14 Setembro 2007
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Matérias publicadas na Reportagem Missão Haiti 2005

1ª - Viagem
13 Dez 05
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2ª Entrevista Comandante Veppo, Grupamento Fuzileiros
15 Dez 05
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3ª Entrevista a UNPOL
Capt Osório
20 Dez 05
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4ª Cia E F Paz
26 Dez 05
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5ª Patrulha
30 Dez 05
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6ª Entrevista Comandante Batalhão Haiti
Cel Inf Santiago
13 Jan 06
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7ª Retorno
28 Jan 06
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8º A Função do Intérprete
06 Abr 06
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Missão Haiti 2007
Defesanet 14 Setembro 2007
 
Exclusivo Defesa @ Net

Série Missão Haiti 2007
5 - O Uruguai na Missão de Paz no Haiti

Kaiser Konrad
Enviado especial ao Haiti

Defesa@Net acompanha com exclusividade operação de um dos melhores contingentes da Minustah
Nos três anos de mandato da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, essa foi a primeira vez que um repórter brasileiro participou de uma missão real com o exército uruguaio.

Porto Príncipe - Um dos menores países da América do Sul, o Uruguai possui as forças armadas com maior participação em operações de paz de todo o continente. Fazendo uma relação entre o efetivo total de seu exército e os que se encontram em missão no exterior, o país mantém o maior número de militares em missões de paz. São mais de dois mil soldados em operação no Congo e Haiti. Não importa o tipo de missão ou a dificuldade do teatro de operações, os uruguaios sempre estão presentes.

É difícil para um país pequeno e de escassos recursos financeiros manter uma tropa bem treinada e equipada. A solução encontrada pelo Uruguai foi participar de quase todas as missões de paz a que foi convidado. Estima-se que pelo menos 75% dos seus militares profissionais já tenham participado de alguma missão das Nações Unidas.

Além de ter o Subcomandante da Força, o General Raúl Gloodtdofsky, o Uruguai participa com o segundo maior contingente militar da Minustah. São 1133 soldados operando nas regiões de Les Cayes e Porto Príncipe.

Nas proximidades da base do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais do Brasil encontra-se a Companhia de Fuzileiros Mecanizada Alfa, que é oriunda do Batalhão General Leonardo Oliveira de Infantaria Mecanizada n° 12, da cidade de Rocha, e também da Companhia San Miguel, de Chuí, ambas cidades localizadas na fronteira com o Brasil. Nessa Cia. existem soldados brasileiros e vários outros com familiares residentes no Rio Grande do Sul.

A Cia Alfa mantém um efetivo de 157 militares e está subordinada em sua zona de ação ao batalhão brasileiro. Tem a responsabilidade de patrulhar a área que vai do norte da pista do aeroporto à rua Delmas 33, uma das mais movimentadas da região. Para isso, está equipada com 17 viaturas blindadas de transporte de pessoal APC OT-64 – nas versões M-63 sem e M-94 com torreta e uma adaptada como ambulância - compradas da República Tcheca, caminhões Ural e três veículos leves russos UAZ.

O comandante da Cia Alfa é o Major Tomás Coelho. Natural de Paissandú, na fronteira com a Argentina, o oficial de 44 anos está pela segunda vez no Haiti e fez parte do batalhão uruguaio na missão de paz em Angola.

Com uma tropa bem experiente – 42 militares já estiveram anteriormente no Haiti e outros 120 participaram de pelo menos uma missão de paz – o Major Coelho não tem tido grandes problemas. Como todas as tropas que operam na capital, passou recentemente a realizar patrulhas a pé e neste contingente ainda não teve seu batismo de fogo.

Mas não foi sempre assim. No início da missão os uruguaios por terem a viatura blindada mais pesada, equipada com um canhão anti-tanque 14.5 mm e outro 7.62 mm na torreta, eram constantemente solicitados a prestar apoio de fogo a diversos contingentes em situações delicadas onde o combate com as gangues era feroz.

Todos os fuzis utilizados no Haiti são do modelo FAL 7.62mm fabricados na Argentina em 1980. Com quase trinta anos de operação estas armas deverão ser substituídas em breve e padronizadas no calibre 5.56mm, uma tendência internacional e que deverá ser seguida também pelo Brasil.

O Major Tomás :“Aqui estamos subordinados ao Batalhão Haiti, as ordens que recebemos são sempre discutidas e as ações bem planejadas, o comando brasileiro é diferente de qualquer outro a que estive subordinado em missões de paz."

O Major Tomás Coelho é admirador dos soldados e equipamentos brasileiros. “Aqui estamos subordinados ao Batalhão Haiti, as ordens que recebemos são sempre discutidas e as ações bem planejadas, o comando brasileiro é diferente de qualquer outro a que estive subordinado em missões de paz. Gosto muito dos blindados Urutu, queria estar operando alguns deles aqui”, conta o oficial que já comandou a tropa da Cia. San Miguel nos desfiles militares de 7 de Setembro, em Chuí e Pelotas, RS.


A Base Uruguay 1 com vários carros OT-64

Uma patrulha com a Companhia de
Fuzileiros Mecanizada Alfa

05:30 Zulu - Porto Príncipe - O dia recém começava a nascer em Porto Príncipe e eu já estava pronto na Sala de Estado da Base Raquel de Queiroz do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais. De repente, o sentinela alerta pelo rádio que dois capacetes-azuis estão em frente ao portão: - “Atenção “cometa”, avise o repórter que a escolta dele já está pronta para levá-lo à base dos hermanos”.

Coloco meu pesado capacete e colete à prova de balas e vou para o portão. Seguimos por uma trilha que passa em frente da base brasileira e acaba num portão guarnecido por soldados guatemaltecos. Lá, encontro os blindados já preparados, só me esperando para a patrulha começar. Apresento-me ao Major Coelho, comandante da Cia. Alfa e subo na veículo precursor.

Os dois blindados seguem em velocidade reduzida pelas principais ruas de sua zona de ação. O trânsito quase pára toda vez que passamos. “O OT-64 é um blindado muito grande e pesado para as ruas de Porto Príncipe, gostaria de um Urutu ou um veículo blindado mais leve”, conta o Major Coelho.

Dentro do blindado o calor é infernal e o barulho do motor é muito alto. Tenho dificuldade de conversar com os soldados. Preparo minha câmera e me levanto para fazer algumas fotos, aí começa meu martírio – “Seguridad, seguridad, señor”, sento de novo. Em 15 minutos ouço o Teniente Blanco falar isso três vezes e desisto de me levantar novamente, me contentando em observar tudo através de uma escotilha localizada na porta traseira. Blanco é um sujeito estranho, com bigode e um sotaque engraçado, até parece adepto do vudu, pois foge todas as vezes que tento fotografá-lo.

O Teniente Blanco tinha bons motivos para recear pela minha segurança. Em 2005 um desses blindados se acidentou e causou a única baixa uruguaia nessa missão. Em 23 de dezembro de 2006, durante uma patrulha na área de Bois Neuf, um OT-64 foi atacado de diversas posições, “identificávamos o local dos disparos e respondíamos com nosso canhão 7.62mm. Os tiros silenciavam e de repente começam em outro local. Para piorar, nosso carro pára, o motor enguiça e ficamos no meio do fogo cruzado. Os tiros ricocheteavam na blindagem do veículo e o barulho era insurdecedor; entramos em pânico, estávamos em meio à guerra e não tínhamos o que fazer. Nosso capitão disse: “ou saímos ou morreremos aqui”, pedimos apoio urgente às tropas da Minustah que estavam próximas. Tivemos que abandonar o veículo deixando armas e farta munição”, conta um militar que não quis se identificar.

No dia seguinte, numa missão de alto-risco, integrantes da Equipe de Comandos Anfíbios do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil resgatou a viatura uruguaia que havia sido incendiada com coquetéis Molotov. Todo o armamento embarcado desapareceu.

Chegamos na rua Delmas 33, os blindados estacionam e nos preparamos para a patrulha a pé. As patrulhas mecanizadas são compostas por 23 soldados e as a pé por 9. Deixamos 14 soldados para fazerem a segurança do veículo e seguimos em direção à vielas muito pouco movimentadas. Caminhamos distribuídos em duas colunas, devagar e em silêncio,

Acompanhado pelo comandante da companhia, fico na última fileira, na frente de um soldado que guarnece nossa retaguarda. Algumas dessas vielas e ruas não possuem calçamento, tenho que desviar de buracos e pedras.

A patrulha sobe um encosta onde posso ter uma idéia geral da área de responsabilidade do Uruguai. É uma zona diferente das demais, onde se poder ver belas casas, comércio e muitos estudantes uniformizados. “Aqui é tranqüilo”, disse o Major Coelho, “mas meus soldados estão atentos e prontos para garantir nossa segurança e a dos cidadãos haitianos”, completa. Caminhamos por mais 30 minutos e as mesmas cenas se repetem. Voltamos para os blindados e continuamos a patrulha mecanizada. Os OT-64 são tão pesados que têm dificuldade em subir ruas mais íngremes. Chegamos em frente à base da polícia chinesa, onde observamos o trânsito e os pedestres. Os chineses têm a presença mais misteriosa da Minustah. Não mantêm relações diplomáticas com o Haiti, já que esse reconhece Taiwan. Seus policiais carregam muito dinheiro e sempre que se envolvem num acidente de trânsito com veículos haitianos pagam os estragos na hora. Tenho perguntado durante minha estada no país qual é o interesse da China no Haiti, a resposta que mais ouço é que aqui ela tem a oportunidade de construir uma base com diversas antenas e equipamentos sensíveis, isso tudo bem no quintal dos Estados Unidos. Está explicado.

Após mais de duas horas de patrulha, já é hora de voltar para a base uruguaia. No caminho encontramos um comboio da Cia de Engenharia brasileira, os militares acenam e sorriem. De volta à base, a missão estava finalizada. Cumprimentos, abraços e um bom chimarrão com os simpáticos “hermanos” encerraram minha manhã e mais essa reportagem especial da Missão Haiti 2007.

Defesa@Net

Las Fuerzas Blindadas del Ejército Uruguayo - Felipe Fajardo Sokol -
http://www.defesanet.com.br/noticia/blindadosuruguay

Uruguay recibe vehículos rusos y estudia mas adquisiciones
http://www.defesanet.com.br/afv/uruguay_vodnik.htm

   
   
   
 

 

 

Artigos Série
Missão Haiti 2007
1 - Uma Missão de Estado
2- Entrevista
Gen Santos Cruz -
Force Commander

3 - Entrevista Cel Sales
Cmt 7º Contingente

4 - Hospital Militar
da FAA

05 - O Uruguai na Missão
de Paz no Haiti

Video ACISO BOIS NEUF

 
 

Fotos

   
 
  Entrada da Base
Uruguay 1
 
  Patrulha em ação
 
  Sair do OT-64 requer
um pouco de exercício
 
  Ruas estreitas e transeuntes são dificuldades para
veículos blindados pesados
 
  Soldado uruguaio em posição
 
  As dificuldades no
caótico tráfego
urbano de
Porto Príncipe
 
  Membros do grupo
de patrulha junto
ao OT-64
 
  Volta de uma patrulha
 
  Sargento Uruguaio
e o Jornalista
Kaiser Konrad
 
  Dificuldades no
trânsito urbano
 
  Comboio da Cia de Engenharia brasileira ultrapassa os OT-64 uruguaios
 
  Veículos blindados
OT-64 na base
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
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