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Missão
Amazônia 2008
A Aviação do Exército
na Amazônia
Kaiser Konrad
Enviado Especial a Manaus
<-- Cel Furlan - Comandante
4º BAvEx
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Em maio de 2004,
a queda de um avião Brasília, da
Rico Linhas Aéreas, causou a morte de 33
pessoas em Manaus. Imediatamente após o
acionamento, o helicóptero de alerta se
deslocou para a área do acidente. Equipada
com óculos de visão noturna, a tripulação
iniciou o resgate dos corpos na que seria a primeira
missão SAR utilizando NVG na América
do Sul.
Três anos depois, movimentos sociais (irregulares)
invadiram as instalações da Usina
Hidrelétrica de Tucuruí,
no Pará. Na sala de controle, terroristas
ameaçaram desligar o sistema elétrico
e deixar toda a região norte do país
às escuras. As aeronaves do 4ºBAvEx
foram acionadas e cumpriram as missões
de reconhecimento, segurança e transporte
de Forças Especiais, que longe dos holofotes
da mídia e na penumbra característica
de suas ações, desalojaram os invasores
e garantiram a segurança das instalações
vitais da usina.
O 4º
Batalhão de Aviação do Exército
(BAvEx)
O 4º Batalhão de Aviação
de Exército está localizado ao lado
da Base Aérea de Manaus, numa área
de relevo irregular onde foi construído
o primeiro hangar suspenso do Brasil. É
a única unidade de asas rotativas do Exército
Brasileiro na Amazônia, e tem uma área
de responsabilidade de quase metade do território
nacional. Comandado pelo Coronel Achilles
Furlan Neto, possui um efetivo de 300
militares, sendo 35 deles pilotos. Está
subordinado diretamente ao Comando Militar
da Amazônia (CMA).
O 4º BAvEx
está equipado com 11 Helicópteros
de Manobra de três modelos diferentes, sendo
4 HM-2 Blackhawk (Sikorski S70A),
3 HM-1 Pantera (Eurocopter AS 365),
e 4 HM-3 Cougar (Eurocopter AS 532 UE).
O número reduzido de aeronaves contrasta
com a quantidade necessária e o número
de missões. “As exigências
e características operacionais, e as longas
distâncias nos deslocamentos, exigem que
no mínimo dobremos o número de aeronaves
disponíveis”, afirma o chefe de operações
do CMA, General-de-Brigada Carlos Alberto
Da Cás. “Esperamos em breve
instalar outro batalhão de aviação
em Belém-PA, a capital da Amazônia
Oriental, e no futuro espera-se a criação
de uma Brigada de Aviação do Exército
na região amazônica”.
A necessidade
de helicópteros de ataque tanto equipando
o 4º BAvEx como em futuras unidades é
um consenso entre os militares. Atualmente este
vácuo está sendo suprido pelos Fennec
que estão em Taubaté, e que, no
caso de um acionamento têm 48 horas para
se deslocar e operar em qualquer lugar do Teatro
de Operações da Amazônia.
A aeromobilidade
na selva amazônica está dividida
em duas doutrinas operacionais: A Gama, de combate
e resistência; e a Alfa, de combate convencional.
Dentro dessas duas doutrinas de emprego da força
militar no Teatro de Operações da
Amazônia (TOA), poderão ser realizadas
uma série de missões específicas
que estão dividas em:
Missões
de apoio ao combate:
Comando e controle, observação de
tiro – necessária em ambiente de
selva – SAR, reconhecimento, segurança,
incursão, infiltração e exfiltração
aeromóveis.
Missões
de apoio logístico:
Ressuprimento das bases, destacamentos e pelotões
especiais de fronteira, lançamento de pára-quedistas
e Forças Especiais, evacuação
aeromédica e transporte.
No 4º
Batalhão de Aviação do Exército
(BaVEx), todas as missões são
reais. Por isso o alto-nível de operacionalidade
de suas tripulações. Os helicópteros
estão equipados com a metralhadora lateral
Mag 7.62 e podem estar em operação
em qualquer ponto da fronteira brasileira na área
de CMA apenas 15 horas após o recebimento
da missão.
Como a vastidão
da floresta foge a autonomia de qualquer helicóptero
disponível hoje no mercado, para cada desdobramento
do batalhão, tanques de combustíveis
de campanha, chamados plots, são transportados
e distribuídos em zona segura para que
mesmo durante a ação, as aeronaves
possam pousar, reabastecer e retornar ao combate.
A Aviação
do Exército é fundamental para qualquer
atividade militar na Amazônia, seja na paz
e principalmente na guerra. A escassez de recursos,
o avançado tempo de uso das aeronaves,
somados à exigência a níveis
extremos de operação, características
da região, e a dificuldade no suprimento
de peças, no caso dos Blackhawk, são
questões sérias que necessitam de
uma maior atenção do Comando do
Exército, caso contrário em médio-prazo
toda a frota de asas rotativas do Exército
ficará parada nos hangares.
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Os
vôos sobre o oceano verde
requerem cuidados especiais |
HM-2
Black Hawk em manutenção
no 4º BAvEx |
Acompanhe uma
entrevista com o Comandante do 4º BAvEx,
Cel Achilles Furlan Neto:
Defesanet
- Quais as peculiaridades do vôo de helicóptero
na Amazônia?
Cel Furlan:
As condições meteorológicas
são extremas e suas mudanças são
repentinas. Como as distâncias aqui são
muito grandes e os vôos têm longa
duração, o piloto que decola com
uma condição meteorológica
favorável pode encontrar no meio do caminho
uma mudança radical no tempo. Aqui não
é como o sul ou o sudeste do país,
onde podemos pousar sempre que as condições
de tempo ficam ruins. Essa facilidade que o helicóptero
tem não pode ser desfrutada na selva e,
quando uma clareira é achada, a tripulação
não tem como avisar a unidade que fez um
pouso em segurança, o que deixa todos apreensivos
e preocupados.
Defesanet
– Como acontece o acionamento para uma missão?
Cel Furlan:
Normalmente recebo
a missão por telefone. Quando o assunto
é sigiloso, sou convocado ao Comando Militar
da Amazônia, onde recebo todas as informações
sobre a missão a ser cumprida. Passo elas
ao meu oficial de operações, que
com sua equipe vai planejá-la. Como somos
acionados constantemente, o nosso briefing é
menor. Basta informar o piloto qual a missão
e as ameaças envolvidas, e ele vai cumprir.
No caso de uma missão em qualquer da fronteiras
da região norte, após acionado,
e com condições meteorológicas
normais, estaremos no local, prontos para entrar
em ação em até 15 horas.
Defesanet
– Existe a necessidade de equipar o Batalhão
com um helicóptero de ataque?
Cel Furlan:
Todo exército no mundo deve ter helicópteros
de ataque. Eles têm um poder dissuasório
muito grande. Mas eu preciso de uma aeronave que
se proponha a fazer o que preciso dela aqui na
Amazônia, que além de fortemente
armada, possua grande autonomia.
Defesanet
– Existe a necessidade de aumentar o número
de aeronaves do Batalhão?
Cel Furlan:
Sem dúvida! No mínimo o dobro. Falo
em ter disponíveis pelo menos 25 aeronaves.
Nesta semana estamos realizando 4 missões
ao mesmo tempo. Se por problemas nas aeronaves,
dificuldade logística ou no fornecimento
de peças, eu tenha que tirar um único
aparelho de operação, numa frota
diminuta como a que tenho, isto terá um
reflexo muito grande. Mesmo assim, temos um ponto
de honra no Batalhão de jamais deixar de
cumprir uma missão. Sabemos que o CMA conta
somente conosco e se não pudermos apoiá-lo,
ninguém poderá.
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HM-2
Black Hawk |
HM-3
Cougar |
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Pré-posicionamento
de pontos de
reabastecimento na floresta |
HM-3
Cougar |
HISTÓRICO
DO 4º BAvEx
O 4º
BAvEx nasceu da crescente importância
geopolítica da região amazônica.
Sua origem remonta ao ano de 1991, quando
uma força de helicópteros
da então Brigada de Aviação
do Exército, deslocou-se de Taubaté-SP
para participar de Operação
Militar na região de Tabatinga-AM.
A Unidade,
contudo, veio a nascer de fato com a reestruturação
da Aviação do Exército,
em agosto de 1993, sendo ativada em 15 de
dezembro do mesmo ano, com a denominação
de 1º Esquadrão do 2º Grupo
de Aviação do Exército,
utilizando provisoriamente áreas
da Base Aérea de Manaus. Em 15 de
dezembro de 1997 passou a designar-se 4º
Esqd AvEx, evoluindo para a estrutura e
denominação atual.
Em 18 de
junho de 1999, o Batalhão ocupou
modernas instalações, no setor
sul do aeródromo de Ponta Pelada,
onde desfruta de excelente condições
de trabalho e é presenteado com uma
aprazível visão do Rio Negro
e da exuberante Floresta Amazônica.
Entusiasta
da Aviação do Exército
na Amazônia, o Cel Inf RICARDO FELIPPE
ALBRECHT PAVANELLO conduziu com esmero todo
o período de implantação
da OM. Após seu falecimento em trágico
acidente, quinze dias após passar
o Comando da Unidade, o Exército
designou ao Batalhão a denominação
histórica de Esquadrão Coronel
RICARDO PAVANELLO.
Com suas
aeronaves HM-1 (Pantera), HM-2 (Black Hawk)
e HM-3 (COUGAR), a Unidade voa sobre a imensa
floresta amazônica, sempre com total
segurança e elevado padrão
operacional, conduzindo todas as operações
aeromóveis no âmbito do CMA,
além de cumprir diversas missões
com outros órgãos governamentais
como o IBAMA, FUNAI, Polícia Federal
e outros, nunca perdendo o foco de sua missão
“dar aeromobilidade ao Comando Militar
da Amazônia, nos níveis táticos
e estratégicos”.
Consolidada
como Unidade de espírito forte, o
4º BAvEx - Esquadrão Coronel
RICARDO PAVANELLO – continua a sua
caminhada, buscando a cada nascer do sol
atender de modo eficaz as aspirações
do Exército e do Brasil, trazendo
os guerreiros alados desta Unidade singular,
de modo bem nítido em suas mentes,
os valores de seus antepassados.
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