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DEFESA@NET 10 Abril 2008
Valor 10 Abril 2008

Governo quer ter "golden share" na indústria bélica

Nelson Jobim: projeto de aquisição de caças para a FAB pode ser
trocado por programa de desenvolvimento de protótipo

Em troca de um novo regime tributário e regulatório que exima a indústria bélica nacional das amarras da Lei de Licitações, além de acabar com a descontinuidade das compras oficiais, o Plano Estratégico de Defesa proporá a concessão de "golden shares" (ações especiais) ao governo em grandes empresas do setor.

O plano, que está em elaboração e será apresentado dia 7 de setembro, teve suas conclusões preliminares divulgadas ontem pelos ministros da Defesa, Nelson Jobim, e de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. Eles apregoaram a "reorganização radical" da indústria de defesa, com proteção às empresas nacionais do setor. Para isso, segundo Mangabeira, é essencial aplicar regras que protejam essas empresas do "curto-prazismo mercantil" e não as submetam ao "risco de descontinuidade de compras governamentais".

"Não podemos tratá-las como se elas vendessem qualquer produto nacional", disse Mangabeira. Indústrias como Helibrás, Avibrás, a fabricante de pistolas Taurus e a Mectron, que produz radares e mísseis, podem ser alvo da tentativa do governo de obter ações especiais como compensação por um programa robusto de fomento. É uma forma de "assegurar o poder estratégico do Estado", conforme definiu o ministro extraordinário.

É essa a lógica que prevalece, segundo ele, nas negociações para a transferência de tecnologia com outros países. "A todos eles deixamos claro que não estamos interessados em comprar produtos, mas em parcerias", disse Mangabeira, depositando suas maiores esperanças nas conversas com França e Rússia.

A reformulação da indústria de armamentos faz parte do tripé em que se baseia o Plano Estratégico de Defesa. O segundo eixo trata da obrigatoriedade do serviço militar e a eventual criação de um serviço social. O terceiro ponto é o reaparelhamento das Forças Armadas em função do desenho de seis cenários possíveis de emprego das tropas - o monitoramento das fronteiras terrestres e marítimas em circunstâncias de paz; a invasão de fronteiras por forças paramilitares, com o apoio velado ou não de um país vizinho; uma guerra assimétrica na Amazônia contra uma potência bélica; uma guerra em outro continente, com reflexos para o Brasil e emprego efetivo ou potencial de armas nucleares; a participação do Brasil em missões de paz das Nações Unidas; e operações internas para garantia da lei e da ordem em grandes metrópoles.

O projeto F-X da Aeronáutica, cancelado em 2005 e recém-retomado, pode ir de novo para a gaveta. Desta vez, porém, para dar lugar a um programa mais ousado: o desenvolvimento, com uma potência bélica, do protótipo de uma novíssima geração de caças, provavelmente envolvendo a Embraer. O projeto inicialmente consistia na compra de 8 a 12 caças para modernizar a frota brasileira, a um custo aproximado de US$ 700 milhões. Desde o ano passado, a Aeronáutica retomou as sondagens a grandes fabricantes, numa compra que poderia chegar a vários bilhões de reais.

Jobim revelou que duas alternativas serão postas à mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira é de fazer a aquisição de caças de quarta geração - como o Rafale francês ou o Sukhoi russo - barganhando "ao máximo" a transferência de tecnologia. Outra opção é deixar essa compra de lado e investir todos os recursos com quatro finalidades: a modernização dos sistemas de armas dos caças já disponíveis na frota da FAB; o avanço de projetos próprios de veículos não-tripulados (primeiro de monitoramento e, depois, de combate); investimentos "maciços" em recursos humanos na Aeronáutica; e o desenvolvimento de uma quinta geração de caças. É um projeto "de décadas, não de anos", em que o objetivo "é mais aprender do que fabricar", disse Mangabeira.

Na Marinha, a prioridade total é o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear, mas outras ações incluem a redistribuição territorial das tropas, hoje excessivamente concentradas no Rio de Janeiro. No Exército, a intenção é priorizar a Força de Ação Estratégica Rápida, extremamente móvel e flexível, que abrange 10% do contingente da Força. Jobim deixou clara a necessidade de reforçar a presença militar na Amazônia, onde o contingente militar é de 27.236 homens - quase 80% do Exército. "Temos de redimensionar inclusive o tamanho do efetivo."

DEFESA@NET

Jobim: missão à Rússia foi menos produtiva - Vivian Oswald - O Globo 07 Janeiro 2008
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_17.htm

Viagem de Jobim à Rússia acaba sem acordo - Rubens Valente - Folha de São Paulo - 07 Janeiro 2008
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_18.htm

Pé francês no Brasil - Eliane Catanhêde - Folha de São Paulo - 06 Janeiro 2008
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_16.htm

Jobim retoma na Rússia negociação sobre caças para o Brasil - Folha de São Paulo - 05 Fevereiro 2008
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_15.htm

Resultados de viagem de Jobim à Rússia dependem de mais negociação http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_14.htm

Brasil enfrenta resistência de russos na área de Defesa
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_13.htm

Rússia faz lobby com viagem, hotel e balé
-Rubens Valente - Folha de São Paulo
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_11.htm

Submarino nuclear pode custar ao país R$ 2,74 bi até 2020 - Rubens Valente - Folha de São Paulo
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_12.htm

Após França, Jobim avalia submarino russo - RUBENS VALENTE - Folha de São Paulo
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_10.htm

Brasil em guerra - ELIANE CANTANHÊDE - Folha de São PAulo
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_9.htm

Acordo Brasil-França: SOFA (Status of Forces Agreement) - 31 Janeiro
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_5.htm

Em sigilo, Jobim negocia um satélite com a França - Folha de São Paulo
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_7.htm

Jogada de Mestre - Claudio Dante Sequeira - Correio Braziliense
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_8.htm

Acordo Brasil-França: SOFA (Status of Forces Agreement) Inclui vídeo - 2025 Forces Terrestres en Action - Nelson Düring DEFESA@NET
http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_5.htm

Parceria estratégica - Claudio Dantas Sequeira Correio Braziliense - http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_1.htm
Acordo Brasil-França: Militares terão livre trânsito - Claudio Dantas Sequeira

http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru_3.htm
Agenda Oficial Visita à França e Rússia-http://www.defesanet.com.br/md1/fr-ru.htm

Defesa@Net

Jobim vai a França e Rússia discutir reequipamento - Tema central da viagem será desenvolvimento de submarino nuclear - Roberto Godoy e Tânia Monteiro
http://www.defesanet.com.br/md1/pac_10.htm

Jobim vai à Europa para discutir tecnologia militar -Eliane Cantanhêde - Folha de São Paulo - Janeiro 2008 http://www.defesanet.com.br/md1/pac_8.htm

Editorial - Brasil obsoleto e vizinhos armados - JB 02 Janeiro 2008
http://www.defesanet.com.br/md1/pac_7.htm

Grupo do PAC da Defesa é lançado no Palácio do Planalto
http://www.defesanet.com.br/md1/pac_defesa.htm

Jobim diz no Amazonas que quer construir estratégia nacional de defesa

http://www.defesanet.com.br/md1/solimoes.htm

As Forças Armadas e a nação - Mangabeira Unger - 2005 http://www.defesanet.com.br/md/fsp_23ago05.htm

   
   
   
   
   
   
   
 
   
   
 

Brasil vai propor defesa
única para litoral do continente
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Jornal do Brasil - Nov 2007

   
   
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