13 Setembro 2007
14:15 Horas
Notícias
Arquivo Notícias
Boletíns
Editoriais
Revista Virtual
SOF História
Artigos
Documentos
Links
Fotos
Vídeos
Eventos
Busca Arquivo
  Defesa@Net
A Empresa
Equipe
 

Conflito Urbano - Urban War
Defesanet 13 Setembro 2007
NY Times - Terra 13 Setembro 2007

Gangues crescem nos EUA apesar de repressão

Solomon Moore


A festa terminou quando um grupo de adolescentes gritou o nome de sua gangue pelo sistema de som: "Westside!". Do outro lado da pista de dança, outro grupo de jovens respondeu na mesma moeda: "Eastside!". Os mais de 200 convidados começaram a deixar o local, naquela noite de março, e uma discussão entre as duas gangues no estacionamento resultou em troca de tiros. Quando a polícia chegou, encontrou o corpo de Treasure Feamster, uma menina de 13 anos, vítima inocente do confronto.

O homicídio ajudou a angariar apoio político na Carolina do Norte para uma séria operação de repressão às gangues, ao estilo de Los Angeles. Pelo menos 36 dos Estados norte-americanos aprovaram leis duras de repressão às gangues, semelhantes ao regime do qual Los Angeles foi pioneira nos anos 90, posteriormente expandido a todo o Estado da Califórnia.

As leis proíbem reuniões públicas de mais de duas pessoas suspeitas de serem membros de gangues, estabelecem bancos de dados para registrar identidades e paradeiros dessas pessoas, promovem grandes batidas em áreas suspeitas e estendem as sentenças de prisão para os crimes relacionados a gangues.

Mas enquanto os legisladores da Carolina do Norte trabalhavam na criação de leis desse tipo, começavam a surgir dúvidas em diversas regiões do país quanto à eficácia dessa abordagem. Crescente número de policiais e promotores, até mesmo em Los Angeles, sugerem que essas táticas agressivas de repressão talvez agravem o problema das gangues ao alienar grupos inteiros de pessoas com relação à polícia e lotar as prisões com milhares de jovens, muitos dos quais terminam por se tornar membros radicais de gangues durante seu encarceramento.

"Los Angeles seguiu essa abordagem de combate duro ao crime", disse Craig Watkins, promotor público em Dallas, cidade que está abandonando algumas das táticas desenvolvidas em Los Angeles. "Mas o resultado disso é superlotação das prisões, alto índice de criminalidade e número crescente de membros nas gangues. Agora, preferimos adotar estratégia mais inteligente de combate ao crime".

Detenções em larga escala sempre foram um componente essencial da estratégia de combate a gangues em Los Angeles, por mais de 30 anos, segundo Constance Rice, diretora do Advancement Project, um grupo liberal criado por advogados defensores dos direitos civis para trabalhar quanto a questões de justiça racial. Ao longo dos 10 anos passados, as autoridades do condado de Los Angeles detiveram mais de 450 mil menores de idade, disse Rice, e ainda assim o número de membros das gangues dobrou.

Earl Paysinger, vice-comissário de polícia e diretor de operações da polícia de Los Angeles, disse que "a repressão ativa a gangues" praticada pelo departamento era apropriada para membros de gangues "cujo único propósito é causar distúrbios na comunidade". Mas Paysinger disse que o departamento não havia sido seletivo o bastante em seu tratamento de pessoas suspeitas de pertencerem a gangues mas que representam ameaça menor. Ele disse que uma nova mentalidade estava começando a se instalar entre os líderes do departamento.

Segundo ele, a polícia de Los Angeles está agora se concentrando mais em prevenção e intervenção, antes de recorrer a detenções. Os policiais conduzem mais visitas às casas de possíveis membros de gangues, para encorajar maior envolvimento de seus país, disse Paysinger, e o departamento facilitou aos jovens o processo de remoção de seus nomes do banco de dados sobre gangues, desde que eles se mantenham livres de problemas.

"Ao longo de minha carreira, eu provavelmente detive dezenas de milhares de membros de gangues", ele conta. "Isso não funcionou. Agora estamos fazendo o possível para virar o jogo".

Em Dallas, Watkins instruiu os promotores a adotar critérios mais seletivos quando solicitarem penas de prisão para membros jovens de gangues que poderiam se beneficiar de programas de reabilitação. Em junho, o Legislativo do Texas aprovou US$ 273 milhões para a construção de novas prisões mas também US$ 203 milhões para programas de tratamento de drogas e reabilitação.

"No Texas, nós tentamos trancafiar os membros de gangues e esquecer nossas preocupações", disse Watkins. "Agora, queremos prendê-los, mas corrigir seu comportamento". Mas a abordagem dura ainda mantém seus atrativos em diversos Estados, especialmente aqueles onde problemas sérios com gangues são relativamente novos.

Os legisladores estaduais da Carolina do Norte estão trabalhando em projetos de lei que definiriam como gangue qualquer grupo de três ou mais pessoas que se unam com o "propósito primário" de cometer crimes. Uma versão inicial do projeto incluía uma cláusula que se concentraria em membros de gangues a partir dos 12 anos de idade. Essa porção do texto terminou abandonada, mas serve como indicação da existência de um forte interesse na adoção de uma postura severa de defesa da lei e da ordem.

"Estamos falando de crime organizado, e da mesma maneira que usamos leis específicas para combater o crime organizado quando estávamos tentando derrotar a máfia, precisamos de leis que ajudem a derrotar as gangues", disse Patrick McCrory, prefeito de Charlotte. "A questão vai além da venda de drogas e do recurso à violência. Estamos falando de atos coordenados e estratégicos organizados por uma estrutura, e temos de enfrentar essa estrutura".

Mas alguns críticos na Carolina do Norte se preocupam com a possibilidade de que a lei agrave a discriminação racial pela polícia em um Estado no qual os negros respondem por menos de 25% da população mas por quase 60% dos detentos em penitenciárias.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

Defesa @ Net

Violência e Terrorismo
http://www.defesanet.com.br/terror/terrorismo_violencia.htm

TERRORISMO OU CRIME ORGANIZADO ©
http://www.defesanet.com.br/terror/terrorismo_crime.htm

Aspectos Sócio-Criminais do Terrorismo no Brasil - pdf 100kb
http://www.defesanet.com.br/docs/aspectos_socio-criminais_do_terrorismo.pdf

O 12/5
http://www.defesanet.com.br/dn/08JUN06.htm

GANGS, “COUPS D’ STREETS,” AND THE NEW WAR IN CENTRAL AMERICA http://www.defesanet.com.br/mout/gangs.htm

   
   
   
   
   
   
 

Matérias Relacionadas

   
   
  Folha de S.Paulo,
9/4/1994 e Folha de S.Paulo, 14/4/2007.

Há treze anos atrás a Folha fazia a mesma pergunta e convidava o Hélio Bicudo, o Celso Bastos e Cel Péricles da Cunha para debater essa mesma pergunta que faz hoje ao governador Sérgio Cabral e a Jorge Zaverucha.

   
  Exército tem de comandar ações no Rio, diz general
FSP 12 Abril 2007
   
   
   
 
   
 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
© 2006 Defesa@Net™- Direitos Reservados