Defesa @ Net

Os govenos Federal e Estadual continuam em uma briga política

Para a posição do governo Federal
OESP 23 Jul 06
Link

Para a posição do Governo de São Paulo
OESP 30 Jul 06
Link

Quepe de PM abatido pelo PCC


Brigada GLO
( Garantia da Lei e da Ordem)
Como e porquê a Força Terrestre
está se
preparando para cumprir mais
uma tarefa
Especial T&D
Link

II Seminário sobre Operações de
Garantia da Lei e da Ordem - GLO
Exército Jun 06
Link

Conflito Urbano - Urban War
Defesanet 30 Julho 2006
|OESP 30 Julho 2006


Bagdá é Aquí

Saulo Abreu, secretário da Segurança Pública :

'Quero o Exército em ação'

INFORMAÇÃO: 'Desde 2002 quero integrar nossos dados com a PF. É só um link, computador e acesso online'

RECURSOS: 'No fim, nada para a segurança. Nem um real. Nem para comprar carro, colete à prova de bala'

TROPAS: 'Dá para o Exército ajudar nas operações. Precisamos segurar três, quatro lugares grandes'

Marcelo Godoy e Sergio Pompeu

São Paulo quis, sim, o reforço das tropas do Exército no auge da crise na segurança, em maio. E ainda quer. Mas não para estacionar tanques Leopard do 2º Regimento de Carros de Combate debaixo da marquise do Masp. O que o Estado pediu nos encontros com comitivas capitaneadas pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foi o envio de tropas da Infantaria para participar de operações em áreas dominadas pelo tráfico de drogas. Também pediu soldados para fazer a guarda das muralhas de presídios, liberando policiais para a guerra contra o Primeiro Comando da Capital.

Os detalhes sobre a negociação foram revelados pelo secretário da Segurança, Saulo Abreu. Ele desmentiu declarações do ministro, publicadas pelo Estado há uma semana, sobre uma suposta resistência de São Paulo em aceitar apoio. Saulo diz ter entregue ao ministro uma lista com uma série de pedidos. "O Márcio recebeu o papel e ficou quieto."

Outro pedido foi o do envio de homens da Força Nacional de Segurança Pública para liberar a polícia da tarefa de escoltar presos e ajudar a degravar CDs de escutas telefônicas. Além disso, o Estado requisitou o empréstimo de equipamentos da Polícia Federal (PF) e a liberação de R$ 740 milhões para projetos de inteligência - entre eles, a interligação dos dados da PF sobre criminosos com os das Polícias Civil e Militar. Tudo mantido em sigilo e revelado por Saulo.

Conhecido pelo estilo bateu, levou, Saulo é um personagem desconcertante. Avesso a entrevistas, concordou em receber o Estado às 11h30 de sexta-feira para uma hora de conversa. Falou durante cinco, sem pausa para almoço.

No balanço sobre os encontros com o ministro, Saulo garante que, em suas raras intervenções, Thomaz Bastos disse apenas que estava ali para prestar "solidariedade" ao Estado. De prático, nada. "Solidariedade é campanha do agasalho", diz Saulo. Mas o secretário elogia o Exército, que acenou com o empréstimo de helicópteros e a cessão de fotos de satélite para o mapeamento de alvos no combate ao PCC.

Processado por abuso de autoridade - em maio de 2005, o secretário mandou algemar o sócio do restaurante Kosushi, onde jantava, por acreditar que ele tinha bloqueado uma rua no Itaim -, Saulo se diz vítima de perseguição política no Ministério Público Estadual. O motivo é a oposição pública que faz ao procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo Pinho. "Querem impregnar minha imagem de truculência."

Saulo raciocina rápido e se impacienta quando o interlocutor não o acompanha. Dono de uma franqueza rara, é rápido no gatilho também nas tiradas bem-humoradas. Como quando contou que, na juventude, se formou torneiro mecânico numa escola técnica. Então Saulo tem pelo menos algo em comum com o também torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva? "Não. Porque eu estudei. Ele, não." Leia abaixo trechos da entrevista:

EXÉRCITO

Falei pro Márcio: o Exército aqui para quê? Para fazer operação na 23 de Maio? Isso não tem necessidade. Na segunda-feira em que tudo parou (15 de maio), não dava nem tempo para a tropa vir. Então eu disse: Vamos dar coisas concretas para o Exército. Aqui em São Paulo, dá para o Exército cuidar das muralhas dos presídios para nós, porque ele já faz a guarda de quartéis. Depois dá para o Exército ajudar nas operações saturação (em redutos do crime organizado). Nós estamos precisando segurar três, quatro lugares que são grandes. Temos tudo já mapeado, fotografado. Colocaríamos a Cavalaria, o Choque, mas não adianta pôr tanque de guerra. Como dar tiro de canhão? Tem de pôr gente, cercar. Só entra ou sai quem mora na favela. A parte social deles funciona bem. Aí, é pôr o trailer do policiamento comunitário, identificar as lideranças do crime e prender. Dava para fazer isso em Santos, São Vicente e Guarujá, em três morros já identificados. Ele, o Márcio, anotou lá, recebeu o papel e ficou quieto.

PRIMEIRA REUNIÃO

Na primeira reunião (em 19 de maio), tínhamos uma listinha de pedido de recursos. Eu disse: vamos dar prioridade aos que desde 2002 não foram repassados (R$ 562 milhões). Daí, ele falou do Exército. Da minha parte, disse, não vejo problema. Só não acho que o militar tenha formação para prender criminoso. Lembra quando mataram o segurança do filho do Lula? O cara disse: "Sou tenente do Exército". E o ladrão atirou na cara dele. Depois disso, o Lula passou a ter 24 PMs que fazem segurança quando vem a São Paulo.

PROPOSTAS PARA A PF

Outra proposta que eu fiz: vamos desonerar a PF. Você me repassa aeroportos, a fiscalização das empresas de segurança, a concessão dos portes de armas e emissão de passaportes, que a gente toca esses serviços aí. O passaporte era só jogar no Poupatempo. A gente emite 7 mil RGs por dia. Você acha que expedir mais 200, 300 passaportes vai ser problema? (...) Numa das reuniões, o Paulo Lacerda (diretor-geral da PF) estava lá. Perguntei o que ele achava dos nossos pedidos. Ele disse que achava bom, mas estava com problemas de verba. A PF aqui nem helicóptero tem. O que eles tinham caiu há dois anos. Fomos nós que socorremos o pessoal na época. E até hoje não teve a reposição daquele helicóptero.

FORÇA DE SEGURANÇA

Falei com o cara da Senasp (Luiz Fernando Corrêa, da Secretaria Nacional de Segurança Pública). Ele mesmo disse que a Força Nacional de Segurança não ia resolver a situação em São Paulo. Perguntei quantos homens poderiam mandar para cá. Ele respondeu que seriam uns 200, por até 60 dias. Eu falei: então, manda. Precisamos de gente para fazer escolta de presos (no primeiro semestre a secretaria recebeu 23.631 pedidos de escolta), para ajudar a tirar as fitas com a gravação de escutas de celulares usados nas cadeias. Eles não têm nada. Na primeira operação que a Força fez, em Vitória, emprestamos coturnos e fardas da PM daqui. Sabe como é que eles pagaram a gente? Mandaram duas Paratis.

SEGUNDA REUNIÃO

Na segunda reunião (em 14 de junho), ele (Thomaz Bastos) havia se comprometido a nos ceder um equipamento de escuta telefônica, um grampinho, pois nós precisamos ampliar a escuta de Nextel. Estavam chegando dois aparelhos e eu quis importar um, mas o ministério deu parecer contrário.

RESULTADO

Ele (Bastos) disse: São Paulo está dando conta da crise, mas não podia deixar de vir, dar solidariedade. Ok. Muito bonito. Mas solidariedade é a campanha do agasalho. Estou esperando (dinheiro) até hoje. Ele saiu da reunião para dar entrevista. Veio um rapaz e me contou que ele tinha anunciado a liberação de R$ 100 milhões. Levei um susto. Até fiz brincadeira: "Estou com prestígio". Mas disseram: "Não é para você, é para a Administração Penitenciária". (...) Agora, para reformar Araraquara (presídio destruído onde detentos estão amontoados no pátio), é só pegar presos federais de São Paulo e espalhar pelo Brasil. Depois que a gente arrumasse aqui eles voltariam. Com a prisão vazia é rápido. Em 15 dias, você entra e reforma. Mas você acha que o PT quer ter trabalho com preso? Não responderam. No fim, não deram nada para a segurança. Nem um real. Nem para comprar carro, colete à prova de bala.

"União cobra de SP por uso de helicóptero"

Entrevista - Saulo Abreu, secretário da Segurança Pública

MARCELO GODOY E SERGIO POMPEU

O gabinete do secretário da Segurança, Saulo Abreu, é austero. A camisa branca que ele guarda para a eventualidade de precisar trocar de roupa, por exemplo, fica pendurada na torneira do chuveiro do banheiro privativo. Saulo trabalha em meio a uma cordilheira de papéis na mesa. Entre esses papéis, na sexta-feira, estava a minuta do primeiro convênio a ser assinado com o Exército. O documento agradou a Saulo. Trata-se do acordo para que a polícia use os helicópteros HM-3 Cougar e HA-1 Esquilo, do 1º Grupo de Aviação do Exército, com sede em Taubaté.

"Não temos problemas com o Exército nem com a PF", diz Saulo. Mas ele vai pedir ao governo federal que altere um dos pontos da minuta, para que o custo do uso dos aparelhos seja bancado pelo Ministério da Justiça. Pelo convênio, o ônus cabe a São Paulo. Para utilizar o Cougar, o maior helicóptero do Exército, São Paulo teria de desembolsar US$ 5.060 por hora de vôo. O aparelho transporta 22 soldados, além da tripulação, e uma carga externa de 4,5 mil quilos. Em cada lado, leva uma metralhadora calibre 7,62 mm. Já o custo da hora de vôo do outro aparelho oferecido para o combate ao crime organizado, o Esquilo, é de US$ 633.

Para Saulo, porém, mais importante que helicópteros é a possibilidade de usar fotografias dos satélites militares no monitoramento de áreas dominadas por bandidos. No segundo trecho da entrevista concedida ao Estado, o secretário conta ainda que propôs usar a Lei de Segurança Nacional para punir os chefes do PCC:

HELICÓPTEROS

Eles viriam de Taubaté para o Campo de Marte e seriam postos à disposição da polícia. Mas quem vai custear a hora de vôo, pela minuta, é o governo de São Paulo. O dinheiro deverá ser recolhido ao Fundo do Exército. Seria bom, em caso de necessidade, poder contar com o Cougar para transportar tropas e presos, mas queremos que o Ministério da Justiça assuma os custos.

SATÉLITE

Temos tudo fotografado por satélite. Essa é uma das coisas em que o Exército nos ajudará. Temos fotos normais. O sistema é o israelense. O satélite é pequeno, comporta poucas fotos e passa aqui no Estado toda terça e sexta-feira. Fizemos uma operação em Campinas assim. Durante um mês monitoramos uma casa. Pelas fotos víamos quando a janela ficava aberta, víamos quando punham um vasinho para fora, coisas que mostram que alguém mora ali.

PRIORIDADES

Queremos usar verbas federais na digitalização dos rádios da polícia e das impressões digitais e para ter palmtops nas viaturas. Depois, queremos integrar o Registro Digital de Ocorrência com o Projeto Ômega (que faz análise de dados criminais). Por fim, quero integrar nosso banco de dados com o da PF. Desde que assumi, em 2002, quero isso. É só fazer um link, precisa de um único computador e acesso online.

LEI DE SEGURANÇA

Vamos usar a Lei de Segurança Nacional contra o PCC. Eles não queriam desestabilizar o governo, o Estado? Ora, a lei diz que é crime tentar mudar, com o emprego de força ou grave ameaça, o Estado de Direito ou impedir o livre exercício dos poderes do Estado. Para o primeiro, a pena é de 3 a 15 anos de prisão, mas aumenta pela metade se há lesão corporal e dobra com morte. No segundo, a pena é de 2 a 6 anos. Não foi terrorismo o que fizeram? Matar policial, quebrar o patrimônio público... atacaram o Estado. Lei de Segurança Nacional neles!

Nota Defesa @ Net - No dia 21 de Julho publicamos artigo "TERRORISMO OU CRIME ORGANIZADO ©" , no qual o autor, André Luís Woloszyn, lançou a questão de uso da Lei de Segurança Nacional.
http://www.defesanet.com.br/terror/terrorismo_crime.htm

PÂNICO

Naquela segunda-feira (15 de maio), a TV punha imagem de ônibus queimado da manhã como se fosse ao vivo. A TV deu que duas bombas explodiram no Metrô. Desmentimos na hora, mas a informação só entrou no telejornal seguinte. A internet deu que dois estudantes foram mortos na frente do Santo Américo. Não sei de onde tiraram isso. Começou uma histeria. No colégio dos meus filhos, um monte de mãe foi buscar as crianças. Me perguntaram: "É pra buscar os filhos do senhor?" Disse que não. A cidade tem de mostrar que não está acuada. Reagimos e rápido. São 515 presos, 302 dos ataques de maio e 213 de julho.

TRÁFICO

Sabemos onde é vendida a coca mais pura na cidade e de onde vem. Temos um aparelho que analisa as amostras e pelo grau de pureza identificamos o caminho. Vem da Colômbia, passa pelo Mato Grosso do Sul e Goiás. As armas vêm do Paraguai.

FRONTEIRAS

O Estado brasileiro precisa pressionar esses países (vizinhos). Você pode, por meio diplomático ou econômico, ter retaliação. Que raio de Mercosul é esse? Tem de chegar para o governo paraguaio, o colombiano, chamar esse Hugo Chávez, sei lá quem. E a lavagem de dinheiro por meio do Uruguai? Todo mundo sabe disso e o País não toma uma posição. Vê se França, EUA, Portugal ou qualquer outro não tomariam uma decisão.

SAÍDA

Estou na secretaria por um tempo. Em breve vou embora. (No fim do ano?) Estou pensando no que fazer, mas a ligação com o partido (PSDB) sempre vou ter.

PT

O PT não vai ter peito de discutir segurança. Quer apostar? O Mercadante (senador Aloizio Mercadante, candidato petista ao governo do Estado) foge do pau porque não tem proposta. O Genoino (José Genoino, candidato ao governo estadual na eleição passada) estudou segurança 15 anos e não falou nada. O que a Marta fez com a Guarda Civil é uma vergonha. Em uma sala tinha 95 assessores. O PT não vai ter peito de discutir segurança.

Defesa @ Net

Entrevista: ALBA ZALUAR - Antropóloga afirma que ações dos grupos em SP são
mais organizadas e que têm retórica política
http://www.defesanet.com.br/mout/sp_pcc_15mai06_fsp.htm

Leia a influência das GANGS, “COUPS D’ STREETS,” AND THE NEW WAR IN CENTRAL AMERICA - US Army Strategic Studies Institute
http://www.defesanet.com.br/mout/gangs.htm

Para matérias sobre a ação do Exército no Rio de Janeiro

A Guerra do Rio
Parte 1 http://www.defesanet.com.br/mout/rio_19mar06_zh.htm
Parte 2 http://www.defesanet.com.br/mout/rio_19mar06_zh_1.htm

:::ÍNDICE
Notícias
Arquivo Notícias
Boletíns
Editoriais
Revista Virtual
SOF História
Artigos
Documentos
Links
Fotos
Vídeos
Equipe
Busca Arquivo


 

 

 

 

 
©2005 DEFESA@NET - Brasil