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Portugal
define prioridades
no reequipamento militar
Pedro Manuel P. Monteiro
Correspondente Defesa@Net em Portugal e
Editor do Military Zone
O
Governo português aprovou na quinta-feira, dia 1 de
Junho, em Conselho de Ministros, a proposta de revisão
da Lei de Programação Militar (LPM). O documento
prevê um investimento de 5,450 bilhões de €
na modernização das Forças Armadas portuguesas
até 2023. A proposta segue agora para debate e aprovação
na Assembleia da República, porém, o Ministro
da Defesa, Luís Amado, já anunciou publicamente
as suas principais novidades.
Na
sua intervenção, o Ministro da Defesa sublinhou
que a proposta de revisão da LPM "procura dar
continuidade" ao processo de reequipamento e modernização
das Forças Armadas, apesar do "esforço
de contenção financeira" imposto ao Estado,
sobretudo no período de vigência do Programa
de Estabilidade e Crescimento (PEC), até 2009. Por
este mesmo motivo, a maioria das grandes aquisições
apenas se efectivarão após 2009.
São pois novidades desta revisão: a redução
da taxa de leasing de 60 para 30% (a que não é
estranha, a decisão do Eurostat de contabilizar para
o défice orçamental os equipamentos militares,
no seu valor total, aquando da sua recepção);
a venda de material das Forças Armadas para financiar
partes das aquisições; o reforço de verbas
para a aquisição de equipamentos que correspondem
"a capacidades conjuntas dos ramos". Esta última
medida justifica, aliás, a redução nos
investimentos no reequipamento da Força Aérea
e Exército. De facto, parte dos programas de equipamento
surgem agora associados já que, na prática,
beneficiam mais que um ramo: helicópteros ligeiros
e médios (Exército), modernização
dos C-130H (Força Aérea), blindados ligeiros
e capacidade de protecção (Exército),
navio LPD (Marinha), entre outros.
A
nível operacional, uma das consequências da LPM
será a criação de uma força conjunta
de helicópteros atribuídos à Força
Aérea, Marinha e Exército, que ficará
sedeada no Montijo e sob a dependência do Chefe de Estado-Maior
General das Forças Armadas (CEMGFA).
Um
das grandes novidades da lei é a da venda de meios
militares ainda em uso. A maioria tem cerca de três
décadas de vida útil, como as duas fragatas
"João Belo", os helicópteros Puma
e os Alouette III, os blindados do Exército. No caso
dos caças F-16, tal não se verifica. Na verdade,
esta medida vem mudar os planos da Força Aérea
para esta frota: previa-se inicialmente a modernização
de 40 caças para o padrão MLU (Mid-Life Upgrade)
e a constituição de duas esquadras, contudo,
as autoridades portuguesas preferem agora a operação
de 12 caças por esquadra (o mínimo definido
pela NATO) e quatro caças suplementares e a venda dos
restantes 12, já modernizados, por um valor que o Ministro
da Defesa estima ser de 15 milhões de euros - "dado
o objectivo de obter 180 milhões de euros com essa
alienação". Por agora, Roménia e
Uruguai mostraram já interesse em adquirir, respectivamente,
os helicópteros Puma e as fragatas "João
Belo".
Finalmente,
nos programas de reequipamento são mantidos os principais
programas da anterior LPM: submarinos (chegarão agora
a partir de 2010); o navio LPD; os blindados de rodas Pandur
II para o Exército e Corpo de Fuzileiros da Armada
(começam a ser construídos em Portugal em Setembro);
a aquisição de uma arma ligeira de 5,56mm a
fim de substituir a veterana G-3 de 7,62mm; modernização
dos caças F-16; aquisição de helicópteros
para o Exército. E a substituição das
"João Belo" poderá fazer-se não
pelas "OH Perry" americanas, mas antes pela aquisição
de duas fragatas Karel Doorman holandesas - que partilham,
de resto, vários equipamentos e sensores com as "Vasco
da Gama", Meko 200, que Portugal opera. Esta última
aquisição poderá, segundo algumas fontes,
surgir integrada num pacote de sistemas de armas que inclui
ainda carros de combate Leopard II A5 e helicópteros
Lynx.

Foto
Pedro Monteiro
Ministro
da Defesa, Luís Amado, já anunciou publicamente
as principais novidades da nova LPM.
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