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Série
Missão Haiti 2007
10
- Hospitais
de Campanha –
O exemplo brasileiro no Haiti
Kaiser
Konrad
Enviado especial ao Haiti
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Até o fim
do ano o Exército Brasileiro planeja
enviar ao Sudão seu hospital de campanha
como contribuição do país à
missão de paz que entra em vigor neste mês.
Essa será a primeira utilização
desta unidade de saúde nível II numa
missão da ONU.
Mesmo não
tendo participado com seu hospital, o Exército
já enviou para diversas missões de
paz equipes médicas para o apoio de suas
tropas, como no caso de Angola, onde os militares
também faziam atendimentos à população
e com poucos recursos realizavam complexas cirurgias
devido ao alto número de acidentes com minas.
A medicina de guerra
é, ainda hoje, desconhecida da maioria dos
profissionais de saúde do país. A
exceção é o Rio de Janeiro,
onde devido aos constantes combates e o armamento
utilizado, formou na prática diária
um bom número de especialistas na área.
Mesmo assim, num contexto geral, o Brasil fica bem
atrás de países como a Argentina no
tratamento de feridos em conflitos armados. Essa
falta de experiência pode ser catastrófica
se um dia o país entrar em guerra.
Irônicamente,
em nenhuma das operações combinadas
do Ministério da Defesa são organizados
treinamentos de evacuação aeromédica
e terrestre de feridos, bem como do pessoal de saúde.
A preparação dos médicos militares
que trabalham em seus hospitais de campanha na retaguarda
e dos enfermeiros de cada unidade na linha de frente,
é esquecida nas operações de
grande magnitude, como se numa guerra real não
existissem feridos.
Embora com sérias
deficiências na área de medicina de
guerra, o Brasil tornou-se referência a nível
ambulatorial no tratamento de seus militares no
Haiti.
Exemplo no
Haiti
A Seção
de Saúde da Cia. de Engenharia de Força
de Paz Haiti, Unidade de Saúde Nível
I, tem como missão oferecer suporte básico
à vida e realizar pequenos procedimentos
cirúrgicos. Com capacidade para atender até
20 pacientes/dia, pode manter até 5 pacientes
baixados ao mesmo tempo por um período máximo
de dois dias. Mantém um suprimento de medicamentos
e insumos médicos por dois meses.
A unidade é
dimensionada para dois médicos, dando-se
preferência para um cirurgião e um
clínico, mas pode funcionar com qualquer
especialidade desde que os profissionais tenham
treinamento em atendimento às urgências
e emergências. Possui ainda seis atendentes
podendo ser desdobrada em duas equipes com três
integrantes.
Entrevista
com Major Mendonça – Chefe da Unidade
de Saúde da Cia. de Engenharia de Força
de Paz no Haiti:
Defesanet
- A Seção de Saúde que você
chefia é referência em toda a MINUSTAH.
Como ela funciona?
Major Mendonça -
Nossa unidade médica está assentada
sobre uma construção pré-fabricada,
italiana, produzida pela CO.RI.MEC. É dividida
em dois consultórios médicos, uma
sala de Emergência e uma enfermaria com cinco
leitos. No lado de fora, em anexo, temos o container-farmácia.
Ainda existe um container-depósito, que é
empregado para a guarda de alguns materiais e equipamentos
não perecíveis e geralmente permanentes
da enfermaria.
Defesanet
– Quais os equipamentos disponíveis?
Major Mendonça -
Possuímos duas bombas de infusão,
dois DEA – Desfibrilador Externo Automático,
um carro de parada com todos apetrechos pertinentes
(drogas, material para intubação,
desfibrilador, aspirador, ECG, PO2, etc), um eletrocautério
com bisturí elétrico, respirador artificial
volumétrico, aspiradores e eletrocardiógrafo
multiparamétrico. Também possuímos
uma mesa cirúrgica, um foco cirúrgico
com bateria auxiliar, autoclave, instrumentos cirúrgicos
e ainda duas ambulâncias
(Land Rover e Toyota) que rapidamente podem ser
convertidas em Unidade de Suporte Avançado.
Cada ambulância está equipada diuturnamente
com bolsas de equipamento e insumos para pronto-emprego.
Defesanet
- Qual é o pessoal empregado da Unidade?
Major Mendonça -
Nosso pessoal de saúde possui o curso de
Resgate (montanha, água, fogo) e são
habilitados em Suporte Básico (Grupo Técnico
de Emergência – Brasília/DF),
Evacuação Aeromédica (Batalhão
de Aviação do Exército, - Taubaté/SP),
Inspeção e Controle de Alimentos (11º
Depósito de Suprimento – Brasília/DF),
Imobilizações (Hospital das Forças
Armadas – Brasília/DF), Controle e
Esterilização de Equipamentos (Hospital
Geral de Brasília).
Nosso corpo médico
é formado por mim, Major Médico Fernando
Antônio de Mendonça Alves (Chefe da
Seção) – especializado em Otorrinolaringologia
e Medicina do Trabalho, tendo já integrado
a missão de paz em Angola; e o Capitão
Médico Ubirajara Vieira Mendes – Cirurgião
Geral e Coloproctologista.
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O
hospital tem capacidade de realizar pequenas
intervenções cirúrgicas. |
Níveis
das Unidades Médicas - Explicações
Os níveis
de Unidades Médicas são enumerados
de I a IV, e respondem de acordo com as possibilidades
que possam oferecer na complexidade da busca
do diagnóstico e sua terapia.
A
Unidade Nível I: suporte básico
para a manutenção da vida (vias
aéreas, respiração, hemorragias,
perdas de consciência, etc). (ex: Cia
Eng F Paz Haiti e Batalhão Brasileiro
de Força de Paz).
A
Unidade Nível II: possui um
número maior de profissionais e equipamentos,
já possui um centro cirúrgico,
uma UTI com pelo menos um leito e especialidades
médicas. Geralmente montada sobre um
Hospital de Campanha. Está apta a realizar
quase todos os procedimentos resultantes de
traumas. Aparece aqui a figura do cirurgião
no centro cirúrgico, do anestesista,
ortopedista e do clínico geral, entre
outros profissionais. (ex: Hospital de Campanha
Argentino)
A
Unidade Nível III: esta unidade
já é um Hospital Geral. Composta
por várias especialidades, equipamentos
mais complexos para diagnóstico e terapêutica.
Pode ou não comportar seções
ou unidades de ensino e pesquisa. (ex: CEDIMAT
– República. Dominicana).
A
Unidade Nível IV: grande hospital
ou complexo médico-hospitalar possui
todo o aparato diagnóstico e terapêutico
para a resolução de quase todos
os problemas relacionados à saúde
humana. Geralmente possui seção
ou unidade de ensino e pesquisa. (ex: Jackson
Memorial Hospital – EUA).
A cadeia de
evacuação é realizada
sempre do mais simples ao mais complexo e
é solicitada pelo responsável
médico em cada nível.
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