COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

03 de Fevereiro, 2013 - 22:46 ( Brasília )

MOUT - Agora é Santa Catarina

A gangue Primeiro Grupo da Capital (PGC), um derivativo do paulista PCC realizou 43 ataques em 14 cidades do estado de Santa Catarina

 

Agência DefesaNet

 
As técnicas de desestabilização dos governos, empregadas pelas gangues criminais nucleadas no grupo paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e o seu derivativo local,  o Primeiro Grupo da Capital (PGC), estão em plena execução no estado de Santa Catarina.

O timing  é o mais perfeito para as gangues. Grande afluxo de turistas para o litoral daquele estado e a concentração de transportes na faixa litorânea. Porém, nesta segunda onda de ataques o primeiro correu em outubro/novembro 2012.

 Quatro dias após o início da segunda onda de atentados, em Santa Catarina, 43 ataques e uma morte já foram registrados. O morto foi um motoqueiro em confronto com a polícia, na cidade de Joinville, no norte do Estado.

 Por enquanto, o governo estadual não pediu ajuda da Força Nacional. Segundo o Ministério da Justiça, o ministro José Eduardo Cardozo conversou neste domingo, 3, por telefone com o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), mas ainda aguarda pedido formal para enviar soldados da Força Nacional ao Estado. Uma reunião entre ambos deverá ser realizada nesta semana para resolver a questão.

O PGC é liderado por presos de alta periculosidade que estão nos principais presídios do Estado. Até a manhã de domingo, a PM já havia detido 20 suspeitos de participar das ações. Todas as quatro regiões de Santa Catarina figuram no mapa dos atentados, que aconteceram em 14 cidades diferentes. Cidades

Florianópolis, com seis ações, foi a que registrou o maior número de atentados até agora. Em seguida, vem Joinville, maior cidade do Estado, com cinco. Entre as principais ações usadas pelos bandidos está a queima de ônibus de transporte coletivo e de caminhões particulares e disparos contra bases policiais. O clima de insegurança nas duas principais cidades catarinenses obrigou as autoridades a reforçar o policiamento e a promover ações para frear os atentados.

Violência.

 Chapecó, no oeste do Estado, foi surpreendida por volta das 2 horas da madrugada de domingo, quando bandidos atearam fogo contra a garagem da Prefeitura. Em Criciúma, coquetéis molotov foram lançados contra a casa de um policial civil. Artefatos similares também foram lançados contra uma base da PM em São Francisco do Sul, no norte do Estado. Em Maracajá, no sul, duas carretas foram totalmente destruídas pelo fogo no pátio de um posto enquanto os motoristas jantavam.

Houve incêndio também em Araquari, cidade vizinha a Joinville. Quatro homens colocaram fogo em uma das salas da subprefeitura. Mobília e computadores foram destruídos completamente. No fim da tarde de domingo, uma série de tiros de arma de fogo no Morro da Caixa, no centro de Florianópolis, mobilizou grande contingente policial, mas ninguém foi preso.

Uma operação policial com ao menos 150 homens estava programada para ocorrer na noite de domingo no norte da Ilha de Santa Catarina, onde fica a capital.

 

Em 2013 Ataques em todo o Estado


As ações são conhecidas: fogo em ônibus, atentados contra prédios da segurança pública e tentativa de assassinatos de policiais e agentes carcerários, mas os locais dos ataques ganharam outros cenários. Se em 2012 eram mais concentradas principalmente na Grande Florianópolis, Litoral Norte e Vale do Itajaí, o que se percebe neste ano é a disseminação das ações criminosas para outros municípios, como Chapecó e Maracajá, no Sul de Santa Catarina, onde duas carretas foram incendiadas no último sábado, em um posto às margens da BR-101.

Outra cidade alvo de ataques, que não figurava entre as atingidas no ano passado, foi Joinville, Norte do Estado. Enquanto isso, a Grande Florianópolis ficou duas madrugadas sem registrar atentados.

O ponto final na trégua veio com um ônibus da empresa Transol, da linha Monte Verde, atingido por um rojão no final da tarde deste domingo.

A explicação que autoridades encontram para alteração da geografia dos ataques é o reforço da segurança no Litoral, principalmente na região da Capital.

— A minha impressão é que o aumento do policiamento dentro da Ilha e do Continente eliminou as condições que eram propícias. A quantidade grande de policiais nas ruas, principalmente no Norte da Ilha, inibiu esse tipo de ação. Daí se presume o deslocamento. A gente não constata nenhum outro motivo se não o aperto da fiscalização — esclareceu o delegado geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D'Ávila.

Só a Polícia Civil da Grande Florianópolis, com apoio do Serviço Aeropolicial, reforçou com quatro barreiras e cem homens a segurança em pontos estratégicos do Norte da Ilha, onde foram concentrados grande parte dos atentados no ano passado e por onde foram iniciados os ataques na Capital neste ano.

Outros policiais ficaram em viaturas, circulando em bairros vulneráveis. Também foram reforçadas as bases das delegacias do Sul, Centro, Lagoa da Conceição e Coqueiros.

O comandante da Polícia Militar no Estado, o coronel Nazareno Marcineiro, também acredita que o policiamento reforçado nas cidades atingidas em 2012 fez com que ocorressem atentados em outros pontos de SC. Para evitar novos episódios na região Norte, ele enviou a Joinville 20 policiais e quatro viaturas.

 

O experiente  jornalista Humberto Trezzi traça o avanço do PCC
 

“O Primeiro Grupo Catarinense (PGC) ainda não tem relações comprovadas com seu primo famoso, o Primeiro Comando da Capital (PCC) paulista. Ainda, ressalva o repórter catarinense Felipe Pereira, que tem trabalhado no assunto. Mas usa know-how idêntico ao da facção mais famosa dos presídios paulistas e brasileiros: táticas terroristas, como queima de ônibus e assassinato de agentes da lei,” informa Trezzi.

Integrantes do PCC foram presos, em 2012, em assaltos a banco no Maranhão, Piauí, Tocantins, em Alagoas e na Paraíba. Em Mato Grosso do Sul, a gangue paulista criou raízes há uma década e domina o comércio de drogas nas fronteiras com o Paraguai e Bolívia.

E o PCC também está presente em Santa Catarina: a repórter Gabriela Rovai comprovou que a facção paulista recrutou, em 2012, bandidos catarinenses para explodir caixas eletrônicos. Eles viajaram a São Paulo para treinar. Com o bando foi apreendida dinamite, armas restritas das Forças Armadas e das polícias, miguelitos (pregos usados para furar pneus), uniforme militar e coletes.

Por que Santa Catarina? Porque o eixo litorâneo que vai de Florianópolis a Joinville reúne um dos mais altos PIBs (Produto Interno Bruto) do Brasil. A capital catarinense é a cidade dos sonhos para os endinheirados brasileiros, apontam pesquisas. Cada vez mais empresários paulistas a procuram — e esse dinheiro em movimento atrai também bandidos. um potencial mercado consumidor de drogas e extorsões.



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