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Série
Missão Haiti 2007
2 -
Defesa@Net entrevista o
General Santos Cruz
(Force Commander MINUSTAH)
Kaiser
Konrad
Enviado especial ao Haiti |
O General-de-Brigada
Carlos
Alberto dos Santos Cruz é atualmente
o Force Commander da Missão
das Nações Unidas para a Estabilização
do Haiti(MINUSTAH). O quarto militar brasileiro
a ocupar esse cargo, tem sob seu comando um efetivo
com mais de 7 mil soldados de diferentes nações.
Pai de família, infante, 55 anos, gaúcho
de Rio Grande. Santos Cruz diz que sente saudade
da sua terra e espera, em breve, poder servir em
alguma Organização Militar do Rio
Grande do Sul, Estado onde ainda não serviu.
Antes de ser nomeado comandante da força
militar da Minustah, era Comandante da 13ª
Brigada de Infantaria Motorizada, em Cuiabá,
Mato Grosso.
Segundo seus comandados, o general é um homem
de pulso firme e decisão rápida que
tem conquistado admiração dentro e
fora da caserna. Desde janeiro, quando assumiu a
missão, já comandou uma série
de importantes operações que resultaram
em mudanças significativas na segurança
do país, colocando, mais uma vez, o olhar
atento de seus pares estrangeiros sobre o trabalho
desempenhado pelos comandantes brasileiros no Haiti.
O General Santos Cruz recebeu o repórter
de Defesa@Net em seu gabinete, em Porto Príncipe,
onde abordou alguns pontos importantes da missão.
Operação Blue House
Foi uma operação de grande magnitude
onde houve intensa confrontação. O
planejamento inicial teve o objetivo de tomar dos
criminosos um local conhecido como “Casa azul”.
Para isso, foi realizada no dia 24 de janeiro uma
operação que ficou conhecida por “Blue
House”. Este era um ponto extremamente importante
pois além de consolidar toda a ocupação
militar já feita em Cité Militaire,
dominava a rodovia Nacional 1, que é uma
importante via de acesso à cidade e à
Cite Soleil. Sempre que as tropas da ONU passavam
pelo local eram recebidas por tiros. Também,
foram cavadas 23 trincheiras para impedir a entrada
de blindados no local. Tomar a Casa azul era estratégico.
Durante mais de 15 dias após a realização
dessa operação, as tropas da ONU receberam
fogo direto e muitas vezes pesado quando passavam
pela região. É inadmissível
que existam grupos criminosos que ataquem forças
da ONU.
Jauru Sudamericano – A maior operação
de combate já realizada no Haiti
Em 9 de fevereiro chegou a vez da Jauru
Sudamericano, quando foi decidido ocupar
toda área ao redor da Casa Azul, objetivando
extinguir os criminosos, que eram profissionais,
estavam preparados e bem posicionados, tendo uma
quantidade enorme de armamento e prontos para nos
receber. Usamos todo o nosso pessoal disponível.
A maioria dos militares era do Batalhão Brasileiro
e tínhamos uma Cia. de blindados M113 da
Jordânia, além de tropas peruanas,
chilenas, nepalesas, bolivianas, paraguaias e uruguaias
realizando atividades específicas. O hospital
argentino foi posto em alerta e seus helicópteros
sobrevoavam o local transmitindo imagens. Uma operação
com enorme complexidade e que resultou num grande
sucesso.
Necessidade de engenharia
As pessoas precisam entender que a engenharia
é um tipo de tropa que opera com equipamentos
pesados, faz parte da tropa militar
e sua função é trabalhar em
proveito da tropa. Preparar terrenos, construir
estradas e levantar
bases. O trabalho da engenharia acontece
no país inteiro. Também, podem ser
realizadas obras destinadas à comunidade.Todos
esses trabalhos têm um custo elevado, então
temos que ter uma combinação entra
a capacidade da engenharia com a disposição
de uma fonte pagadora do trabalho. Não é
só vontade de fazer. Temos que ter uma estrutura
financeira, que depende da ONU e dos países
doadores. Atualmente temos em operação
duas companhias de engenharia, uma brasileira e
outra chilena-equatoriana, que são suficientes
para este momento da missão.
Futuro da parte militar da MINUSTAH
Essa é uma questão muito interessante
e que está sendo discutida nesse momento.
Quando a situação está estável,
existe um raciocínio geral de que a missão
está cumprida, mas não se dão
conta de que esta estabilidade existe pela presença
das tropas. Se sairmos a chance do problema retornar
é grande e corremos o risco de perder tudo
o que já conseguimos. O Haiti ainda não
possui uma polícia totalmente pronta para
assumir a segurança. De acordo com os avanços
alcançados poderão ser realizadas
mudanças tanto no efetivo como na configuração
da missão. Mudanças essas que estão
a cargo do Departamento de Operações
de Paz da Nações Unidas. A expectativa
é de que alguma alteração possa
ocorrer já a partir de outubro.
Sucesso na missão
Não vejo nenhum segredo ou fórmula
mágica para o sucesso da missão de
paz no Haiti. As coisas são bastante simples.
Nós devemos ter determinação
e capacidade de enfrentar o desafio que está
na nossa frente, sermos rápidos em nossas
decisões e correr todos os riscos que se
tem em função da decisão tomada.
Forças
Militares da MINUSTAH (01 Set 2007) |
Argentina Batalhão
|
453 |
| Argentina - Aviação |
41 |
| Argentina - Hospital |
57 |
| Bolivia - Companhia |
215 |
| Brasil - Batalhão |
1.048 |
| Brasil - Cia de Engenharia |
150 |
Chile - Batalhão
|
355 |
| Chile - Aviação |
53 |
| Chile - Cia de Engenharia |
87 |
Equador - Cia de Engenahria
|
66 |
| Filipinas - Companhia
|
155 |
Guatemala - Cia Polícia
do Exército (MP)
|
114 |
| Jordânia - Batalhão |
746 |
| Nepal - Batalhão
1 |
1.098 |
| Paraguai |
31 |
| Peru - Companhia
|
205 |
| SRI LANKA - Batalhão |
950 |
| Uruguai - Batalhão
|
1.133 |
FORCE QG (Headquarters)
|
102 |
| GRANDE TOTAL |
7.061 |
| Nota do total 130 são
mulheres |
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