COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

12 de Setembro, 2012 - 12:00 ( Brasília )

MOUT - Território retomado

Em resposta a chacina, PM ocupa bairro na Baixada para montar base permanente

Antônio Werneck
Luiz Ernesto Magalhães
Gabriel de Paiva

Violência do tráfico

Numa reação ao terror imposto por traficantes da Chatuba, em Mesquita, acusados de no último fim de semana terem assassinado 8 pessoas, incluindo um grupo de 6 jovens, a PM ocupou o bairro na madrugada de ontem, com o apoio de fuzileiros navais. No total, foram 250 PMs do Bope e do Batalhão de Choque. Parte deles foi levada para a comunidade, na Baixada Fluminense, dentro de 4 blindados da Marinha, que logo depois deixaram a área. Além de prender pelo menos 18 pessoas (incluindo dois menores), a polícia encontrou cinco acampamentos do tráfico numa área de mata. A ocupação, segundo a PM, será definitiva: no local vai ser instalada uma base permanente, com 112 homens.

 
Chefe do tráfico ordenou os assassinatos

Também ontem, o delegado Júlio Silva, da 53ª DP (Mesquita), responsável pela investigação sobre a morte dos seis jovens, disse que vai indiciar por homicídio, tráfico e formação de quadrilha cinco traficantes da Chatuba acusados de participarem da chacina, entre eles Remilton Moura da Silva Júnior, o Juninho, chefe da quadrilha. O bandido, segundo a polícia, estava sábado no Morro do Chapadão, na Pavuna, para comemorar seu aniversário de 30 anos, quando soube que os 6 jovens tinham sido capturados por seus cúmplices. Ele voltou para a Chatuba e deteminou a morte de todos. Para o delegado, o crime foi cometido por pelo menos 10 pessoas. Ainda de acordo com o policial, Juninho já não está mais na comunidade e nenhum dos presos ontem teve envolvimento com os assassinatos.

Durante a operação na Chatuba, a PM encontrou, num dos acampamentos na mata, um gerador movido a diesel e um fuzil de fabricação alemã, equipado com luneta. Foram apreendidos ainda uma metralhadora, 3.450 cápsulas de cocaína, 1.043 sacolés da droga, 554 trouxinhas de maconha e 41 pedras de crack, além de um carro roubado.

O relações-públicas da PM, coronel Frederico Caldas, informou que a companhia destacada (ligada ao batalhão da área) ficará na localidade do Curral, ponto estratégico por ser alto e ter acesso a uma área de mata. O lugar vinha sendo usado como posto de observação por traficantes. Enquanto as obras da sede da companhia não forem concluídas, a PM usará contêineres.

Em nota, a Secretaria de Segurança informou que o titular da pasta, José Mariano Beltrame, determinou que fossem tomadas medidas extraordinárias "diante da quantidade significativa de crimes bárbaros cometidos no último fim de semana por traficantes que dominam a comunidade da Chatuba". Ainda segundo o texto, a ordem é para que as investigações a cargo da Polícia Civil sejam intensificadas. A nota informa ainda que a companhia destacada terá o objetivo de consolidar o "fim do domínio da Chatuba pelo tráfico". O texto diz também que ações violentas por parte do tráfico ou de outros grupos criminosos "terão pronta resposta policial" com a presença permanente das forças de segurança nessas áreas, "estabelecendo assim as bases para um novo ambiente de pacificação".

A ação da polícia na Chatuba tem ainda o objetivo de encontrar José Aldeci da Silva Júnior, de 19 anos, que está desaparecido desde sábado. Jose Aldeci da Silva, de 44 anos, pai do jovem, pediu ajuda aos PMs para tentar localizar o corpo do filho, que estaria enterrado num cemitério clandestino na localidade conhecida como Bicão. O rapaz desapareceu depois de sair de casa na manhã de sábado.

 
Jovem desaparecido teria sido morto

Segundo José Aldeci, a mãe do jovem procurou um traficante da região no domingo e recebeu a seguinte resposta:

- Tia, vou ser sincero: o Foca enterrou ele (sic) na mata.

Ainda de acordo com o pai, o jovem não tem antecedentes criminais e trabalha num depósito de tecidos em Campo Grande.

- Eu só quero o corpo do meu filho para enterrá-lo. Moro aqui desde 1986 e antes não era assim. Isso piorou muito quando os traficantes do Rio vieram para cá - lamentou José Aldeci.

Ele acredita que o filho tenha sido morto por vingança, porque, quando criança, brigou com um garoto que depois virou traficante.

Dois outros casos que ocorreram no fim de semana foram os assassinatos do cadete da PM Jorge Augusto de Souza Alves Júnior, de 34 anos, e do pastor evangélico Alexandro Lima, de 37. Jorge foi morto na madrugada de sábado e seu corpo foi encontrado com marcas de tortura e tiros, no carro dele, próximo ao 20º BPM (Mesquita). Na manhã do mesmo dia, o pastor caminhava no Parque Natural de Gericinó quando foi atingido por tiros de fuzil nas costas.