COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

04 de Junho, 2011 - 13:38 ( Brasília )

RJ - PM x Bombeiros 600 presos

Inacreditável conflito entre a PM-RJ e membros do Corpo de Bombeiros na manhã de sábado no rio de Janeiro.

Os manifestantes que protestavam em frente ao Quartel General dos Bombeiros, no centro do Rio de Janeiro, estão sendo dispersados por policiais da cavalaria da Polícia Militar. O clima no local é de tensão, mas os bombeiros se abraçaram e cantaram, ajoelhados, o hino da corporação.

A internauta Rosana (usuária Jibrine2000), do Rio de Janeiro, postou neste sábado (4) um vídeo que mostra a invasão do Bope no quartel onde estavam os cerca de 2.000 bombeiros, que pedem aumento de salário e melhores condições de trabalho. "Achei muita covardia do governo do Estado do RJ com essas pessoas que são os verdadeiros heróis da nação", escreveu, depois de flagrar o momento em que a tropa de elite dispara granadas e bombas de efeito moral.

Hoje cedo, o Bope invadiu o local pelos fundos, usando uma escada. Eles também jogaram bombas de efeito moral contra os cerca de 2.000 manifestantes, de vários batalhões da cidade, que ocuparam o local na noite de sexta-feira (3), alguns acompanhados por familiares e até por crianças. Eles reivindicam um aumento de R$ 950 para R$ 2.000, além de melhorias em suas condições de trabalho.

"Nós temos o pior salário da categoria no país. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta," disse o porta voz do movimento, o cabo dos bombeiros Benevenuto Daciolo. "Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade e precisamos de uma solução". 

Não houve resistência dos manifestantes, mas durante a ação policial houve confusão e correria. A polícia convocou homens da tropa de elite da corporação, da cavalaria e helicópteros. 

"Estávamos saindo tranquilamente e fomos detidos sem saber o motivo," disse um líder do movimento. 

De acordo com o coronel, a situação "está voltando a normalidade" e grande parte dos manifestantes já deixou o local. A PM informou que cerca de 600 manifestantes foram levados ao Batalhão de Choque. Parte deles começou a ser transferida para a Corregedoria da corporação, que fica em São Gonçalo.
 
"Estávamos saindo tranquilamente e fomos detidos sem saber o motivo," disse um líder do movimento.
 
O coronel Íbis Silva Pereira, porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, confirmou na manhã deste sábado (4) que uma criança deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar após a invasão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) ao Quartel General do Corpo de Bombeiros, no centro da cidade. Segundo ele, a criança teve um problema por inalação da fumaça, que provalvemente foi provocada pela granada usada pelo Bope para arrombar o portão do quartel, que havia sido trancado pelos manifestantes com uma barreira de carros de bombeiros.

Manifestantes também afirmam que outras pessoas foram feridas, inclusive outras crianças, e a mulher de um cabo passou mal e teria perdido o bebê durante a confusão. A deputada estadual  Janira Rocha (PSOL-RJ), que passou a noite com os manifestantes e as famílias que se uniram ao protesto dos bombeiros, contou que a grávida sofreu um aborto espontâneo.

Segundo funcionários do Hospital Municipal Souza Aguiar, pelo menos cinco crianças deram entrada atordoadas e com ferimentos leves. Elas foram acalmadas, medicadas e liberadas em seguida. 

Em entrevista em frente ao quartel, na manhã de hoje, o coronel Mário Sérgio Duarte, comandante geral da Polícia Militar, afirmou que a negociação entre a PM e os bombeiros não saiu como ele gostaria, ou seja, sem a necessidade de uma ação efetiva da PM, mas que a operação de invasão foi feita com todo cuidado e não há informações sobre pessoas feridas com gravidade nem perfurações à bala.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), já determinou a prisão de todos os bombeiros manifestantes. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, a quem os bombeiros são subordinados, os manifestantes seriam presos por invasão de órgão público, agressão a oficial e desobediência à conduta militar. No entanto, o comandante da PM, coronel Mario Sergio Duarte, informou que as prisões seriam analisadas caso a caso.  

Cabral está reunido desde às 8h, no Palácio da Guanabara, com parte da cúpula do governo do Estado para avaliar o movimento de protesto dos bombeiros. O governador conversa com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame; com o vice-governador Luiz Fernando Pezão; com o secretário da Casa Civil, Regis Velasco Fichtner Pereira, e com o coronel Mário Sérgio Duarte.



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