COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

18 de Setembro, 2014 - 18:30 ( Brasília )

Megacidades – US Army analisa desigualdade social e o poder do PCC em São Paulo

Para Exército dos EUA, maiores desafios em SP são o abismo entre ricos e pobres e facções criminosas com telefonia celular e capacidade de parar a cidade e desafiar o poder público


 

Série de artigos sobre MEGACIDADES e a análise do Estudo do US Army: MEGACITIES AND THE UNITED STATES ARMY PREPARING FOR A COMPLEX AND UNCERTAIN FUTURE

Megacidades: SP e RJ pelo US Army

Megacidades – US Army analisa desigualdade social e o poder do PCC em São Paulo

Megacidades: US Army analisa ocupações irregulares e poder paralelo no Rio de Janeiro



Por Nicholle Murmel

 

Nota DefesaNet:
 
Os conflitos travados em todo o mundo desde o fim da Guerra Fria e no começo do século 21 apontam para a tendência de urbanização dos teatros de operações. Desde o cerco a Sarajevo, na Bósnia, nos anos 1990, até a difícil questão do combate ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque atualmente, cada vez mais as forças de intervenção e pacificação precisam considerar a estrutura urbana em que operam, e calcular em suas ações os danos ao patrimônio, às populações e a própria integridade social e humana desses ambientes.
 
Dentro de sua lógica de intervenção global, e entecipando esse movimento de urbanização do combate contra agentes nem sempre ligados ao governo legítimo – insurgentes, narcotraficantes, dissidentes políticos, separatistas – o Exército americano lançou o documento “Megacidades e o Exército dos Estados Unidos – Preparação para um futuro incerto e complexo” (MEGACITIES AND THE UNITED STATES ARMY PREPARING FOR A COMPLEX AND UNCERTAIN FUTURE).
 
O parecer técnico não busca compreender a fundo aspectos históricos e culturais das cidades analisadas. Trata-se de um guia que aponta desafios e oportunidades estratégicas e táticas que o Exército dos EUA encontraria se operasse em cada um desses locais, ou em cidades semelhantes. Porém, os estudos de caso do Rio de Janeiro e São Paulo, por mais superficiais que sejam, apontam de forma objetiva problemas práticos de estrutura urbana, abismo social e da proporção alarmante que facções de crime organizado tomaram, a ponto de ameaçar e enfrentar a autoridade municipal legítima e mesmo o governo federal.


 

 

Nota - Observar que a capa tem a imagem da cidade de São Paulo


A seguir, você confere o estudo de caso da maior cidade do Brasil, São Paulo.
 
A Editora

Resumo: São Paulo é uma cidade definida pelo crescimento rápido e pela separação. É um ambiente construído de forma ambígua, onde os mais de 30 mil milionários que moram na região central desenvolvida e nos subúrbios no sudeste da cidade se locomovem em carros blindados ou helicópteros particulares sobre uma periferia empobrecida, composta de mais de 1600 comunidades de ocpação irregular (favelas) e 61 mil cortiços. A proximidade entre extrema riqueza e extrema pobreza gerou instabilidades, e o crescimento urbano acelerado vai muito além da capacidade de gerenciamento do poder público.
 
O funcionamento da malha urbana é ameaçado pelas redes ilícitas que emanam das ocupações irregulares e instituições prisionais. Em maio de 2006, mais de 1.300 ataques foram lançados por toda a cidade por agentes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), ligada ao tráfico de drogas. Ao mesmo tempo, revoltas eclodiram em 73 das penitenciárias da região. Essas ações coordenadas fecharam a cidade e forçaram o governo a estabelecer negociações com os membros encarcerados do PCC. Mais perturbador que o surgimento dessa facção é o fato de que uma nação que administra a oitava maior economia do mundo vem sendo incapaz de arrancar a organização pela raíz, apesar de ter construído uma força policial enorme.

Tipologia: Assim como o Rio de Janeiro, São Paulo é uma cidade moderadamente integrada, que exemplifica como futuras megacidades podem ser: economicamente vibrantes e vitais para os países que as contêm, mas ao mesmo tempo internamente instáveis.
 
Aspectos relevantes
 
A soma de áreas governadas por poder paralelo, redes ilícitas e conexão por telefonia celular cria um ambiente onde atores não-estatais podem desafiar a autoridade municipal e mesmo federal
 
Uma facção criminosa baseada em uma penitenciária, através de telecomunicação via celular, foi capaz de gerenciar redes de tráfico de drogas nas prisões e favelas de São Paulo sem ser detectada pelo governo. Os ataques coordenados de 2006 por toda a cidade e nas penitenciárias são exemplo de como atores não-estatais podem representar um perigo estratégico.
 
Apesar de estarem no mesmo país, Rio e São Paulo são realidades distintas que podem exigir abordagens diferentes. Apesar de ambas as cidades enfrentarem a ameaça das organizações de narcotráfico, suas histórias e padrões de crescimento são distintos. O Rio, capital histórica do Brasil, é salpicada de favelas que cresceram em áreas inadequadas do ponto de vista imobiliário, mas acabaram cercadas pelo desenvolvimento urbano com o tempo. Já o século de crescimento paulista resultou em um centro desenvolvido e uma periferia deliberadamente(?) negligenciada.
 
Um “sistema de cidade” é incapaz de capturar a complexidade de cada um desses ambientes urbanos
 
Em um primeiro momento, geradores de instabilidade, como a segregação entre ricos e pobres, não representariam uma ameaça estratégia aos interesses americanos. Porém, o surgimento dramático de uma rede criminosa empoderada com telefonia celular ilustra como grupos armados não-estatais podem se estabelecer na estrutura social e urbana, e ameaçar interesses nacionais e mesmo a pátria em si. O PCC, formado em uma única penitenciária em 2001, foi capaz de paralizar a maior cidade do Brasil apenas cinco anos depois. Esse exemplo de um agente hostil corrompendo uma megacidade é apenas um modelo de potenciais grupos paralelos que projetam poder, contestam a governança local e fomentam instabilidade no tecido urbano.


 

Texto original em inglês

CASE STUDY: São Paulo, Brazil
 
SUMMARY: São Paulo is a city defined by rapid growth and separation. It is a dual-built environment, where the over 30,000 millionaires that inhabit the developed core and southwest suburbs of the city travel in armored cars or private helicopters over an impoverished periphery composed of over 1,600 informal communities (favelas) and 61,000 boarding houses (cortiços). 40 The proximity of extreme wealth and poverty in this city has generated instability, and rapid growth has outstripped the city’s ability to manage.

The city’s function is threatened by illicit networks emanating from its slums. In May 2006, over 1,300 attacks were launched across the city by people loyal to the First Command of the Capital (PCC) drug gang. Simultaneously, riots occurred in 73 of the region’s prisons.

Coordinated attacks shut down the city, and forced the government to enter negotiations with the prison drug gang. More disturbing than its emergence is the fact that a nation possessing the world’s eighth largest economy has been unable to uproot the gang despite building an enormous police force.

TYPOLOGY: Like Rio, São Paulo is a moderately-integrated city. It exemplifies what future megacities could resemble: economically vibrant and vital while at the same time internally unstable.

Key Findings:
 
The confluence of alternately governed areas, illicit networks and cellular connectivity creates an environment where non-state actors can challenge
 
city and national authority. A prison drug gang, through use of cellular telecommunications, was able to manage illicit drug networks in São Paulo’s prisons and in its favelas without government detection. Its 2006 coordinated attacks across the city and its prisons is an example of how non-state actors can pose a strategic threat.

Despite being in the same country, Rio and São Paulo are distinct from each other and may require different approaches. Though both cities face threats from criminal drug gangs, their histories and patterns of growth are distinct from each other. Rio, the historical capital of Brazil, is peppered with favelas that grew in undesirable areas and were eventually surrounded by urban development. São Paulo’s century of meteoric growth resulted in a developed core and deliberately neglected periphery.
 
One “city system” cannot capture the complexity of each of these environments sufficiently.
 
While drivers of instability within cities (such as separation between rich and poor) do not at first ap-pear to be strategic threats to US interests, the dramatic emergence of a criminal network empowered by cellular connectedness illustrates how non-state armed groups capable of threatening national interests or the homeland can emerge. The PCC, which formed in a single prison in 2001, was able to paralyze Brazil’s largest city only five years later.  This example of a hostile actor disrupting a megacity is but one model of the potential for hostile groups to project power from within these environments, contest local gogovernance, and foment instability.



Nota DefesaNet

Observar que as Forças Armadas Americanas têm seguido com muita atenção as ações GLO no Brasil e MOUT, em especial no Rio de Janeiro. E também a Própria MINUSTAH.

Ver a matéria:

Doutrina de GLO do Exército Brasileiro é Adotada pelo US ARMY 2012 Link

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a) MOUT (Military Operations in Urbanized Terrain) Link

b) Riots Link


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Última atualização 21 OUT, 13:00

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