, pois, uma força constituída por 3.500 militares vocacionada para intervir em conflitos de média intensidade. A maioria das suas unidades e o seu comando - localizado na cidade universitária de Coimbra - foram herdados da antiga Brigada Ligeira de Intervenção. No entanto, a BrigInt aproxima-se, graças às alterações introduzidas na sua orgânica, do modelo norte-americano das Stryker Brigades. Como parte deste processo de modernização, a brigada de Coimbra será a principal beneficiada do programa das viaturas blindadas sobre rodas Pandur II, as quais irão equipar a maior parte das suas unidades de combate e apoio. Presentemente, prepara uma força de engenharia para o Teatro de Operações do Líbano, onde as forças nacionais têm auxiliado as autoridades locais na reconstrução do país. Outro empenhamento no exterior é o envio, em Setembro, de um batalhão de infantaria para uma missão de paz no Kosovo – este deverá estar já equipado as novas Pandur II.

Dragão: Entre as operações defensivas e operações de resposta a crises

O exercício Dragão é um exercício realizado anualmente pela BrigInt e que envolve as suas várias unidades. No caso da edição deste ano, o exercício tem como finalidade exercitar o planeamento e condução de operações tácticas num cenário fictício onde as forças testarão a condução de operações defensivas e de resposta a crises. Numa primeira fase (14 a 28 de Abril), o exercício desenvolve-se no comando da brigada, com vista a exercitar os seus postos de comando e produzir incidentes em tempo real que exigiram dos militares uma resposta pronta. Numa segunda fase (11 a 16 de Maio), as forças estarão no terreno para treinarem operações tácticas num cenário de resposta a crise na vertente de operações de apoio à paz – ou seja, um cenário similar ao que as forças poderão encontrar no Kosovo.

Em termos de unidades, o Dragão 98 contará com o 1º Batalhão de Infantaria (Vila Real), o 2º Batalhão de Infantaria (Viseu), o Agrupamento Mike com base no Grupo de Autometralhadoras (Braga, o será enviado para o Kosovo), o Esquadrão de Reconhecimento (Braga), a Companhia de Transmissões (Porto), Grupo de Artilharia de Campanha (Leiria) e Bateria de Artilharia Antiaérea (Queluz, região de Lisboa). Como forças estrangeiras, irão estar envolvidos uma companhia de infantaria e um módulo de comando de batalhão da BRILAT, uma brigada espanhola que mantém uma relação próxima com a Brigada de Intervenção e com a qual os militares portugueses têm realizado diversos exercícios.

A modalidade de comando

Num briefing, o comandante da Brigada de Intervenção, Major-General Martins Ferreira, traçou as linhas gerais do mesmo, salientando a sua importância para testar a capacidade de resposta da brigada que comanda.

Por outro lado, a modalidade de comando do Dragão 08 permitiu rentabilizar algumas valências do Exército na área do comando, controlo e simulação. Foi, por exemplo, usado o VIGRESTE, o qual permite a simulação de operações militares para treino de procedimentos de estado-maior de escalões batalhão e superiores. Com este sistema, os oficiais portugueses e espanhóis (dois em Coimbra e dois em Pedroços) introduziram na simulação de procedimentos tácticos factores como as características do equipamento ou o terreno e meteorologia. Outro sistema usado foi o SICCE (Sistema de Informações de Comando e Controlo do Exército), capaz de fornecer informação actualizada dos efectivos comandados ou da sua disposição geográfica às unidades de comando.

Do mesmo modo, esta foi uma oportunidade para os militares treinarem o uso da língua inglesa, cada vez mais necessária face ao empenhamento constante da BrigInt no exterior. Um exemplo é que as reuniões diárias para análise da evolução do exercício ocorrem em inglês, como explica o Major-General Martins Ferreira. Outro sinal dos novos desafios que as forças militares encontram nas suas missões foi a inclusão de um módulo de relacionamento com os Órgãos de Comunicação Social (OCS) para treino da análise e interpretação de notícias, bem como do ciclo de produção de informações.

Conclusões

A actual realidade de emprego das forças militares traduz-se na necessidade de treinar o seu emprego conjunto e articulação num cenário de combate. Embora os exercícios de campo continuem a ser essenciais para aperfeiçoar e testar procedimentos tácticos, os aspectos de comando e controlo assumem cada vez mais um papel determinante nos exercícios militares que o Exército português conduz, e disso é prova o Dragão 08. Neste sentido, os sistemas que vêm sendo introduzidos ao serviço, como o VIGRESTE, são inegavelmente um factor de melhoria da qualidade do treino de competências nesta área.

   
   
 

 

 

 

 

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