Série
de ataques causa 30 mortes em SP;
polícia prende 16 suspeitos
LÍVIA MARRA
Editora de Cotidiano da Folha Online
Entre
a noite de sexta-feira (12) e a manhã deste sábado,
criminosos promoveram ao menos 55 ataques que tiveram
como alvos policiais, guardas municipais e agentes penitenciários,
em diferentes pontos do Estado de São Paulo. A
onda de violência é considerada uma resposta
do PCC (Primeiro Comando da Capital) à decisão
do governo do Estado de isolar líderes da facção
criminosa. As ações deixaram, no total,
30 mortos.
Morreram
11 PMs --três deles não estavam trabalhando--,
cinco policiais civis em folga, três guardas municipais
em serviço, quatro agentes penitenciários
em folga e dois civis --a namorada de um policial e uma
possível vítima de bala perdida. Segundo
a Secretaria da Segurança, 16 suspeitos de envolvimento
nos crimes foram presos e cinco morreram em confrontos.Nilton
Fukuda/Folha Imagem
Somente
na cidade de São Paulo, os criminosos promoveram
31 ataques: cinco no centro, três na zona norte,
dois na zona oeste, oito na zona sul e 13 na zona leste.
Segundo
balanço da Secretaria da Segurança, as ações
também ocorreram na Grande São Paulo --dois
em Guarulhos, um em Santo André, um em Jandira
e um em Jundiaí--, no litoral --dois no Guarujá
e um em Cubatão-- e no interior --Araras, Campo
Limpo Paulista, Itapira, Mogi Mirim, Ourinhos, Piracicaba,
Ribeirão Preto, Santa Bárbara d'Oeste, Várzea
Paulista.
Reação
A
onda de ataques ocorreu após a transferência,
na quinta-feira (11), de 765 presos para a penitenciária
de Presidente Venceslau, no interior. A idéia era
isolar a facção criminosa.
Na
sexta, oito integrantes do PCC foram levados para depoimento
no Deic (Departamento de Investigações sobre
o Crime Organizado), na zona norte de São Paulo,
incluindo o líder da facção, Marcos
Willians Herba Camacho, o Marcola. A facção
estaria planejando uma série de crimes e rebeliões.
Neste
sábado, o governador Cláudio Lembo (PFL)
disse que o governo sabia, na quarta (10), que as transferências
poderiam provocar "conseqüências".
"Pensamos em todas as possibilidades e também
nos riscos que nós poderíamos correr. Mas
era preciso combater o que estava ocorrendo e acontecendo."
"Nós
não estamos com bravatas nem com timidez. Estamos
com a segurança de quem cumpre a lei e o Estado
de Direito", disse o governador.
O
comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira
Borges, afirmou que a corporação estava
em alerta, com equipes de prontidão, para possíveis
reações. "Acreditamos que o número
de mortes, inclusive, foi bem menor se não tivesse
esse tipo de alerta", disse.
Em
entrevista que contou com a cúpula da Segurança
no Estado, o secretário da Administração
Penitenciária, Nagashi Furukawa, descartou uma
possível falha do governo na estratégia
de isolar a liderança do PCC.
"Acho
que a medida que o governo tomou era necessária,
ainda que tenha ocorrido esta resposta, porque o governo
tem que agir, tem que cumprir a lei e ser firme em suas
ações."
Presídios
Na
sexta, enquanto líderes da facção
estavam no Deic, presos iniciaram rebeliões na
penitenciária 1 de Avaré e na penitenciária
de Iaras, ambas no interior.
As
ações criminosas ganharam proporção
e os motins se espalharam, neste sábado, para outras
21 penitenciárias e CDPs (Centros de Detenção
Provisória) do Estado. Das 23 unidades, 20 permaneciam
rebeladas às 15h30. Há reféns.