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OESP 23 Abril 2006

Inspirado em protestos da França,
movimento planeja ações nas cidades

No 1º de Maio, Dia do Trabalho, o MST deve fazer
novos protestos e invasões em todo o País

Angela Lacerda
RECIFE

O Movimento dos Sem-Terra (MST) prepara-se para atuar nas cidades, se urbanizar, ensinar os desempregados e trabalhadores não organizados a ir para a rua "fazer a luta" , reivindicar, em grandes ações conjuntas com outras entidades a exemplo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), movimentos de sem-teto, desempregados, perueiros.

A estratégia foi anunciada na sexta-feira pelo coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, em entrevista no 2º Fórum Social Brasileiro, no Recife. "Eleição não basta, só se conseguem mudanças estruturais e na política econômica com o povo nas ruas", justificou. Segundo ele, "nos próximos anos o Brasil terá, possivelmente, o maior movimento de massa da história dos últimos 20 anos, caso o governo não avance nas políticas públicas."

O objetivo do MST é fazer uma revolução inspirada no recente exemplo da juventude francesa que, depois de dois meses de intensas manifestações de rua, conseguiu o recuo do governo na questão do Contrato do Primeiro Emprego, que desaprovava. Revolução é, no seu conceito, resolver o problema do emprego, da moradia, da terra, do Estado burocratizado, das desigualdades sociais, o que também só se consegue com a mudança da política econômica. "Mesmo que o companheiro Jaime Amorim (também coordenador do MST, com atuação emPernambuco) fosse eleito presidente, não haveria transformações sem a pressão popular nas ruas."

Rodrigues fez as declarações um dia depois de o mesmo Amorim ter considerado o MST uma organização pequena, que precisa crescer e expandir seus métodos de, luta no País. "O grande desafio é aumentar nossa base para as mais de 4 milhões de famílias sem-terra no País e, ao mesmo tempo, termos nossas teses defendidas por outras forças", reforçou o coordenador nacional do MST, ao adiantar que a iniciativa de alianças já está sendo trabalhada no fórum.

"Da mesmaforma queconseguimos construira Via Campesina urbana", explicou. Eledestacou ainda que82% da população brasileira está nascidades. ondetambém seconcentram asdesigualdades sociais. João Paulo Rodrigues acredita que as ações conjuntas com os movimentos urbanos devem começar a se concretizar em 2007, com uma jornada da juventude rural e urbana. "Não queremos que a turma da cidade bote a camisa do MST, queremos que a turma da cidade lute contra o agronegócio, os transgênicos, as ações imperialistas na América Latina. Queremos grande enfrentamento contra o capital internacional."

COPA ELEIÇÃO E OCUPAÇÂO

A programação do MST integra mobilizações e invasões de terra no primeiro semestre. No segundo semestre pode haver um arrefecimento porque a tendência é de envolvimento da população com a Copa do Mundo e a campanha eleitoral, não havendo com quem dialogar no campo institucional.

No 1º de Maio o MST deve fazer protestos em todo o País. Em maio e junho, paralelamente a eventuais invasões, discutirá com as bases um projeto político para o País, além de identificar os pontos comuns de suas idéias com as outras organizações às quais deseja se aliar.

A estimativa de Rodrigues é e que 80% dos integrantes do movimento votem pela reeleição de Lula. Mesmo com a frustração de não terem as metas em
relação à reforma agrária cumpridas e das denúncias de corrupção no governo, ele avalia que Lula é o mais progressista.

Mesmo assim, o MST não assumirá publicamente seu apoio ao presidente, pelo menos no primeiro turno. Esta semana o MST promoveu atos em 9 Estados, a maioria para lembrar o massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará, há 10 anos.

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