COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

08 de Março, 2018 - 11:00 ( Brasília )

Militares usam drone durante operação na Vila Kennedy

Soldados também utilizaram câmeras acopladas nos capacetes

Gabriela Goulart / Renan Rodrigues


A quarta operação do Exército na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, teve auxílio de drones. De acordo com o Comando Militar do Leste (CML), o objetivo era fazer o controle da área e da movimentação da tropa durante a ação desta quarta-feira. De acordo com o CML, essa não é a primeira vez que as Forças Armadas usaram o equipamento durante as ações na comunidade. Soldados também usaram câmeras acopladas nos capacetes.

O CML, no entanto, não informou quantos drones foram usados e em desde quando eles passaram a ser usados. As Forças de Segurança entraram cedo na comunidade. Como aconteceu em operações anteriores, o objetivo da operação, que conta com o apoio de veículos blindados, aeronaves e equipamentos pesados de engenharia, é a desobstrução de vias na comunidade, segundo a assessoria do Comando Conjunto.

O espaço aéreo tem restrição para aeronaves civis, mas não há interferências nos aeroportos. Participaram da ação 900 homens das Forças Armadas e equipes da Polícia Civil. Os militares fizeram ainda uma blitz, parando veículos, em uma das principais vias da comunidade, a Avenida Marrocos, próximo à Praça Miami.



LABORATÓRIO

Nesta quarta-feira, em entrevista à TV Globo, o general Braga Netto, responsável pela intervenção da Segurança do Rio, afirmou que o objetivo das ações da Exército nas comunidades não é apenas garantir a segurança e combater criminosos, mas levar os serviços do estado para os moradores.

- Nós estamos na comunidade de Vila Kennedy, Vila Aliança e Coreia, extamente trabalhando como a primeira ação de intervenção em que nós vamos trazer todo o estado para dentro da comunidade. E quando eu falo em estado, não é apenas a parte policial, mas o restante dos serviços que o estado e o município tem que prestar.

"Nós entramos em qualquer lugar do estado", diz interventor federal no RJ, general Braga Netto¹


O general Walter Souza Braga Netto disse em entrevista exclusiva à TV Globo que o Exército entra em qualquer local do estado. "Não existe território que a polícia não entre. Se houver o mandado e a polícia desejar entrar, ela pode entrar com maior dificuldade ou menor dificuldade. Quando ela pede nosso apoio, nós entramos em qualquer lugar do estado", afirmou.

Nomeado pelo presidente Michel Temer como interventor na segurança no Rio de Janeiro em 16 de fevereiro, o militar completa 62 anos neste domingo. Antes, ele estava à frente do Comando Militar do Leste – que coordena as ações do Exército nos estados do RJ, MG e ES.

O general afirmou que as UPPs serão reestruturadas e que as Forças Armadas darão apoio para que as unidades pacificadoras possam funcionar dentro das comunidades.

O interventor afirmou que a experiência na Vila Kennedy será usada como modelo para a intervenção e que vai conseguir armas para equipar as polícias do Rio. Em menos de uma semana, a Vila Kennedy teve duas operações do Exército.

Sobre a estrutura e o déficit de efetivo nas polícias, Braga Netto afirmou que devem chegar, até meados de abril, 200 novas viaturas – de um total de mil previstas para o estado – e que policiais cedidos serão convocados a retomar suas funções na segurança.

Veja o que o interventor disse na entrevista:

  • Polícia receberá 200 viaturas em abril (de um total de 1.000), 3 blindados recuperados em 2 semanas e novos armamentos (que não detalhou quais serão, quantos nem quando).
  • Haverá retorno de policiais emprestados a outros órgãos, mas não foi dito quantos nem quando. Ainda não há previsão para novos concursos.
  • Os novos comandantes das polícias Civil e Militar foram orientados a melhorar o policiamento ostensivo e a auditoria das forças.
  • A checagem de moradores é legal. Os mandados de busca serão para uma determinada área, um conjunto de casas. E os observatórios criados para monitorar a intervenão são bem-vindos.
  • O projeto das UPPs será reformulado, mas não há definição sobre extinção de 18 unidades.
  • Militares poderão atirar para matar se "pessoa estiver armada em [situação de] ameaça".

UPPs
Braga Netto explicou que o estudo sobre as UPPs que estava sendo feito na gestão Roberto Sá na Segurança Pública será analisado pelo novo secretário, general Richard Nunes, e pelo novo comandante da PM, Luís Claudio Laviano, para fazer uma reestruturação nas unidades pacificadoras.

O general negou a informação de que cerca de 18 UPPs serão extintas. "Tudo que houver sobre números são especulações", afirmou.

Efetivo policial
O interventor foi questionado sobre o déficit de efetivo polical, que seria de 30 mil homens nas polícias Civil e Militar. Segundo Braga Netto, parte dos cerca de 3 mil policiais cedidos devem retormar suas funções, mas não especificou quantos. O general afirmou que não há definição sobre concurso para a polícia.

Estrutura
O general afirmou que, das mil viaturas novas previstas para o Rio, 200 chegarão em meados de abril. Afirmou ainda que três blindados recuperados serão entregues para a polícia em duas semanas. Além disso, a corporação receberá novos armamentos.

Mandados coletivos
Sobre a polêmica do uso de mandados coletivos de busca e apreensão, que o ministro Raul Jungmann disse que seriam necessários durante a intervenção do Rio, Braga Netto afirmou que "em nenhum momento nós tocamos em mandado de busca coletivo". Ele disse ainda que conta com o apoio do Judiciário para que os mandados sejam expedidos "em tempo hábil".

"O que já foi feito antes e é legal é expedir um mandado para uma pequena área e que eu entre com o mandado. Não é o mandado coletivo, é o mandado daquelas casas do entorno por causa da dificuldade de trabalhar dentro da comunidade", afirmou.

"Fichamento" nas comunidades



O general negou que houve "fichamento" de moradores da Vila Kennedy, Vila Aliança e Coreia. A ação, realizada no fim de fevereiro, gerou críticas às Forças Armadas. O método usado pelos militares foi questionado por órgão como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Defensoria Pública.

"Isso evita que a pessoa seja levada à delegacia, economiza recurso do Estado, não demora mais que três minutos para ser feito, dá uma segurança para a pessoa e para a tropa que está no terreno de que ninguém que está passando é um fugitivo ou devedor da Justiça. Ninguém ficha, não fica foto, não tem fichamento de comunidade. Não existe isso", disse Braga Netto.

Policiamento ostensivo
Segundo o interventor, o novo secretário de Segurança Pública, general Richard Nunes, vai trabalhar na melhoria do policiamento ostensivo e será feita uma auditoria na gestão das polícias.

"Aquilo que fosse necessário para melhorar a atuação policial, tanto da Polícia Civil quanto da Polícia Militar. Levantamento das necessidades para que possamos recuperar a capacidade operativa da polícia."

Confrontos
O general afirmou que, se houver "ameaça a segurança" da população ou das forças de segurança, poderá se "fazer uso da força letal".

"Mas pelo princípio da massa que nós usamos, o que tem acontecido normalmente é que uma vez com a chegada da força, se ele não tiver como escapar ele se rende sem fazer resistência."

Observatórios e transparência
Braga Netto afirmou não ter preocupação com os observatórios feitos para acompanhar a intervenção federal no RJ e que eles são bem-vindos.

"Tanto que nós anunciamos a ação, se você observar a Vila Kennedy hoje de manhã, a nota saiu cedo. Avisamos cedo e não avisamos antes para que possamos ter o efeito que desejamos na situação. Mas uma vez avisado, os observatórios e a imprensa se quiserem acompanhar a operação pode entrar em contato com a comunicação social da Secretaria ou do Comando Conjunto e está aberto. É transparente", completou.

"Motel" em presídio
O general chamou de "inconcebível" as "suítes" para visitas íntimas descobertas dentro do presídio de Benfica pelo Ministério Público do RJ.

"O Anthony fez uma troca da corregedoria agora na Seap. Temos que aguardar um pouco para ver os resultados. Não houve troca da chefia porque eles foram trocados há pouco tempo. E houve um novo ordenamento interno. Então vamos aguardar para ver o que vai acontecer desse ordenamento interno."

Intervenção na segurança
Em 16 de fevereiro, o presidente assinou decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e passou o comando da área para as Forças Armadas. Atualmente, Braga Netto comanda as secretarias de Segurança Pública e Administração Penitenciária, as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros.

O general responde diretamente ao presidente da República. É a primeira intervenção federal realizada desde a promulgação da Constituição de 1988.

¹
com G1 - Carlos De Lannoy e Tyndaro Menezes


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