Blindados
Piranha e patrulhas marítimas mostram a
importância das tropas da Marinha do Brasil
na missão de paz no Haiti
A Marinha do Brasil
participa da missão de paz no Haiti com um
Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais. Conhecidos
como a “força profissional” do
batalhão brasileiro, os fuzileiros navais
desempenham uma série de tarefas específicas
que vão desde patrulhas mecanizadas e marítimas,
até missões de resgate e apoio às
forças estrangeiras.
O grupamento é
comandado pelo Capitão-de-Fragata
Fuzileiro Naval Ricardo Henrique Santosde Pilar, um militar experiente
que, inclusive, já esteve embarcado numa
belonave americana durante a primeira guerra do
Golfo.
O Comandante Pilar
é a principal estrela das ações
cívico-sociais organizadas pelos fuzileiros
no Haiti. Sempre quando tira o capacete, é
cercado pelas crianças que, com muita curiosidade,
querem poder ver e tocar seus cabelos grisalhos,
uma raridade num país onde as pessoas morrem
muito jovens.
Acompanhe uma entrevista
com o Comandante Pilar e conheça um pouco
mais sobre o trabalho realizado no Haiti.
Defesa@Net
- Quando começou a seleção
de pessoal e o treinamento da tropa que veio ao
Haiti?
CF Pilar - Assumi
o 3° Batalhão de Infantaria –
Paissandú - em julho de 2006 e partir
deste momento começamos a seleção
e o treinamento. Ele foi feito para todo o batalhão,
750 militares, destes, foram selecionados os que
se encontram hoje na missão.
Defesa@Net
- Qual o efetivo dos FNs no Haiti?
CF Pilar - O efetivo
total é de 225 fuzileiros navais, destes,
10 estão no Estado-Maior do Batalhão
Haiti.
Defesa@Net
- Os FNs estão subordinados ao Brabatt, como
é a relação entre vocês?
CF Pilar - Operativamente
estamos subordinados ao Batalhão Haiti, logísticamente
à Força de Fuzileiros da Esquadra.
O nosso relacionamento com os militares do Exército
Brasileiro é muito cordial, visto que estamos
numa missão combinada. Aqui trabalhamos juntos
e temos o mesmo objetivo que é elevar o nome
do Brasil.
Defesa@Net
- Que tipo de equipamento este contingente opera
que em outros não havia?
CF Pilar - O 7°
contingente não trouxe nenhuma nova equipagem,
mas estamos fazendo algumas correções
em nossos capacetes e coletes à prova de
balas.
Defesa@Net
- Que mudanças na doutrina de combate urbano
dos FNs essa missão está acarretando?
CF Pilar - Os FNs
estão aproveitando esta missão para
aperfeiçoar sua doutrina de combate urbano.
A base de nossa doutrina continua a mesma, mas observamos
no decorrer da missão que precisávamos
detalhar mais as pequenas frações
até chegar ao elemento, a conduta de nosso
homem na entrada em compartimentos e nos vasculhamentos.
Defesa@Net
- Especialistas em segurança vêem o
Haiti como um laboratório de combate urbano
para futuras ações no Rio de Janeiro.
Existe semelhança entre esses TOs? Os Fuzileiros
Navais estão prontos para participar de uma
missão GLO nos morros cariocas? CF Pilar
- Como você observou, é completamente
diferente o Rio de Janeiro do Haiti. A população
haitiana, no início da missão, encontrava-se
sob o julgo da força adversa e por isso não
procurava a gente, mas é uma população
carente que está sempre acreditando que os
países devem muito ao Haiti. Nós estamos
aqui para ajudá-los. Se aqui é ou
não um laboratório, não sei,
mas está sendo uma experiência muito
importante, pois podemos tirar ensinamentos que
serão úteis numa futura missão
no Rio de Janeiro, mas isso caberá àquele
que estiver planejando uma operação
lá a capacidade de sua utilização.
Quanto à nossa participação,
desde que ordenados, o Corpo de Fuzileiros Navais
está preparado para cumprir qualquer missão.
Defesa@Net
- A Marinha recebeu recentemente os modernos veículos
blindados Mowag Piranha. Eles virão para
o Haiti?
CF Pilar - Os veículos
Piranha já chegaram ao Brasil. No dia 17
de agosto foram incorporados à divisão
anfíbia e entregues ao setor operativo dos
Fuzileiros Navais. O 8º Contingente já
está se adestrando com esses veículos
e acreditamos que entre dezembro e janeiro próximos,
já estejam em operação no Haiti.
O
Comandante do Grupamento
Operativo dos Fuzileiros Navais
Capitão-de-Fragata Pilar e o Subcomandante
Chades
Defesa@Net
- Houve mudanças na doutrina de utilização
do Urutu no combate urbano. Esse conhecimento será
incorporado às operações do
Piranha?
CF Pilar - Ao meu
ver não aconteceu nenhuma mudança
na doutrina de utilização desses veículos
aqui, já que o combate urbano prevê
a utilização de blindados. A nossa
experiência com o Urutu facilita a operação
do Piranha, um veículo blindado com características
de emprego semelhantes.
Defesa@Net
- Qual é a área de responsabilidade
dos FNs no Haiti?
CF Pilar - Em Porto
Príncipe os fuzileiros operam em Cité
Soleil, mais especificamente em Druillard e Bois
Neuf.
Defesa@Net
- Qual o armamento utilizado?
CF Pilar - Nosso
fuzil padrão M16 calibre 5.56 mm, alguns
equipados com lançadores de granadas M 203
40 mm, neste caso para lançamento de gás
lacrimogênio.
Defesa@Net
- Quais as atividades da Equipe de Comandos Anfíbios? CF Pilar -
Nós temos elementos especializados que aqui
estão distribuídos no pelotão
e cumprem missões de infantaria. Caso eu
tenha a necessidade de resgatar algum militar meu
que tenha sido ferido em zona de combate ou capturado
pela força adversa, eu tenho esses militares
que estão habilitados para isso.
Defesa@Net
- Como você vê a situação
do Haiti hoje? CF Pilar
- A população
hoje não está mais sob o julgo da
força adversa, sendo assim, nos procuram
mais e pedem ajuda. Aqui no Haiti se fala que a
missão mudou de fase, que é o momento
de concentrar nossos esforços na parte social,
sobretudo nas ações comunitárias.
Defesa@Net
- Quais as dificuldades enfrentadas pelos Fuzileiros
Navais? CF Pilar
- Nós não
temos dificuldades. Todas as nossas necessidades
são prontamente atendidas pela Força
de Fuzileiros da Esquadra. Aqui temos quatro alternativas
para entrar em contato com o Brasil. Se algum militar
tiver problemas com a família, procuro o
Almirante que aciona o serviço social da
Marinha para imediatamente prover o apoio necessário.
Defesa@Net
- Esse contingente já teve seu batismo de
fogo? CF Pilar
- Graças a
Deus ainda não, mas estamos preparados para
isso.