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Missão Paraguai: Transição, Ameaças e Desafios

DEFESA@NET 28 Julho 2008

DEFESA@NET

Missão Paraguai
1 – Futuro dos brasiguaios é incerto

Reportagem: Kaiser Konrad
Fotos: Guido Berger
Enviados especiais ao Paraguai


A comunidade brasileira no Paraguai aguarda com incerteza e preocupação a posse de Fernando Lugo. Eleito presidente pela Aliança Patriótica para Mudança, uma coligação de partidos de esquerda históricamente antibrasileiros e, apoiado por diversos movimentos sociais nacionais e outros ligados, patrocinados e coordenados por organizações transnacionais, o ex-Bispo católico promete tirar dos estrangeiros a posse de suas terras. Com uma trégua acertada com o Movimiento Campesino Paraguayo até sua posse em 15 de agosto, o país poderá ser palco de invasões e conflitos fundiários.

Hoje, o Paraguai é o quarto maior produtor de soja do mundo. Considerando sua área total, esta posição chega ao primeiro lugar. Cerca de 90% da área plantada está nas mãos de brasileiros. As exportações de grãos para os mercados regional e europeu geram 70% da receita de impostos do país.

Cultura de Inverno: Trigo e milho.

Agricultura mecanizada é uma das mais produtivas do continente

Os primeiros colonos brasileiros chegaram ao Paraguai nos anos sessenta. A terra barata e a mata virgem atraíram agricultores pobres, a maioria, vindos do interior do Rio Grande do Sul. “No início passamos miséria, não havia nem estradas, mas com suor e trabalho muitos conseguiram prosperar. A Bacia do Rio Paraná possui as melhores terras cultiváveis de mundo”, disse o agricultor Josemir Simon. Segundo o Itamaraty, estima-se que 450 mil brasileiros vivam no Paraguai. Considerando seus descendentes paraguaios ou com dupla cidadania, esse número pode alcançar 750 mil pessoas.

Base Naval de Ciudad Del Este
Queima da bandeira nacional em recente manifestação no Paraguai

A rivalidade histórica e a visão de que os brasileiros são imperialistas e usurpadores, nasceu após a derrota paraguaia na guerra provocada pelo ditador Solano López. Os grandes fazendeiros só empregam brasileiros para trabalhar na lavoura, e isso descontenta os paraguaios. A situação chegou ao extremo quando representantes dos movimentos sociais afirmaram que os cidadãos estrangeiros e suas famílias devem deixar o país e entregar suas terras aos verdadeiros cidadãos, aqueles descendentes de índios guaranis.

Incitados ao conflito, principalmente pelo periódico ABC Color, trabalhadores sem-terra empreenderam várias ações contra as propriedades brasiguaias, culminando em maio passado na queima da bandeira brasileira em Curupayty. Os campesinos prometem a partir de agosto iniciar uma série de invasões por todo território objetivando forçar uma reforma agrária, uma promessa de campanha de Lugo.

A crise pode se agravar. A comunidade brasiguaia que está legalmente no país e tem títulos de posse das terras está se preparando para resistir. Nos departamentos de San Pedro e Alto Paraná estão sendo formadas milícias para defender as propriedades rurais. Devido à facilidade de se adquirir quaisquer tipo de armas em Ciudad del Este, as milícias já possuem verdadeiros arsenais, com armamento pesado e exclusivo dos militares. Embora não demonstre, o governo brasileiro está preocupado com a situação. A Embaixada em Assunção e os consulados estão oferecendo apoio jurídico aos brasileiros com problemas de título de propriedade.

Trilha dentro base é usada por sacoleiros para contrabando de mercadorias. Militares observam e apóiam ações ilícitas

Os ruralistas instalados na faixa de fronteira, área onde somente paraguaios poder ter terra, já passaram as propriedades para o nome dos filhos nascidos e legalmente registrados no país. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que existe um acordo entre os dois governos e ratificado pelo Congresso paraguaio que garante aos brasileiros instalados em áreas de fronteira a posse da terra pela família, não podendo ser vendida a terceiros.

A questão é saber quem vai fiscalizar e garantir que o acordo seja respeitado, o que não está ocorrendo com outros acordos. O de Itaipu poderá vir a ser rediscutido a pedido do novo presidente. Outros relacionados ao combate ao contrabando e ao tráfico de drogas estão sendo descumpridos e as ações ilícitas protegidas pelos governos locais e com colaboração da Armada Paraguaya.
*Colaborou Elisa Simon

Defesa@Net

Operação Fronteira Sul 2008 Presença e Dissuasão - Entrevista com o Comandante Militar do Sul - Gen Ex José Elito Carvalho Siqueira
http://www.defesanet.com.br/eb1/gen_elito.htm
   
   
 

 

 

 

 

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