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Missão
Antártida 2008
IV
- Comandante Ferraz –
O Brasil em solo antártico
Kaiser Konrad
Enviado especial à Antártida
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Comandantes
José Henrique,
Sá de Mello e Sérgio Gomes |
Em 6 de fevereiro
passado, a Estação Antártica
Comandante Ferraz completou 24 anos de
operação. Símbolo da presença
brasileira no continente gelado, está instalada
na Baia do Almirantado, Ilha Rei George (25 de
Mayo), Arquipélago Shetlands do Sul, encontrando-se
a cerca de 130 quilômetros a oeste da Península
Antártica, na posição latitude
62o05'S e longitude 58o24'W.
A Estação
é administrada pela Marinha do Brasil.
Nela são desenvolvidos projetos científicos
nas áreas físicas, químicas,
biológicas e ambientais, com destaque aos
importantes estudos relacionados com a variação
da temperatura e as mudanças climáticas
da região, que implicam seriamente no clima
global.
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Estação
Antártica Comandante Ferraz |
Vista
Externa Estação Antártica
Comandante Ferraz |
As atividades
administrativas são conduzidas por um Grupo
Base que permanece o ano todo e é constituído
por 10 militares da Marinha, destes, três
oficiais, chefe, subchefe e médica e sete
praças especialistas em; viaturas e tratorista,
eletrônica, eletricidade, motores e lanchas,
embarcações, comunicações
e cozinheiro. No verão, quando chegam a
maioria dos pesquisadores, a EACF pode acomodar
mais de 40 pessoas, possuindo mais de 60 módulos
entre alojamentos, laboratórios, oficinas,
sala de estar, enfermaria, cozinha, biblioteca,
paióis, sala de comunicações,
um pequeno ginásio de esportes e um heliponto.
Nesse um quarto
de século de existência, essa base
contribuiu imensamente para o desenvolvimento
de um respeitado programa de pesquisas científicas,
que permite ao Brasil estudar o impacto das mudanças
ambientais globais na Antártida e de proporcionar
a condução de importantes projetos
científicos.
Em 2007 a EACF
iniciou a modernização e ampliação
de suas instalações. Dois anos antes,
a reportagem de Defesanet esteve no continente
gelado e ouviu dos militares da Marinha uma série
de reclamações sobre a situação
de quase abandono que vivia a Estação.
Até então, em mais de 20 anos de
operação, nunca havia sofrido uma
reforma. A situação tem mudado devido
ao aporte financeiro recebido pelo Proantar.
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Comandante
Janaina -
Subchefe de Ferraz |
Comandante
Sá de Mello |
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Instalações
Internas da EACF |
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Missão
Antártida 2008 tem a apoio da Cordoaria
São Leopoldo S.A. |
A atividade científica
e a manutenção permanente das instalações
da EACF são estratégicas para o
Brasil. Apesar de sua importância, ela apóia
apenas 30% de todas as pesquisas desenvolvidas
dentro do Programa Antártico Brasileiro.
Para alguns pesquisadores, já está
na hora do Brasil entrar no continente, construir
uma nova base e definitivamente desenvolver projetos
no Pólo Sul, o que não acontece
hoje já que a EACF se encontra na parte
peninsular da Antártida.
A Estação
é chefiada pelo Capitão de Mar e
Guerra Carlos Benicio Sá de Mello, e tem
como subchefe a Capitão de Corveta Janaina
Silvestre da Silva. Voluntários para integrar
a missão, os dois militares tiveram que
disputar com mais de 20 concorrentes um rigoroso
processo de seleção que durou quase
seis meses. A Comandante Janaina é psicóloga
e membro do Quadro Técnico da Marinha.
Ela chegou ao continente gelado no início
do ano passado quando se tornou a primeira mulher
a servir na EACF.
Acompanhe uma
entrevista com o Chefe da Estação
Antártica Comandante Ferraz, CMG
Carlos Benício Sá de Mello:
DEFESA@NET
- Como é comandar a Embaixada do Brasil
na Antártida?
CMG Sá
de Mello - Com
certeza a EACF é a Embaixada do nosso País
na Antártida. Na área da Ilha Rei
George (25 de Mayo), existem nove estações
de países diferentes onde o relacionamento
entre seus integrantes deve ser o melhor possível.
As estações mais próximas
são a peruana e a polonesa, o que faz termos
uma contato muito mais assíduo. Além
disso, a cada vôo de apoio recebemos visitas
de parlamentares, cidadãos brasileiros
e estrangeiros. É uma honra muito grande
ser o chefe da Estação.
DEFESA@NET-
Como são realizados os trabalhos na área
externa da EACF?
CMG Sá
de Mello - No momento
estamos passando por um período de modernização
e ampliação da Estação,
trabalho realizado por profissionais do Arsenal
de Marinha do Rio de Janeiro. Por isso, há
uma movimentação de tratores, guindastes
e carga acima do normal. Na parte de pesquisas,
toda a locomoção é feita
usando embarcações.
DEFESA@NET
- A Antártida é uma zona muito hostil
de se trabalhar. Quais são os cuidados
que devem ser tomados pelos pesquisadores?
CMG Sá
de Mello - Essa
é uma área muito perigosa, sobretudo
no inverno. Toda atividade desenvolvida aqui requer
no mínimo três vezes mais esforço
físico que se estivéssemos em condições
normais. O preparo físico e mental é
fundamental para se viver na Antártida.
Além disso, é importante estar habituado
ao uso dos diferentes equipamentos onde a operação
é necessária nesse tipo de ambiente.
Sempre quando um grupo sai para atividades na
parte exterior da Estação ele é
acompanhada por um especialista em alpinismo.
DEFESA@NET-
Quais as dificuldades enfrentadas pela EACF?
CMG Sá
de Mello - Hoje
nós estamos relativamente bem. Há
cerca de três anos, o projeto enfrentava
escassez de recursos, mas recentemente recebemos
um aporte financeiro da Petrobrás. Estamos
trocando alguns equipamentos e substituindo viaturas
DEFESA@NET-
Que mudanças foram realizadas recentemente
na Estação?
CMG Sá
de Mello - Houve
a ampliação do setor de garagem,
incorporação de um novo sistema
de incineração de lixo orgânico,
ampliação e modernização
das instalações e equipamentos laboratoriais.
DEFESA@NET-
Que importância tem para o Brasil manter
uma base no continente gelado?
CMG Sá
de Mello – A
importância se dá no sentido de que
o País é signatário do Tratado
Antártico e desenvolve um programa de pesquisas
científicas, marcando assim, sua presença
e participando de todas as decisões sobre
o futuro da Antártida.
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Locomoção
é feita através de botes |
Instalações
externas da EACF |