COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

16 de Março, 2012 - 09:27 ( Brasília )

A estratégia do Alemão

Exército permanecerá no complexo dando apoio à varredura do Bope

Antônio Werneck

Um ano e quatro meses após a ocupação dos complexos da Penha e do Alemão por tropas federais, na maior ofensiva contra o crime organizado no estado, militares do Exército iniciam uma nova manobra de guerra com o objetivo de preparar o terreno para a chegada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na região. A estratégia, que será posta em prática dentro de dez dias, prevê um grande cerco e ações para a captura de traficantes que ainda estão escondidos nas 12 favelas que formam os complexos e que devem receber UPPs. O trabalho de varredura ficará a cargo dos policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope), com apoio de policiais civis.

Os detalhes do plano operacional para a retirada gradual de tropas do Exército foram acertados numa reunião em fevereiro no Comando Militar do Leste (CML) e revelados ontem ao GLOBO pelo general Adriano Pereira Junior, comandante do CML. Ao contrário do que todos imaginavam, o Exército não tem planos para deixar imediatamente a região e vai continuar colaborando com o estado na tomada das comunidades. Enquanto o Bope estiver buscando traficantes e apreendendo armas, drogas e munições escondidas, os militares do Exército ficarão no alto, ocupando a Serra da Misericórdia.
- A situação é que vai ditar nossa movimentação. Já está certo que vamos tomar a Serra da Misericórdia quando entregarmos gradualmente as comunidades. Estamos na região para garantir a segurança da população. Não posso retirar meus homens imediatamente - disse o general Adriano.

Rota de fuga será vigiada por militares
Parte importante das comunidades que estão agora ocupadas pelas forças de pacificação foi erguida sobre a Serra da Misericórdia. O maciço, considerado estratégico pelo Exército, ficou conhecido pelas imagens de traficantes em fuga quando tropas federais e estaduais deram os primeiros passos na retomada da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, em novembro de 2010.

- Vamos ficar na região enquanto a situação não estiver sob o completo controle do estado. Sem risco para a população - informou o general.

Pelo cronograma, ainda sujeito a pequenas alterações, o Bope começa a entrar ainda este mês nos morros da Fazendinha, Itararé e Nova Brasília. Em abril, será a vez dos morros do Alemão, Adeus e Baiana; em maio, os policiais militares ocupam os morros do Sereno, Fé, Chatuba e Caixa D"água. Em junho, o Bope chega às favelas da Vila Cruzeiro e Parque Proletário. O comandante militar do Leste explicou que a retomada do território pelo estado segue um plano operacional traçado em seu gabinete com a presença de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio, e de seus principais assessores e comandantes.

O general também revelou que, durante o período de permanência do Exército na região, os militares acumularam uma quantidade muito grande de informações. Eles identificaram várias pessoas que atuam no tráfico sem nunca terem sido fichadas pela polícia. Mapas, fotos e inúmeras horas de filmagens da movimentação de supostos bandidos e criminosos também serão repassadas ao estado.

- Vamos entregar ao estado, aos comandos da Polícia Militar e da Polícia Civil, uma quantidade muito grande de informação, dados de inteligência, que reunimos aos longo desses meses. Eu fico muito feliz com os resultados dessas operações - contou o general.

A substituição dos soldados do Exército por policiais militares nas favelas dos complexos do Alemão e da Penha estava prevista para acontecer em outubro de 2011, quando começaria a instalação das UPPs. Mas o governador Sérgio Cabral conseguiu um prazo maior numa reunião em Brasília. Um novo convênio com o Ministério da Defesa selou a permanência das forças federais nas comunidades.

Pelo novo cronograma, assinado no ano passado, o Exército deveria deixar a região até junho deste ano. Mas até mesmo a data de permanência dos militares mudou. Já não se pode falar em saída imediata, mas retirada gradual. Os cerca de 1.600 militares devem ser substituídos por 2.200 policiais militares que estão sendo formados. No início, as operações deverão contar com apoio de policiais do Bope e do Batalhão de Choque. O estado não confirmou os números de policiais nem a quantidade de UPPs, mas existe uma previsão de 12 unidades para cobrir toda a região. Além disso, o Morro do Adeus -- que hoje não integra a região pacificada - passaria a fazer parte da área de cobertura das UPPs.

Tanto a PM quanto os policiais civis entrarão na região com mandados de busca, apreensão e prisão expedidos coletivamente. Em setembro do ano passado, a comunidade chegou a ter o policiamento reforçado após a invasão de traficantes, que trocaram tiros com militares do Exército. Na mesma semana, o comando da Força de Pacificação divulgou um vídeo que, segundo militares, comprovava a presença do tráfico na área ocupada.

Na avaliação do general Adriano, o Exército está cumprindo sua missão. No período de permanência, foram apreendidos 12 fuzis, 17 pistolas e revólveres e muita munição: 3.647 ao todo. Além disso, segundo o comandante, foram recolhidos nas comunidades cerca de 18 mil papelotes de cocaína, 1.200 pedras de crack, 54 quilos de maconha e 1.100 trouxinhas de haxixe. Os militares também encontraram dinheiro: US$30 mil e quase R$90 mil.
- Ainda detivemos 401 pessoas e prendemos outras 226 - disse o general.



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