COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

03 de Maio, 2017 - 04:00 ( Brasília )

Ônibus são queimados no Rio, ordem partiu de presídios federais, diz chefia de polícia

Nove ônibus e 2 caminhões foram incendiados e o caos no trânsito deixou Rio em estágio de atenção. Operação de Bope, BAC e PM para interromper guerra do tráfico apreendeu 32 fuzis.

Ao menos nove ônibus e dois caminhões foram incendiados em vias importantes do Rio de Janeiro nesta terça-feira, quando também houve saques e tentativas de bloqueio de ruas, em uma ação orquestrada por presos de uma facção criminosa que estão detidos fora do Estado, de acordo com o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá.

A Polícia Militar informou que dois supostos criminosos morreram, 45 pessoas foram presas e 32 fuzis foram apreendidos, além de pistolas e granadas, durante uma operação na comunidade da Cidade Alta, em Cordovil, zona norte da cidade, que teria provocado a reação com ônibus queimados.


Armas foram apreendidas pelo Bope (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Três policiais ficaram feridos sem gravidade, segundo a PM, que acrescentou que não houve feridos nos ataques aos veículos.

“A polícia evitou um banho de sangue e não podemos achar trivial a apreensão de 32 fuzis. Queimar ônibus, saques e fechar vias não é uma estratégia nova”, disse jornalistas o secretário de Segurança.

Os ônibus foram incendiados na Avenida Brasil, na Rodovia Washington Luís e nos bairros da Penha, Cordovil e Bonsucesso. A ação interditou parcialmente as vias, e o trânsito ficou bastante congestionado na região da Baixada Fluminense.

Segundo testemunhas, os incêndios foram provocados por homens mascarados e em motos, depois de intensos tiroteios entre supostos traficantes rivais registrados desde a madrugada na região.

A Prefeitura do Rio decretou estágio de atenção por causa dos ataques a ônibus, e cerca de 3 mil alunos ficaram sem aula na Cidade Alta.

No período da tarde, houve novas tentativas de bloqueio de vias e saques na Avenida Brasil que foram repreendidos pela polícia.

Roberto Sá defendeu uma ampla discussão na sociedade para que haja uma punição maior aos portadores e pessoas que comercializam armas. “A pena para alguém que porta fuzil na cidade é ridícula e irrisória. A pena para incêndio é 3 a 6 anos, também ridícula. A sociedade com valores e propósitos tem que impor a noção da punição e outros poderes têm que dar instrumentos para a polícia”, disse ele.

“Já passou da hora de o Brasil rever a legislação criminal, rever presídios e benefícios para quem comete crime tão grave”, acrescentou.

Questionado sobre uma possível ajuda das Forças Armadas, o secretário de Segurança, que reclamou das dificuldades enfrentadas pela polícia fluminense como atraso de salários e efetivo insuficiente, disse que qualquer ajuda seria bem-vinda, mas as Forças Armadas não são a solução do problema da violência no Rio de Janeiro.

“Toda ajuda federal é bem-vinda num momento de escassez de recurso ... Minha visão é que o buraco é mais embaixo. Precisamos de solucões estruturantes e não paliativos”, avaliou.

O Estado vive a maior crise econômica da história, se encontra desde o ano passado em calamidade financeira e vem pagando com atraso o salário dos servidores. Os casos de bala perdida, mortes de policiais e agentes de segurança, conflitos em UPPs e homicídios explodiram desde o início da crise econômica.

“Admitimos que o crime no Rio e no Brasil tem incomodado muito as pessoas, nos tiram o sono, vontade de comer e quero provocar a reflexão: temos que chamar atenção para o grau de violência e a legislação aplicada”, finalizou Sá.

Incêndios a ônibus no Rio foram orquestrados para ajudar na fuga de traficantes¹

A explosão de violência na manhã desta terça-feira no Rio, que deixou a cidade em estágio de atenção, foi orquestrada por traficantes de maior facção criminosa do estado.


Mascarados atearam fogo em três ônibus (Foto: Jéssica Sá / TV Globo)

O objetivo, segundo a polícia, era tentar desviar as tropas policiais que cercavam bandidos da Favela Parada de Lucas, que invadiram a Cidade Alta, em Cordovil, na madrugada desta terça-feira, dando início a mais uma guerra territorial do tráfico de drogas.

A informação é do coronel André Silva, comandante do 1º Comando de Policiamento de Área. Para tentar desviar o foco da polícia, a quadrilha acionou traficantes da Nova Holanda, da Kelson’s, nos dois lados da Brasil e também no Parque das Missões, em Caxias.

A ordem foi 'tocar o terror' incendiando veículos na Avenida Brasil e Washington Luís. Pelo menos oito ônibus e dois caminhões foram queimados na ação que levou pânico à população e provocou quilômetros de engarrafamentos nos principais acessos à cidade.

Segundo o coronel, ainda de madrugada o serviço 190 da polícia recebeu diversas denúncias relatando a invasão da comunidade de Cordovil. Ao chegarem ao local, por volta de 4h, os policiais foram recebidos a tiros.

A partir daí, os policiais começaram a receber reforços e conseguiram cercar os invasores, dando início a prisões e apreensões. Até o momento foram 45 apreendidos (alguns adolescentes estão entre eles) e 32 fuzis recolhidos.

— Interpretamos estes incêndios como uma forma de dispersar o foco da polícia militar, houve diversos incêndios em lugares diferentes, sempre em rotas principais, como a Avenida Brasil e a Washington Luís. Isto tudo para que eles pudessem se retirar da área. Mesmo assim, mantivemos o cerco e conseguimos fazer dezenas de prisões e apreendemos também mais de uma dezena de fuzis e outros armamentos — afirmou André Silva.



Durante as operações policiais realizadas na Cidade Alta e em Parada de Lucas, foram apreendidos 32 fuzis, três pistolas e dez granadas. Segundo o relações públicas da Polícia Militar, major Ivan Blaz, o número de fuzis apreendidos chama a atenção para a gravidade do derrame de armas no país.

Nos confrontos, três policiais ficaram feridos e pelo menos duas pessoas morreram. Foram apreendidas ainda três pistolas e dez granadas. Um carro foi recuperado.

¹com O Globo


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