COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Defesa

27 de Julho, 2017 - 10:30 ( Brasília )

Defesa participa da 1ª reunião do Estado-Maior Conjunto no Rio


O ministro da Defesa, Raul Jungmann, participa, nesta quinta-feira (27), na sede do Comando Militar do Leste, da 1ª reunião do Estado-Maior Conjunto para operações integradas no Rio de Janeiro. O órgão de coordenação e planejamento foi criado para apoiar o Plano Nacional de Segurança, definido pelo Governo Federal, que atuará no município até o fim do próximo ano.

Secretário de Segurança do Rio garante que Forças Armadas não atuarão dentro de comunidades¹

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro afirmou que os ministérios da Justiça e da Defesa devem enviar dinheiro e homens de instituições federais ao estado "em breve". Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Roberto Sá disse que a intenção é aumentar as fiscalizações em rodovias e garantir um impacto visual, já que com mais homens nas ruas fica mais fácil combater ao crime organizado. Ao apresentador José Luiz Datena, o secretário da Segurança do Rio confirmou que os soldados das Forças Armadas deverão chegar com a proposta de reforçar o patrulhamento e não ficar em favelas.

A intenção, segundo Roberto Sá, é evitar o confronto em comunidades: A avaliação de Sá contraria a informação divulgada pelo ministro da Defesa Raul Jungman de que o efetivo enviado pela União poderia fazer operações em comunidades do Rio. Roberto Sá ressaltou que a preocupação da pasta é com a chegada de armas e drogas pelas estradas.

O secretário da Segurança do Rio pede a ajuda da população para combater o crime organizado: Roberto Sá garante que está trabalhando para evitar esse tipo de situação e cobrou uma legislação mais dura. Parte dá verba enviada pela União será usada para pagar as horas extras dos policiais militares.

Jungmann defende força-tarefa para fazer ‘assepsia’ no estado²

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, defendeu ontem, em entrevista à rádio CBN, a criação de uma força-tarefa, integrada por Polícia Federal, Ministério Público federal e Justiça Federal, para fazer uma “assepsia” no Rio.

Segundo ele, parte do poder público do estado foi capturada pela criminalidade. — O Rio de Janeiro tem um problema que é a criminalidade, mas tem um outro, que é aquela parte do poder público que foi capturada pelo crime. O crime conseguiu se infiltrar nas diversas esferas governamentais do Rio. Isso existe nos outros estados; o Rio não é exceção. E não existe só nas forças policiais, é muito mais amplo, como acabamos de ver no caso do Tribunal de Contas do Estado — afirmou o ministro.

Forças armadas no Rio

Jungmann disse que “o crime organizado tem capacidade de colocar no Legislativo e em outras esferas os seus representantes”: — Você tem cerca de 800 comunidades no Rio, de uma forma ou de outra, sob o controle do crime organizado. Ora, quem controla o território tem voto, quem tem voto elege seus representantes ou aliados. A maioria dos políticos seguramente não tem nada com isso. Ele (o eleito) passa a ter capacidade de indicar para cargos. É o eu que chamo de coração das trevas.

Por isso, defendo há tempos uma força-tarefa integrada com a Polícia Federal, o Ministério Público federal e a Justiça Federal, que durante alguns anos faria uma assepsia no Rio, tirando do crime organizado esta parte do estado que foi capturada. Procurado, o governo do estado informou que não comentaria as declarações de Jungmann.

Na semana passada, o ministro anunciou que as Forças Armadas vão atuar em apoio ao combate à violência no Rio. Sem revelar a data do início da operação, Jungmann disse que ele, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e um representante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) vão se revezar no Rio durante permanência dos militares no estado.

Ele acrescentou ainda que o início das ações depende de um decreto que deverá ser assinado nos próximos dias pelo presidente Michel Temer. — Nosso grande objetivo é golpear a criminalidade. Nesse sentido, baseado na inteligência para chegarmos até o comando do crime, a surpresa é fundamental. Não será uma única operação; serão sucessivas ações. Serão integradas entre as polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal, até o fim de 2018 — destacou.

O ministro, que faz questão de frisar que as Forças Armadas vão atuar em apoio às polícias estaduais, não revela o número de homens que vão ser empregados nem o custo da operação:

— Se houver necessidade, haverá patrulhamento ostensivo (nas ruas). Quando você tem um policiamento ostensivo dá a sensação de segurança, de conforto ao cidadão, mas isso é por tempo determinado. É uma sensação de segurança quando você vê um soldado patrulhando a rua, mas isso quer dizer férias para o bandido, porque ele sabe que é por tempo limitado.

Então, ele simplesmente se retrai e volta em seguida à nossa saída. Outra questão destacada pelo ministro na entrevista à rádio CBN foi o custo das operações realizadas pelas Forças Armadas. Segundo ele, o governo gastou R$ 400 milhões para manter o Exército por um ano e meio no Complexo da Maré em 2015 e 2016.

Já na Olimpíada, quando foram empregados 23 mil militares, o valor chegou a R$ 3 bilhões. Questionado sobre o fato de o Comando Militar do Leste (CML) ter afirmado anteontem ao GLOBO que ainda não tinha recebido qualquer orientação sobre o início das operações no Rio, Jungmann rebateu: — Se ele receber ou não receber, ele não tem autorização para divulgar nada.

Presos monitorados

Além da força-tarefa para fazer a “assepsia” no Rio, o ministro também defendeu a instalação de escutas nos parlatórios dos presídios, para monitorar todas as conversas dos presos. Segundo ele, as cadeias em todo o país se tornaram uma espécie de home office do crime organizado: — É preciso cortar a comunicação do comando dos bandidos com o crime organizado que está nas ruas. Isso só acontecerá se todas as conversas forem devidamente registradas, se tudo que se fala ali for devidamente gravado e, assim, poderá ser requisitado pelo juiz. É preciso romper esta comunicação entre o chefe e o crime.


Com: ¹
Ana Lícia Soares / Band News FM Rio e ²Elenilce Bottari / O Globo



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