Nova onda vermelha
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Multinacional
do Protesto
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MST
Defesanet 08 Março 2006
Zero Hora 08 Março 2006

Multinacional do protesto



HUMBERTO TREZZI
Coqueiros do Sul

O norte do Estado respirou ontem ares de Cuba. Militantes de esquerda de diversos matizes, oriundos de 10 países da Ásia, da Europa e da América, desembarcaram com bandeiras e slogans revolucionários no coração da fazenda Coqueiros, invadida há oito dias por 2 mil sem-terra.

Agindo como uma multinacional do protesto, vinculados a ONGs que fazem um fórum paralelo à Conferência Mundial de Reforma Agrária em andamento em Porto Alegre, os estrangeiros receberam o que desejavam: uma aula prática de conflito agrário. Foram barrados duas vezes pela polícia, partilharam a tensão que antecede a expulsão dos sem-terra e entoaram cânticos rebeldes.

Em troca, os forasteiros - numa Babel de discursos socialistas que misturava espanhol, inglês, guarani e até o idioma bahasa indonésio - fizeram mais do que revigorar o fervor dos invasores. Transformaram a fazenda de Coqueiros do Sul, município onde fica a propriedade, numa paródia da Havana dos anos 60, em plena convenção da Internacional Socialista. Numa coreografia previamente ensaiada, os acampados aplaudiram qualquer discurso, mesmo quando mal-traduzido - ou até os não-traduzidos.

Flâmula da Venezuela virou coqueluche

A tour da Capital rumo às terras invadidas começou, com atraso, às 4h. Houve paradas para o lanche, outra porque o ônibus velho estragou, além de duas outras interrupções feitas por policiais federais e estaduais. Finalmente o grupo chegou à fazenda-alvo, às 11h30min.

Não faltaram bandeiras de Cuba à espera dos visitantes, mas estas perderam em prestígio para a nova coqueluche dos acampados, a flâmula da Venezuela chavista - inclusive uma bandeira venezuelana autêntica. Quem a levou e enrolou no pescoço de um sem-terra foi Braulio Alvarez, líder da Coordenadoria Agrária Nacional Ezequiel Zamora (que congrega 4 mil sindicatos de trabalhadores rurais venezuelanos) e fã incondicional do folclórico presidente Hugo Chávez.

- Não se ganha a terra sem luta - disse Braulio.

Foi a senha para a troca de suvenires - todos com matizes de esquerda e agrícolas. Os militantes do MST foram brindados com chapéus de todos os tipos: cônicos, ao estilo asiático, dos indonésios. Coco e de feltro, ao estilo dos indígenas andinos. De palha, vindos do Paraguai. E até boinas espanholas, além de lenços verdes da Via Campesina. Presentearam seus benfeitores com camisetas e bonés do MST.

Uma ordem da Justiça impedia que os forasteiros entrassem no acampamento. O MST a interpretoub à sua maneira: receberam os estrangeiros dentro da fazenda, mas fora das barracas. E ali mesmo improvisaram discursos nos quais a tônica foram os brados de resistência e o tilintar de foices contra facões. Para deleite dos visitantes.


Sem-terra que invadiram fazenda em Coqueiros do Sul receberam
estrangeiros que participam de fórum na Capital

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