| Jobim
vai a França e Rússia discutir reequipamento
Tema central da viagem será desenvolvimento
de submarino nuclear
Roberto Godoy e Tânia
Monteiro
O ministro da Defesa,
Nelson Jobim, vai à França e à
Rússia para discutir acordos de cooperação,
visitar fabricantes de sistemas militares e, sobretudo,
tratar do desenvolvimento do submarino nuclear de
ataque. Na terça-feira, Jobim vai conhecer
a base naval de Toulon e visitar um submarino atômico
da frota francesa. Um dia antes, despacha com Jean
Poimboeuf, o presidente do DCNS - estaleiro responsável
pela construção desses navios. Brasil
e França mantêm um tratado que prevê
acesso a tecnologias sensíveis.
Segundo o ministro,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “aprovou
as linhas da agenda de conversações”,
em reunião realizada no Palácio do
Planalto há três dias. Fornecedores
franceses querem vender ao Brasil o submarino Scórpene,
diesel-elétrico, de 1.700 toneladas, e o
caça de quinta geração Rafale,
capaz de voar a 2.125 km/hora transportando 8 toneladas
de armas. O processo FX-2, do Comando da Aeronáutica,
prevê a aquisição de até
36 supersônicos - “a seleção,
mas não a encomenda, deve sair até
dezembro”, disse o ministro.
O pacote prevê
a instalação na fábrica da
Helibrás, em Itajubá, Minas Gerais,
da linha mundial dos helicópteros Panther
e de sua versão civil, o Dauphin. A empresa
brasileira é controlada pela Eurocopter e
a médio prazo poderia projetar um modelo
próprio. Há propostas do poderoso
grupo EADS, o maior complexo europeu de defesa,
aeronáutica e espaço, para instalar
no Rio um centro de engenharia de mísseis
- inicialmente destinado à modernização
da classe Exocet, do tipo ar-mar e mar-mar.
Jobim desembarca
amanhã às 6h40 no discreto terminal
aéreo de Le Bourget, em Paris. Na terça-feira
será recebido pelo presidente Nicolas Sarkozy
no Palácio do Eliseu. Diplomatas destacam
esse compromisso como um indicador da importância
que o governo francês confere a um eventual
contrato com o Brasil na área de defesa.
Normalmente, afirmam esses funcionários,
Jobim seria recebido pelo ministro da Defesa, Hervé
Morin. A comitiva inclui o assessor de Assuntos
Internacionais, Marco Aurélio Garcia, o ministro
de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira
Unger, e o almirante Júlio Soares de Moura
Neto, comandante da Marinha.
Para Jobim, essa
“não é uma viagem de compras,
mas de conhecimento e consultas”. Ainda assim,
o primeiro item do roteiro é uma reunião
com o banqueiro François Dossa, presidente
do Societé Generale Bresil. “Em todas
as etapas a conversa será aberta, claro.
Mas qualquer diálogo sobre a questão
de materiais só será possível
se tomar como premissa inafastável a transferência
de tecnologia”, afirmou. “Desenhado
o plano estratégico, a definição
dos equipamentos passará obrigatoriamente
pela abertura do conhecimento. Mesmo que na opção
a oferta fechada custe menos e a aberta, que represente
desenvolvimento do parque industrial nacional, custe
mais, vamos para a mais cara.”
Na Rússia,
a partir de 1º de fevereiro, o grupo cumpre
programação mais restrita, em bases
e estaleiros navais. Jobim deve assistir à
exibição do caça Su-35, com
o qual a Sukhoi pretende disputar a FX-2. Em Moscou
vai se encontrar com o vice-presidente Serguei Ivanov
e com o ministro da Defesa, Anatoliy Serdyukov.
No dia 6, antes do regresso a Brasília, Jobim
faz escala em Madri para jantar com um de seus antecessores,
o embaixador na Espanha, José Viegas Filho.
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