30 Agosto 2007
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Matérias publicadas na Reportagem Missão Haiti 2005

1ª - Viagem
13 Dez 05
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2ª Entrevista Comandante Veppo, Grupamento Fuzileiros
15 Dez 05
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3ª Entrevista a UNPOL
Capt Osório
20 Dez 05
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4ª Cia E F Paz
26 Dez 05
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5ª Patrulha
30 Dez 05
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6ª Entrevista Comandante Batalhão Haiti
Cel Inf Santiago
13 Jan 06
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7ª Retorno
28 Jan 06
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8º A Função do Intérprete
06 Abr 06
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Missão Haiti 2007
Defesanet 30 Agosto 2007
Exclusivo Defesa @ Net

Série Missão Haiti 2007

1 - Uma missão de Estado

Kaiser Konrad
Enviado especial ao Haiti

A participação de tropas brasileiras na missão de paz no Haiti tem grande importância na política externa e também na projeção da imagem do país. A manutenção de nossos soldados no solo haitiano, não representa somente a ambição do Brasil em possuir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas, também, mostrar a força e o ideal fraternal brasileiro na sua principal Zona de Influência, a América Latina.

Nesses três anos de missão foram enviados ao Haiti mais de 10 mil soldados. Todos estiveram num Teatro de Operações urbano e muito deles adquiriram experiência real em combate, o que é de extrema importância tendo em vista possíveis operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), em cidades brasileiras. Novas doutrinas de emprego dos blindados Urutu em área urbana foram incorporadas à Força, inclusive mudanças técnicas tiveram de ser implementadas nos veículos para o cumprimento de determinadas missões neste tipo de ambiente.

Também, a missão de paz no Haiti possibilitou ao Brasil, ocupar, pela primeira vez, o comando de um exército multinacional. Diferentes culturas, idiomas e contendas regionais foram postas de lado por um ideal maior, o do trabalho conjunto com a finalidade de assegurar a paz nesse miserável país caribenho.

Além de ter a participação de países de outros continentes, a missão de paz no Haiti mantém efetivos militares de quase todas as nações da América do Sul. A principal exceção é a Venezuela, que não reconhece a MINUSTAH, mas mantém um pequeno efetivo de seu exército, a Cia. de Engenharia Simon Bolívar, fruto dos entendimentos cada vez mais profundos entre os presidentes da venezuela e do Haiti, Chávez e Préval, marcando a presença do “bolivarianismo” na ilha.

A tropa brasileira

O 7º Contingente Brasileiro no Haiti – Força Pampa - é nucleado por dois batalhões do Rio Grande do Sul. O 29º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB), de Santa Maria, e o 7º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB), de Santa Cruz, além de outros militares da área do Comando Militar do Sul e um Destacamento de Operações de Forças Especiais, de Goiânia. Também participa da missão o 5º contingente da Cia. de Engenharia de Força de Paz, composta por membros de 41 unidades de engenharia de todo o Exército Brasileiro. Subordinado ao Batalhão Haiti, a Marinha do Brasil contribui com um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais, nucleado no 3° Batalhão de Infantaria - Paissandú.

Cada contingente brasileiro deixa no Haiti a marca da região de onde vem. A “gauchada” que veio do interior do Rio Grande do Sul trouxe seus hábitos característicos. O churrasco, o chimarrão e a música gaudéria estão sempre presentes nos momentos de lazer. Até no contingente uruguaio que está em Porto Príncipe pude encontrar o soldado Oliveira, natural do Chuí (RS). “A cultura forte e a tradição militar” são marcantes nesse contingente, afirma o Force Commander, General de Brigada Carlos Alberto Santos Cruz, gaúcho de Rio Grande.

Apesar das peculiaridades regionais, todos estão no Haiti representando um único povo, o brasileiro. Após 7 contingentes as marcas deixadas pelo Brasil junto à população haitiana são evidentes. A recepção calorosa por parte da maioria dos haitianos aos nossos soldados é um exemplo disso. As crianças haitianas se agarram nas pernas dos militares brasileiros e gritam “Brésil, Brésil”.

Quando uma patrulha passa pelas caóticas avenidas da capital ou mesmo através das vielas mais retiradas, é comum serem vistos abanos, sinais de positivo, aprovação e sorrisos. Manifestações como essas quase não são vistas por contingentes estrangeiros, principalmente àqueles que são mais belicosos, que em seus países de origem não aprenderam a respeitar povos indefesos, vítimas da miséria, doenças e, sobretudo, do abandono do seu próprio povo e da comunidade internacional.

“Alguns países querem saber qual é a estratégia usada pelo Brasil nessa missão de paz, mas não existe estratégia alguma, é o “feeling” do brasileiro, o calor humano e o respeito fraternal que nosso soldado trouxe para cá. Tudo isso faz uma diferença enorme”, afirma o Comandante da 1ª Divisão de Exército, General de Divisão Rui Monarca da Silveira.

País inspira tranquilidade

A situação de segurança em Porto Príncipe, apesar de ainda ser delicada, é o grande trunfo do Brasil. A forma como foi realizado o comando e a gerência deverá ser modelo em futuras missões deste tipo. No entanto, se sabe que a aparente calma que predomina hoje é o reflexo da presença das tropas nas ruas. O crime ainda existe, mas em menor escala. As gangues sabem que continuar confrontando as forças de paz acarretará seu fim, morte ou prisão de seus integrantes, então enterraram a maior parte de seus armamentos e fugiram para cidades do interior à espera da retirada definitiva das tropas da ONU, para assim retornar e ocupar suas antigas posições e ações criminosas.

A Polícia Nacional Haitiana ainda possui um quadro de pessoal insuficiente, pouco treinado, equipado e na maioria das vezes corrupto. Recentemente começaram a realizar patrulhas conjuntas com a força militar da MINUSTAH. Agora, toda a prisão e vasculhamento em residências deverá ser feito pela PNH, que tem a obrigação de levar à Justiça os delinqüentes. “Por um lado é bom, significa que o país está começando a andar com as próprias pernas e as instituições começam a funcionar”, afirma um oficial que não quer se identificar. “Por outro, tem atrapalhado um pouco nosso trabalho, até parece Operação Rio”.

O treinamento dos militares brasileiros é destaque em comparação a outros contingentes. Todos conhecem as regras de engajamento impostas pelas Nações Unidas. A preparação é muito massificada para que o indivíduo chegue à missão preparado psicológica, física e operacionalmente.

Atualmente o responsável por isso é o General de Brigada Williams José Soares, Comandante da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada (ES), que prepara o 8º Contingente que chega ao Haiti no fim do ano. O General Soares, que conhece muito bem o teatro de operações haitiano - já integrou a missão quando era Coronel – é segundo fontes militares, um dos mais fortes candidatos à indicação pelo Exército Brasileiro à ONU ao cargo de Force Commander no próximo ano.

Paraguaios e brasileiros juntos pela paz

O Batalhão Haiti tem a participação de um pelotão de militares profissionais das três forças armadas do Paraguai. Armados e equipados pelo Exército Brasileiro, estão operando dentro da 2ª Cia. de Força de Paz, no Forte Nacional. O Capitão de Corveta Luis Amílcar Vera trabalha como oficial de ligação do batalhão brasileiro junto às forças de língua espanhola. Foi convidado a participar da força de paz em abril deste ano, quando servia no Centro de Operações de Paz.

“Brasileiros e Paraguaios trabalham unidos pela reconstrução do Haiti”, conta o militar que já está familiarizado à tropa e aos costumes brasileiros. “Já estou falando português e alguns brasileiros também estão se aventurando no guarani. Os paraguaios têm muito que aprender com os militares do Brasil. Tenho orgulho de fazer parte do melhor exército da América Latina”, finaliza.

Uma batalha pela Justiça

Foi em Cité Soleil, refúgio das principais gangues armadas da capital que aconteceram os principais combates da missão. Também foi nesse bairro que a MINUSTAH sofreu o maior número de baixas. No início deste ano, uma série de operações multinacionais coordenadas pelo Batalhão Haiti foi realizada tendo a participação, inclusive, de colunas de blindados jordanianos M113 que transportavam soldados do Brasil com apoio aéreo de helicópteros argentinos, que faziam imagens de toda a operação, batizada como Jauru Sudamericano.

A difícil batalha pela conquista da Casa Azul foi um dos momentos mais marcantes da missão e se tornou o símbolo do recomeço e da presença do Estado de Direito no local, pois ao seu lado foi construído um Tribunal de Paz, levando a Justiça para uma população que até então era marginalizada pelo próprio governo.

Ensinando cidadania

Um dos projetos mais importantes implementados pelo Batalhão Brasileiro é o da Colônia de Férias. Realizada em Cite Militaire, reúne algumas dezenas de crianças escolhidas no bairro, que aprendem pintura, música, brincadeiras e higienização. Professores haitianos foram contratados para ministrar as aulas que são bem concorridas.

ACISO

A realização de Ações Cívico-Sociais (ACISO) é a característica das forças armadas brasileiras, que vêm de um país sofrido cuja população de miseráveis ultrapassa em quatro vezes o total de habitantes do Haiti. Ninguém, nunca, poderá ter idéia do quanto é importante o trabalho desempenhado por nossos militares nesse país se não acompanhar uma ação cívico-social.

As Nações Unidas e particularmente o governo americano são contra esse tipo de atividade por achar que é dever das forças de paz prover exclusivamente a segurança e não fazer o que caracterizam como “ajuda humanitária”, que deve ser realizada apenas por ONGs. Diferente da última, as ACISO são organizadas pela tropa e com recursos próprios.

Ao acompanhar uma ACISO dos Fuzileiros Navais em Bois Neuf (assista a apresentação de vídeo), senti o quanto é árduo o trabalho dos nossos militares. Ver o desespero das crianças famintas e dos adultos doentes leva à reflexão de como é bom viver no Brasil. Nesses locais é comum conhecer jovens haitianos que já falam português, conseqüência do caloroso contato que existe entre essas populações e nossos soldados durante essas ações. “Nessa ocasião, distribuímos à população mais de 500 refeições quentes, 10 mil litros de água potável e realizamos mais de uma centena de atendimentos médicos”, afirma o Capitão de Corveta Fuzileiro Naval André Dominguez Freitas.

   
   
   
 

 

 

Artigos Série
Missão Haiti 2007
1 - Uma Missão de Estado
2- Entrevista
Gen Santos Cruz -
Force Commander

Video ACISO BOIS NEUF

  Fotos
 

 

 
  Posto de Observação
   
 
  Membro do contingente Brasileiro em posição
de tiro
   
 
  O Comandante Vera (Paraguai), em patrulha com soldados brasileiros
   
 
  General Rui Monarca em missão de reconhecimento em Porto Príncipe
   
 
  TC Mello e os
Comandantes Vinícios
e Alves
   
 
  Gen Soares na Colônia
de Férias
   
 
  A casa azul
   
 
  Flagrante da
casa azul
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