COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

26 de Janeiro, 2013 - 13:30 ( Brasília )

PCC - Mortes em confronto com a PM crescem 40 porcento

Foram 323 casos em 2012 só na capital; n° reflete "guerra velada" entre PM e PCC



DANIEL TRIELLI, BRUNO RIBEIRO E TIAGO DANTAS

O número de pessoas mortas em confronto com a Polícia Mi­litar aumentou 40,4% entre 2011e2012na cidade de São Pau­lo. No ano passado, foram 323; no anterior, 230. O número é um forte indicativo da guerra não declarada entre apolícia eo crime organizado no ano passa­do, especialmente se considera­do o ritmo que essa alta teve durante 2012.

Se comparados os primeiros trimestres de 2011 e de 2012, a alta foi de 10,3%. Na comparação entre os segundos trimestres, ela até foi mais fraca: 8,6%. Mas no terceiro trimestre, quando a violência na capital atingiu o ápice do ano, o índice dobrou. Foram 92 casos entre julho e setembro em comparação com os 45 dos mesmos meses de 2011.

Na comparação entre os últimos trimestres de 2011 e de 2012, o número de mortos em confronto com a PM aumentou 59,6%. No Estado inteiro, 547 foram mortas em confronto com policiais militares no ano passado, uma alta de 25,2% em relação a 2011.

Postura.Para o coronel da re­serva da PM e ex-secretário na­cional de Segurança Pública Jo­sé Vicente da Silva Filho, o au­mento dos números de mortos em confrontos com a polícia e dos homicídios tem a mesma causa. "A polícia assumiu a pos­tura desde abril de combater os pontos de venda de drogas no varejo. E isso provocou uma reação de alguns grupos crimino­sos. E temos, infelizmente, o efeito de manada." Por outro lado, segundo o coronel, a polícia aumentou em cerca de 10% o número de prisões em flagran­te, uma mostra de que os poli­ciais estão mais na rua.

Já o presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil seção São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Júnior, diz que, com a troca de comando da cúpula da Se­gurança Pública, as polícias es­tão tendo uma nova postura, de investigação no lugar do enfrentamento. "Se essas políticas per­sistirem, deveremos verificar queda nos índices de homicí­dios", afirma.

Nomenclatura. Os casos de mortes em confrontos com a PM são registrados como "resis­tências seguidas de morte", e não contam os homicídios dolo­sos e culposos cometidos por policiais militares. Um exem­plo de caso que não entraria nessa conta é a primeira chaci­na de 2013, no Campo Limpo, na zona sul. Anteontem, seis PMs foram presos acusados de matar sete pessoas no dia 4.

No último dia 8, uma resolu­ção da Secretaria da Segurança Pública determinou que os casos de "resistência seguida de morte" sejam chamados de "morte decorrente de interven­ção policial". Na época, o secre­tário Fernando Grella Vieira afirmou que era um modo de o governo sinalizar que "está dis­posto a investigar" cada caso.

Policiais. Os policiais também foram vítimas da guerra não de­clarada no ano passado. Nove PMs morreram em serviço no ano passado, um a menos que em 2011. No entanto, os dados não mostram quantos policiais foram executados em suas fol­gas. No total, até o dia 28 de dezembro, 106 PMs morreram no Estado. Mas não foi divulga­do quantos foram assassinados em 2011.

Vítima. A mais recente vítima desse confronto foi um policial militar de folga assassinado na madrugada de anteontem, em posto de combustível do Jar­dim Itapark, em Mauá, na Gran­de São Paulo. Segundo a PM, ele havia parado seu carro para abastecer quando três homens apareceram e atiraram. A polí­cia não confirmou se os crimi­nosos estavamapé ou se chega­ram em algum veículo. Depois de atirar, eles fugiram.

Testemunhas chamaram por socorro e a primeira equipe a chegar foi um carro da própria PM. Os colegas levaram o poli­cial ferido até o pronto-socor­ro do Hospital Municipal Nardini, onde o PM chegou a ser so­corrido, mas não resistiu aos fe­rimentos.

O nome do policial não foi informado pela SSP. Os poli­ciais não confirmaram se a ação foi filmada por câmeras do pos­to nem disseram se havia algu­ma pista sobre os acusados.


 

Homicídio sobe 34% na capital em 2012 e reverte
tendência de queda de 11 anos

O ano passado terminou com um aumento de 34,3% no número de casos de homicídio na capital paulista em relação ao ano anterior, revertendo uma tendência de queda verificada pelo menos desde 2001 -dado mais antigo divulgado pelo governo. O total de casos cresceu de 1.019, em 2011, para 1.368, em 2012 - e a cidade voltou aos patamares de violência de seis anos atrás. No Estado, também houve aumento de 15% - o que não ocorria desde 2009.

O resultado negativo ocorreu em um ano marcado pela guerra não declarada entre policiais militares e integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A escalada de violência derrubou, em novembro, o secretário estadual da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que foi substituído pelo ex-procurador-geral de Justiça Fernando Grella Vieira.

A troca, no entanto, ainda não resultou em redução significativa nas mortes. Na comparação de dezembro (primeiro mês completo com Vieira no comando da segurança pública) com o mesmo mês de 2011, verifica-se um aumento de 62,5% (de 96 para 156) no número de casos de homicídios dolosos (com intenção de matar).

A velocidade do crescimento do número de mortes em São Paulo se intensificou a partir de setembro. O terceiro trimestre de 2012 teve 66% mais casos de homicídio do que o mesmo período de 2011. Embora todos os trimestres do ano tenham sido mais violentos do que os de 2011, no primeiro trimestre esse crescimento havia sido de apenas 14,7%, segundo dados divulgados ontem pelo governo.

Levando em conta o número de pessoas mortas, o ano passado terminou com 1.497 pessoas assassinadas na capital, contra 1.069 em 2011, um aumento de 40%. No Estado (incluindo as cidades da Grande São Paulo), o aumento porcentual foi menor, de 18%, mas significou 803 mais mortos (de 4.403 para 5.206 pessoas). Muitos dos assassinatos registrados no ano passado foram chacinas - ocorrências policiais que terminam com pelo menos três homicídios.

Silêncio. Apesar da piora das estatísticas, nem o comandante-geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, nem o delegado-geral, Luiz Maurício Blazeck, quiseram ontem comentá-las. A Secretaria de Estado da Segurança Pública fez questão de reforçar, no entanto, que, na média, o Estado de São Paulo ainda mantém a menor taxa de homicídios do País: são 11,5 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Em Santa Catarina, a média é 11,8; em Minas Gerais, de 18,8; no Rio de Janeiro, de 24,5. O levantamento feito pela secretaria leva em conta uma projeção para 2012, já que nem todos os Estados divulgaram dados oficiais até dezembro.



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