Bagdá é Aquí
Polícia
terá helicóptero do Exército
Convênio
deve ser assinado nesta
semana com Comando Militar
Marcelo
Godoy
O
governo de São Paulo decidiu assinar nesta semana
o convênio com o Exército que permitirá
à polícia paulista usar helicópteros
do Comando da Aviação do Exército
(CAvEx), com sede em Taubaté. O único ponto
da minuta do convênio que o Estado ainda discute
com Brasília é quem arcará com os
custos da utilização dos aparelhos.
A
rapidez do Exército ao propor o convênio
surpreendeu o governo paulista. São dois os tipos
de helicópteros colocados à disposição
de São Paulo pelo Comando Militar do Sudeste (CMSE),
ao qual o CAvEx está subordinado, conforme revelou
o secretário da Segurança Pública,
Saulo Abreu, em entrevista ao Estado. O primeiro é
HA-1 Esquilo, cujo valor da hora de vôo é
de US$ 633. O segundo é o HM-3 Cougar, pelo qual
o governo federal quer cobrar US$ 5.060 pela mesma hora.
O pagamento deve ser depositado no Fundo do Exército.
O
governo paulista acha justa a remuneração
e considera compreensível que o Exército,
com seu orçamento apertado, precise do pagamento.
Mas o que Saulo e o governo Cláudio Lembo (PFL)
desejam é que a conta seja repassada ao Ministério
da Justiça. O secretário da Segurança
enviou ontem ao ministro Márcio Thomaz Bastos um
pedido por escrito para que o governo federal assuma os
custos do uso das aeronaves.
O
interesse principal da Secretaria da Segurança
Pública é dispor dos helicópteros
HM-3 Cougar, o maior em atividade na aviação
do Exército. Com capacidade para transportar
22 homens, além da tripulação, e
4,5 mil quilos de carga externa, o Cougar leva em cada
lado uma metralhadora calibre 7,62 mm.
MAIS
AGILIDADE
A
importância de uma aeronave desse porte para a PM
seria a garantia da agilidade no transporte de tropa.
A PM consegue dominar uma rebelião em um presídio
usando até 40 homens. Com autonomia de 7,5 horas
de vôo, os Cougars poderiam levar em pouco mais
de uma hora um ou dois pelotões da Tropa de Choque
de São Paulo para qualquer presídio no Estado.
A rapidez do deslocamento da tropa garantiria o rápido
controle da rebelião, antes que os detentos conseguissem
destruir completamente a prisão, como ocorreu em
junho em Araraquara, Itirapina e Mirandópolis.
"Sou
a favor desse convênio. Seriam inicialmente duas
aeronaves, uma guia (Esquilo) e uma
para o transporte de tropas (Cougar)", disse
o governador Cláudio Lembo. Ele enfatizou que o
relacionamento com o Exército é "dez"
assim como com a Polícia Federal. "Quanto
às verbas (para a segurança), relacionamento
zero."
O
Exército mantém três de seus quatro
batalhões de aviação na base de Taubaté
(SP). São o braço aéreo da 12.ª
Brigada Infantaria Leve (Aeromóvel), cuja sede
fica em Caçapava (SP), distante 30 quilômetros
do quartel do CAvEx.
Pelo
Exército, assinariam o convênio o general-de-exército
Luis Edmundo Maia de Carvalho, comandante militar do Sudeste,
o general-de-divisão Sérgio Luis Vaz da
Silva, comandante da 2.ª Região Militar, e
o general-de-brigada Manoel Morata de Almeida, chefe do
Estado-Maior do CMSE.
Além
dos helicópteros, o governo de São Paulo
quer assinar outro convênio para poder usar as fotografias
de satélites da inteligência do Exército
e planejar operações de combate ao tráfico
de drogas. Os militares têm acesso a imagens mais
nítidas e melhores que as usadas pela PM. A 2.ª
Seção da PM (Informações)
usa as imagens de um satélite israelense que passa
por São Paulo duas vezes por semana.
Além
disso, Saulo afirmou que gostaria de contar com tropas
da Infantaria do Exército em "operações
saturação" - a ocupação
de áreas dominadas por traficantes de drogas -
e para tomar conta de muralhas de presídios. Essas
propostas, no entanto, não saíram do papel.