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15 de Janeiro, 2012 - 18:40 ( Brasília )

MOUT - Migrantes encabeçam ‘pelotão’ do Pinheirinho

Pedreiros e ajudantes de obras que vieram de outras regiões do Brasil para trabalhar na construção civil em São José lideram o movimento de resistência à reintegração de posse no acampamento sem-teto

Publicado  O Vale 15 janeiro 2012

São José dos Campos

Pedreiros e ajudantes de obras que vieram das regiões Norte e Nordeste do país para trabalhar na construção civil em São José dos Campos representam boa parte da ‘tropa de choque’ em defesa do acampamento sem-teto do Pinheirinho.

Eles dizem nunca ter se envolvido em conflitos antes, mas pretendem resistir para garantir um teto para suas famílias. Acuados pela ameaça da desocupação, irão para a linha de frente de uma batalha já anunciada.

“Se for para enfrentar, eu irei. Se for minha sina morrer pelas mãos da polícia, que seja. Tenho que defender a minha casa. Foi a única que consegui construir em toda a minha vida”, disse José Ribamar da Costa, 47 anos.

Pai de cinco filhos, ele se orgulha do local onde mora. Ribamar nunca teve uma casa de verdade. Aos 12 anos, deixou os estudos para trabalhar como ajudante de caminhoneiro em São Luís (MA) e ajudar a família. Mas o salário era tão baixo que só dava para lugar um quartinho.

Há 20 anos, ele veio para São José como o sonho de ter uma vida melhor. Foi trabalhar como ajudante de pedreiro na construção civil.

“A vida continuava difícil, porque o dinheiro mal dava para o aluguel. Minha vida só começou aqui no Pinheirinho, quando investi o dinheiro do aluguel na construção da minha casa. Consegui depois de oito anos. Ainda faltam algumas coisas, mas essa casa foi minha maior realização.”
Como Ribamar, o pelotão do Pinheirinho tem em comum o sonho de uma moradia, e, para eles, mais importante que vencer a batalha é não desistir.

Exército. Os ‘soldados’ do Pinheirinho não têm treinamento militar e mais se assemelham ao “Incrível Exército de Brancaleone” --filme italiano de Mario Monicelli, de 1966, que narra as aventuras de um exército maltrapilho.

É tudo improvisado. Escudos de chapa de ferro e tambor de plástico, capacetes de motociclistas, joelheiras e coturnos com bico de ferro. Muitas das armas são ferramentas de trabalho: enxadas, foices e machados. Outras foram adaptadas: porretes, barras de ferro, pedras e estilingues.

O entorno do acampamento foi cercado com lanças de bambus, e o único portão de acesso ao local é mantido trancado 24 horas por dia.

Dez homens controlam a entrada e saída de moradores.

“Nunca dei um tapa em ninguém, mas vou fazer o que posso”, disse Ribamar. Seu enteado, Edson Portil da Costa, 23 anos, não irá para o confronto, mas teme pelo padrasto. “Temo por ele e pelos pais e mães que irão lutar. Muitos não querem abrir mão porque investiram na construção.”

Aos 40 anos, o motorista Lucas da Silva também é um dos ‘soldados’. “O nosso teto é tudo o que temos e podemos deixar aos nossos filhos. Nunca enfrentei o Choque, mas vale pela nossa causa”, disse Silva, pai de oito filhos, cinco deles nascidos no Pinheirinho.

Outro ‘guerreiro’ que deve se unir à ‘tropa’ é o pedreiro Antonio Lúcio Bispo, 51 anos, pai de quatro filhos. O mais novo membro da família acabou de chegar e o nome ainda nem foi escolhido.

“Ninguém quer essa luta, mas para nós ela representa a defesa da nossa família, e não temos como recuar.”


CRONOLOGIA
Julho
Justiça de São José emite liminar em favor da massa falida da Selecta determinado a desocupação da área

Novembro
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Dezembro
Moradores iniciam série de protestos como vigília na prefeitura e invadem da Secretaria de Habitação do Estado

Janeiro
Manifestações param a Dutra e terminam em confronto.
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DefesaNet

Excelente série de artigos publicados pelo O Vale de São José dos Campos. Um impensável movimento na região de alta tecnologia do Brasil.

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