Em
um mês, MST fez 78 invasões em 15 Estados
Números
indicam a maior onda de ocupações registrada
no País nos
últimos seis anos; porta-vozes avisam que ações
continuam em abril
Roldão Arruda
No
curto espaço de um mês, contado a partir
de 22 de fevereiro, o Movimento dos Sem-Terra (MST) promoveu
a invasão de 78 propriedades rurais e a ocupação
de 2 edifícios públicos. No conjunto, foram
mobilizadas cerca de 13.600 famílias em 15 Estados
e no Distrito Federal, de acordo com levantamento feito
pelo próprio movimento e divulgado ontem.
Trata-se
da maior onda de invasões registrada no País
desde o ano 2000 e, segundo os porta-vozes do MST, ainda
não terminou, devendo estender-se pelo mês
de abril. Também está programada para o
próximo mês uma série de manifestações
e ocupações de edifícios públicos
em diversas capitais, para lembrar o décimo aniversário
do massacre de Eldorado de Carajás, quando 19 sem-terra
morreram num confronto com a Polícia Militar no
interior do Pará.
Se
forem somadas às ações do MST aquelas
executadas por outras organizações dedicadas
à defesa da reforma agrária, o total de
invasões nos últimos 30 dias já passou
da marca de uma centena. No ano passado, segundo a Ouvidoria
Agrária Nacional, vinculada ao Ministério
do Desenvolvimento Agrário, foram registradas 41
invasões em todo o primeiro trimestre.
De
acordo com o porta-voz da direção nacional
do MST, João Paulo Rodrigues, a onda de invasões
deve-se ao não-cumprimento das promessas feitas
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo
ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.
"Eles prometeram que até o final do governo
não deixariam nenhuma família acampada no
País", disse Rodrigues. "Isso criou uma
enorme expectativa e fez com que o número de famílias
em acampamentos do MST subisse de 60 mil para 120 mil.
Mas o governo está chegando ao fim e quase todas
continuam acampadas, o que provoca enorme preocupação
e tensão no meio do nosso povo de sem-terra."
Na
série de ações previstas para o período
de 17 a 24 de abril, o MST deve lembrar Carajás
e também atacar o governo. "Vamos cobrar o
cumprimento das promessas e criticar a política
econômica."
A
tática adotada pelo MST neste ano eleitoral é
bem diferente da que usou em 2002, quando, para ajudar
na eleição de Lula, reduziu o número
de ações. Naquele ano, nos meses de janeiro,
fevereiro e março ocorreram 10 invasões