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Missão
Amazônia 2008
Sinta a emoção de
voar na Amazônia
Acompanhe uma missão real
com o Esquadrão Arara
Kaiser
Konrad
Reportagem e Fotos
Enviado Especial a Tabatinga e aos Pelotões
Especiais de Fronteira com a Colômbia
e o Peru
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Reportagem
histórica: Defesa@Net foi o primeiro
veículo de comunicação
brasileiro a voar numa missão real
sobre a selva amazônica no novo vetor
aéreo de transporte da FAB |
No extremo ocidental
do Brasil, a poucos quilômetros da tríplice
fronteira amazônica está localizado
o Aeroporto Internacional de Tabatinga, um aeródromo
estratégico que é o principal ponto
de apoio às operações aéreas
na região. É a partir dele que operam
as aeronaves militares que fazem o abastecimento
dos Pelotões Especiais de Fronteira subordinados
ao Comando de Fronteira Solimões. Estas
missões integram o Plano de Apoio à
Amazônia.
O jovem Tenente
Augusto César está ansioso. Ao lado
da esposa ele se prepara para assumir o comando
de um PEF e passar um importante período
de sua vida no isolamento da selva, cumprindo
seu dever militar de proteger nossas fronteiras
numa missão árdua, diária
e sempre real.
No pátio
de manobra o imponente EADS-CASA C-295 inicia
os procedimentos para a decolagem. Designado como
C-105A Amazonas e operado pelo 1º/9º
GAV – Esquadrão Arara - é
a mais moderna aeronave de transporte da Força
Aérea Brasileira. Como observador externo,
o Suboficial Dalson acompanha com o braço
levantado o giro dos motores. Na cabine, uma experiente
tripulação formada por oficiais
aviadores prepara-se para a decolagem. O destino
será o 4º PEF de Palmeiras do Javari,
situado à 1h30min de vôo ao sul de
Tabatinga, na fronteira com o Peru.
O compartimento
de carga está totalmente carregado. Alimentos
de todos os gêneros, material de construção,
medicamentos, tudo o que será necessário
para a manutenção de todo o efetivo
do PEF e seus familiares durante um mês
- ou até a chegada do próximo vôo
- está sendo transportado. Itens de luxo
na selva, como ventiladores, a cama e o colchão
do novo comandante vão junto. Quando parecia
não haver mais espaço para nada
os passageiros começam a entrar. São
moradores das proximidades do PEF, soldados e
seus familiares. Mães com filhos recém
nascidos lotam o avião, fazendo o vôo
parecer às clássicas missões
de misericórdia, muito comumente realizadas
pela FAB nesta região.
Voar sobre o
mar verde da Amazônia é sempre uma
missão de risco. A floresta é completamente
fechada, com árvores que podem superar
os 50 metros de altura. Em caso de emergência
não existem lugares onde se possa pousar.
“Os rios são as únicas alternativas
onde um procedimento pode ser efetuado caso tenhamos
um problema grave que nos impossibilite continuar
voando”, afirma o Capitão-aviador
Zanin. “O C-105A é um avião
extremamente seguro e conseguimos voar ele somente
com um motor”. Além da confiabilidade
da aeronave, ela está equipada com as mais
avançadas tecnologias de navegação
disponíveis no mercado, o que permite a
tripulação voar o tempo todo sobre
a linha de fronteira sem correr o risco de entrar
no espaço aéreo dos países
vizinhos.
Pouco mais de
uma hora de vôo se passou quando a tripulação
comandada pelo Capitão-aviador Kleber Skolimovski
Aguilar inicia os procedimentos para aterrissagem.
Nestas pistas isoladas não existem controladores
avançados, tudo acontece baseado na experiência
dos pilotos e na capacidade do avião. A
rusticidade característica das operações
aéreas nestas regiões do país
aliada à tecnologia de ponta embarcada
na aeronave, tornam a tripulação
do Esquadrão Arara a mais bem preparada
para situações de combate na aviação
de transporte da FAB.
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Na linha do horizonte
já se divisa uma pequena faixa de terra
no meio do nada. Lá está a pista
de pouso. O “Arara 03” perde altura
e voa sobre a copa das árvores. Faz uma
passagem baixa sobre o destacamento militar do
exército e prepara-se para aterrissar.
A pista é feita de asfalto e repleta de
buracos e rachaduras provocados pela rigidez do
período de chuvas. Todos os cintos de segurança
são amarrados com força. Como as
pistas são curtas, em geral mil metros
de cumprimento, todos os pousos são de
assalto, iguais aos efetuados em combate.
A aproximação
é lenta e gradual e, de repente - “Arara
03 no solo” – a aeronave toca com
força a pista e imediatamente o piloto
reverte os dois motores ao máximo, momento
em que todos literalmente “voam” dentro
da aeronave. Este é o famoso pouso de assalto,
onde apenas dez segundos após tocar o solo
o avião já inicia o taxi com destino
ao local de estacionamento.
O Arara 03 já
com o compartimento de carga aberto chega ao local
de parada. Dezenas de pessoas aguardavam o avião.
Os militares do exército rapidamente iniciam
um mutirão para descarregar todo o material
trazido. Isso tem que acontecer rápido
devido à instabilidade meteorológica
da região, que faz o tempo mudar radicalmente
“de uma hora para outra”. Mulheres,
crianças, índios, todos vieram recepcionar
a FAB. Para o Tenente Hebert, do Exército
Brasileiro, “a FAB é nossa única
ligação com o mundo. É ela
que traz nossa comida e transporta tudo o que
necessitamos para sobreviver. Sem estes vôos
de apoio nós ficaríamos completamente
isolados no meio da selva”. Até o
combustível que alimenta os geradores dos
PEFs é trazido de avião, assim como
seus tanques e caixas d’água.
Missões
como a descrita acima fazem parte da rotina diária
do Esquadrão Arara. Através da participação
no Plano de Apoio à Amazônia e no
Correio Aéreo Nacional ele tem feito o
importante papel de unir ao Brasil as populações
ribeirinhas dos recantos mais distantes da região
norte. Ao propiciar apoio logístico às
tropas do Exército, ele cumpre seu papel
na defesa da Amazônia e na manutenção
de sua integridade territorial.
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Observar
o mapa digital com a disposição
da
linha de fronteira e a posição
da aeronave |
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